Bicicleta: entre a economia e as asas

O poeta Alberto Martins disse que “a literatura é uma zona de respiro da sociedade, como os caminhos que as minhocas abrem na terra para arejá-la. O papel da literatura é canalizar e dar voz a essas coisas que não são aparentes”.

Se vale para a literatura, vale para a arte e todas as suas manifestações. Então vale para as charges.

 

O que a charge do Rafael para o jornal O Povo tem a nos revelar, o que está oculto? Os cinco líderes pedalando em conjunto a BRICicleta dá óbvia ideia da união de forças. A charge remete à criação do banco dos BRICs, assunto que esteve na pauta da economia no começo da semana. Mas há algo mais, raízes que só as minhocas ouvem. Siga-me nesta trilha, talvez eu consiga mostrar.

Os seres humanos gostamos de achar que somos seres racionais e inteligentes. Que uma das nossas melhores sabedorias é tomar decisões racionais visando um futuro melhor. Errado! Na maioria das vezes, não somos tão lógicos como queríamos e um misto de emoções e crenças engana a nós mesmos.

Como seres humanos cheios de emoção, temos uma imensa aversão à perda, que muitas vezes nos leva direto à falácia dos custos irrecuperáveis.

Mas, o que são custos irrecuperáveis?? São todos os pagamentos ou investimentos que fazemos e que nunca poderão ser recuperados. É um dos temas favoritos dos economistas, quando estudam as escolhas intertemporais no âmbito da economia comportamental.

Um andróide com circuitos lógicos em pleno funcionamento nunca tomaria uma decisão com base nos custos irrecuperáveis, mas você e eu sim. Nossos sentimentos e instintos são mais fortes e nosso cérebro disfarça para que pareçam decisões racionais. Mas não são.

A Ilusão: você toma decisões racionais baseadas no valor futuro dos objetos, investimentos e experiências.

A Verdade: suas decisões são influenciadas pelos investimentos emocionais que você acumula, e quanto mais você investir em algo mais difícil se torna abandoná-lo.

Vejamos como acontece e o que isto tem a ver com bicicleta e trânsito.

No livro Thinking Fast and Slow

publicado no Brasil pela Editora Objetiva, o psicólogo Daniel Kahneman escreve sobre como ele e seu colega Amos Tversky, por meio de trabalho na década de 1970 e 80, descobriram o desequilíbrio que há entre perdas e ganhos em nossa mente. Kahneman, ganhador do prêmio Nobel de… economia!, explica que, uma vez que todas as decisões envolvem incerteza sobre o futuro, o cérebro humano que você usa para tomar decisões evoluiu um sistema automático e inconsciente para julgar como proceder quando surge um potencial de perda. Assim, ao longo do tempo, a perspectiva de perdas tornou-se um motivador mais poderoso no comportamento humano do que a promessa de ganhos. Sempre que possível, tentamos evitar perdas de qualquer tipo, e quando se comparam perdas e ganhos, você não vai tratá-los da mesma forma.

O economista comportamental Dan Ariely acrescenta um toque fascinante nesta questão da aversão à perda, em seu livro Predictably Irrational


(publicado no Brasil pela Campus Editora). A “dor de pagar”, como ele diz, surge sempre que você precisa desistir de qualquer coisa que você possui. O valor não importa. Você vai sentir a dor não importa o preço que você vai pagar, e isto influencia suas decisões e comportamentos.

Em um de seus experimentos, Ariely montou um estande em uma área bem movimentada. Os transeuntes podiam comprar chocolates comuns por R$1,00 ou excelentes trufas belgas por R$15,00 cada. A maioria das pessoas escolheu as trufas. Foi um bom negócio, considerando as diferenças de qualidade e os preços normais de ambos os itens. Ariely, então, criou outro estande com as mesmas duas opções, mas reduziu o preço em um real cada: os chocolates eram de graça e as trufas custavam R$14,00 cada. Pare e pense: desta vez, qual você escolheria??

A grande maioria das pessoas selecionou os chocolates comuns em vez das trufas (foi seu caso, admita!!). Se as pessoas agissem na lógica matemática pura e racional, explicou Ariely, não deveria ter havido mudança no comportamento dos indivíduos. A diferença de preço era a mesma. Mas não achamos que é dessa maneira. Nosso cérebro nos prega uma peça (por falácia, uma inverdade lógica): o sistema de aversão à perda está sempre vigilante, de prontidão para nos manter longe da ideia de desistir de algo, de desapegar. É por isso que você acumula badulaques que você realmente não quer ou precisa; é por isso que achamos tão tentador aceitar negócios que incluem brindes “gratuitos” ou descontos obscuros; é por isto que as pessoas continuam usando carros, mesmo sabendo do mal que faz à saúde (obesidade e sedentarismo), à cidade (trânsito caótico e mal uso da terra) e ao planeta (aumento do efeito estufa).

Alguma vez você já foi ao cinema só para perceber, em 15 minutos, que está assistindo a um dos piores filmes já feitos, mas você fica e assiste ao filme de qualquer maneira, até o fim? Você não quer desperdiçar o dinheiro, então você desliza para trás na cadeira e sofre – como sofre atrás do volante.

Essa é a falácia!! É o sistema emocional em alerta. Porque o dinheiro será perdido de qualquer maneira. Não importa o que você faça, você não pode tê-lo de volta. A falácia impede que você perceba que a melhor opção é fazer o que promete ser a melhor experiência no futuro, em vez de preferir “diminuir” o sentimento de perda no passado.

Kahneman e Tversky também conduziram um experimento para demonstrar a falácia dos custos irrecuperáveis. Veja como você se sai nessa.

Imagine que você vá comprar um livro que custa R$50. Quando você abre sua carteira ou bolsa, percebe que perdeu a nota de $50. Será que você ainda compra o livro? Provavelmente sim. Apenas 12 por cento dos indivíduos no teste disseram que não. Agora, imagine que você compra o livro, paga R$50, mas antes de chegar ao bicicletário percebe que esqueceu – perdeu! – o livro em algum lugar. Você voltaria e compraria outro exemplar do mesmo livro?? Talvez, mas a dor no bolso seria muito maior, não é? Neste experimento, 54 por cento das pessoas disseram que não compraria outro livro. A situação é exatamente a mesma!!

Você perde R$50 e, para poder ler o livro, precisa pagar R$50 de novo, mas o segundo caso nos parece diferente, sentimos diferente. É como se o dinheiro fosse usado para um propósito específico e depois perdido, houve uma carga emocional investida no futuro e perder é uma m*!

Os custos irrecuperáveis levam a guerras, elevam os preços em leilões e mantem vivas políticas fracassadas, como a política de incentivo ao automóvel. A falácia faz você continuar comendo o que está no prato, mesmo quando seu estômago já está cheio. Ela enche sua casa com coisas que você não quer nem usa mais. E vai fazer as cidades entrarem em colapso, pois os carros foram comprados, os viadutos foram feitos, as pistas foram duplicadas, as montadoras foram subsidiadas, o IPI foi reduzido, é muito dinheiro para poder voltar atrás agora…

foto do blog IN TRANSITU
EPTG após obras para “resolver o caos do trânsito”; foto do blog IN TRANSITU

Motoristas estão atolados em um poço de custos irrecuperáveis. Governos que buscam soluções para o trânsito de automóveis estão presos na lógica engarrafada dos custos irrecuperáveis. Eles nunca podem voltar o tempo ou o dinheiro que gastaram, mas pretendem continuar usando seus carros para evitar sentir a dor da perda e a horrível sensação de desperdício.

A falácia dos custos irrecuperáveis às vezes é chamada de falácia Concorde, descrevendo-a como uma escalada de compromisso. É uma referência à construção do primeiro avião comercial supersônico. O projeto estava previsto para ser um fracasso desde o início; mas todos os envolvidos continuaram em frente. Os investimentos que fizeram juntos deu origem a uma pesada carga psicológica que superou todos os melhores e sensatos argumentos. Depois de perder uma quantidade incrível de dinheiro, esforços e tempo, eles não queriam simplesmente desistir.

Foram em frente, como vão em frente os governos que duplicam vias, constroem viadutos, ampliam estacionamentos, reduzem IPI.

Motoristas, gerentes de trânsito, engenheiros, arquitetos, urbanistas e a imprensa continuam em frente, buscando solução para o trânsito de automóveis, mesmo sabendo que o fracasso é óbvio.

A capacidade humana de raciocínio tem defeitos provocados por forças invisíveis – emoções, relatividade, expectativas, apego, normas sociais – que nos induzem a fazer escolhas ‘previsivelmente irracionais’.

É uma tendência nobre e exclusivamente humana a vontade de perseverar, a vontade de manter o rumo, o apego ao que passou e a crença infundada no controle do futuro – estudos mostram que animais e crianças pequenas não cometem esta falácia. Vespas e vermes, ratos e guaxinins, bebês e crianças, eles não se importam o quanto investiram ou quanto vai para o lixo. Eles só conseguem ver perdas e ganhos imediatos.

Por outro lado, como seres humanos adultos, temos o dom da reflexão e do arrependimento.

Ponha-se num lugar futuro, onde você admita que seus esforços foram e estão sendo em vão, que suas perdas são permanentes, e que aceitar a verdade dói, dói muito.

Desapegue de velhos hábitos. Não espere que o governo construa nem aguarde que a polícia multe ou prenda. Assim como os líderes dos BRICs, dê o primeiro passo e a primeira pedalada em direção à mudança. As bicicletas estão aqui, e agora, só depende de você querer ganhar ou perder. Conscientemente.
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este texto foi inspirado pela charge e escrito a partir da estrutura e argumentos traduzidos do artigo The Sunk Cost Fallacy, publicado no blog You are Not So Smart, com adaptações.


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Alemanha tetracampeã!!

Acabou!!!! a CopaFIFA acabou!! Estou aliviado como quem sai do proctologista.
Com um sentimento de liberdade, escapando da gaiola de gritos e bandeiras.

Ontem, passeando no Facebook, vi alguém postando os “motivos para torcer para a Alemanha”. Achei aquilo curioso, pois torço para a Alemanha desde 1966 – nas copas anteriores eu não havia nascido :-P.

Não que eu assista jogos ou participe de bolões ou acompanhe notícias de futebol. Para mim, basta saber o resultado final. Quanto maior o placar, melhor.

Mas os “motivos para torcer para a Alemanha” chamaram minha atenção. E foi ontem que fiquei sabendo que os alemães ganharam também o título de time mais simpático (campeões!), conquistando os moradores da vila de Santo André, em Santa Cruz Cabrália, Bahia.

Soube também que a seleção alemão trouxe bicicletas para usar no treino físico, como já faziam na Europa. A distância entre o local de treino e o hotel era pouca e os jogadores quiseram usar a bicicleta como meio de transporte (bicampeões!!), mas foram proibidos pela polícia, por questões de segurança.

[...Proibir andar de bicicleta por questões de segurança? Por que eu lembrei imediatamente das políticas cicloviárias brasileiras, da imprensa, das propagandas e dos cicloativistas que "defendem" a bicicleta com argumentos de "segurança"?? Resultado: cada vez menos bicicletas nas ruas, como pude comprovar em Montes Claros e Taiobeiras, cidades do interior de Minas - onde fui passar uns dias de férias para presenciar a sombra da morte sobre minha família - cidades que tinham muita bicicleta nas ruas e, a cada ano, este número reduz drasticamente...]

Não quero descer a esse inferno.

Voltemos: a seleção alemã usa a bicicleta como parte do treino físico (tricampeões!!). Como mostra esta notícia, a foto que abre este post e esta:


Mais uma lição que fica para times cheios de “talentos” e empafia.

Aquelas bicicletas trazidas pela seleção alemã foram doadas para uma escola de Santo André. TETRACAMPEÕES!!!

Foto de Ricardo Palmeira - Ag. A Tarde

Segundo notícia desta página, a escola pretende leiloar as bicicletas para angariar verbas. [Será que o leilão vai acontecer via internet, pra eu poder participar??]
Somando isto às doações para os índios, às outras doações para creche e escola: TETRACAMPEÕES!!!
Embora o futebol não tenha tanta importância pra mim, não é uma religião, nem uma boia-salva-país, como é bom estar do lado do time certo, quando tudo dá certo, por merecimento, compromisso, planejamento e espírito coletivo.

Weltmeister!!!


Ficou apenas uma mancha: o local onde a seleção alemão ficou hospedada foi construído numa área de proteção ambiental. Gol contra!

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Bicicletas na Grande Guerra, 1914

Há 100 anos começava aquela que nós conhecemos como 1ª Guerra Mundial. Os europeus chamam-na de “A Grande Guerra”.  Ela definiu a geopolítica atual, destruiu impérios e foi marcada pelo uso de armas de destruição em massa. Uma guerra industrializada entre as potências industriais.

Foram adotadas novas formas de combate, com avassalador poder da artilharia, com canhões, metralhadoras, bombas de gás. As tecnologias que estavam despontando no início do século foram adotadas, como os dirigíveis, que bombardearam Londres em 1915.

As bicicletas também foram usadas.

Fotos nunca antes divulgadas estão sendo mostradas. Como esta abaixo, que mostra soldados ciclistas franceses, no front de Champagne. A foto foi tirada em 22 de setembro de 1915.

Veja aqui mais fotos impressionantes, deste conflito impressionante.

Torço e ajo para que a bicicleta nunca mais seja usada como arma de guerra, urbana ou não.

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Um passeio de bicicleta até a Abadia de Corvey

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Clique na imagem para acessar a reportagem da DeustcheWelle.

No Brasil, nenhuma cidade história é amiga da bicicleta. Os patrimônios culturais da humanidade, por aqui, estão com as ruas abarrotadas de carros, ao ponto de ser impossível tirar uma boa foto dos monumentos e de andar pelas ruas apreciando a arquitetura e a atmosfera que deveriam proporcionar.

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Operação Dragão Amarelo

[ou: Como incentivar o hábito de leitura do seu filho]

O título deste artigo é o mesmo de um livro muito divertido que estou lendo.

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Destinado ao público infantojuvenil, o livro mistura estórias de detetive com jogos ao estilo “Onde está Wally?”
Nas páginas pares, fica o texto, que sempre termina com um enigma. A solução do enigma está na ilustração da página ímpar:

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São pequenos casos vividos por um grupo de adolescentes (a Turma do Alcaçuz), Lars, um investigador da polícia, e Leo, um detetive. Clique nas imagens acima e veja se você consegue desvendar o primeiro enigma!

Por que estou lendo um livro para crianças? Porque eu leio todo e qualquer livro, basta ele ser bom. Segundo, faz parte da estratégia de incentivar o hábito de leitura do meu filho caçula. Fazemos uma “competição” de quem termina primeiro. Ou de compartilhamento: todo livro que ele ler, vou ler também, foi o que combinamos.

Yo! Estou gostando disto!! Li toda a série Diário de um banana. Agora, estou a ler a Operação Dragão Amarelo. Os próximos livros da lista são a série Deltora.

De quebra, descubro que a Turma do Alcaçuz adora bicicleta. No primeiro episódio, assim que as férias começam, foram passar uns dias fora da cidade. E foram de bicicleta. No episódio sete, que conta a estória de um cavalo desaparecido, eles descobrem uma pista importante e um provável suspeito quando voltavam de bicicleta da escola.

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Achou a pista? Deixe nos comentários.

Muitas vezes, andando de bicicleta pela cidade ou fora dela, sinto-me num mundo de estórias, pistas escondidas e enigmas a serem desvendados: de bicicleta o mundo é um livro aberto.

E eu levo meus filhos comigo.

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Dia “D” das bicicletas

Há exatos 70 anos, em 6 de junho de 1944, as tropas dos aliados desembarcaram na Normandia. O dia marcou o início do fim da 2ª Guerra. Parte das operações Overlord e Netuno, o dia exato do desembarque ficou famosamente conhecido como “Dia D”.

Ao longo de 80 km do litoral da França banhado pelo Canal da Mancha, infantaria e divisões blindadas chegaram às praias. Antes deles, um assalto aéreo despejou paraquedistas em pontos estratégicos e para missões de sabotagem.
Entre aviões, navios, tanques e tropas, estavam bicicletas. Fotos da época mostram barcos cheios de bicicleta, soldados levando bicicletas para a praia e paraquedistas com bicicletas dobráveis.

tropas fazem inspeção de kits dias antes do Dia D
soldados caminham para os navios
tropas canadenses um dia antes do Dia D
canadenses cruzando o Canal da Mancha
desembarcando em Juno Beach
desembarque visto de outro ângulo

já em terra, soldados do 2º Batalhão East Yorkshire
soldados do 50ª Divisão britânica observam uma casamata alemã que abrigava um canhão anti-tanque 50mm

Os soldados usavam a bicicleta BSA Airbone, também conhecida como parabike.
Consulte esta página (em inglês) para saber tudo sobre as bicicletas BSA.

As fotos das tropas canadenses (de cima para baixo, terceira a sexta) são do Library and Archives Canada, tiradas pelo Tenente Gilbert Milne,  fotógrafo da Royal Canadian Navy e mostram a Highland Light Infantry e a os West Nova Scotia Highlanders. Podem ser vistas na página Toronto Remembers D-Day, June 6, 1944, com mais outras imagens.
A sétima foto foi copiada da página Maple Leaf Up.
As demais estão em BSA Historic.

Nenhuma guerra é justificável. Mas as bicicletas sempre cumprem seu papel de veículo rápido, silencioso e eficiente. Por isto, não poderiam faltar nesta que foi uma das maiores e mais importantes operações militares da história.

Na luta contra inimigos astutos e poderosos, leve uma bicicleta!

Bicicletas públicas em Brasília

Nem tudo que a imprensa diz é verdade, então fui conferir com meus próprios olhos.
Bicicletas públicas e Congresso Nacional

Este foi o primeiro fim de semana após inaugurado o sistema e a cidade estava uma festa.

Bicicletas Itaú e Torre de TV em Brasília

Bicicleta pública passa em frente à Catedral - Brasília - DF

Em todas as estações paravam curiosos e interessados.
Nas estações da Esplanada as bicicletas não foram suficientes. Vi pessoas descendo do carro no meio da pista e correndo até a estação para garantir as últimas bicicletas restantes na estação do Ministério da Defesa. Na estação próxima ao Palácio da Justiça havia fila, pessoas disputavam as bicicletas.
bicicleta pública - Congresso Nacional - Brasília

Perto do Memorial JK, turistas de fora da cidade pararam, comentaram, tiraram fotos.

bicicleta pública Estação Memorial JK - BSB

bicicleta pública Estação Memorial JK - BSB

Na estação Praça do Buriti, finalmente a primeira ousadia no “programa cicloviário” do DF: tomaram 5 vagas de automóveis!!!

bicicleta pública Brasília - Praça do Buriti bicicleta pública Brasília - Praça do Buriti; ao fundo Câmara Legislativa

A estação Rodoviária deve ficar bem concorrida durante a semana.

bicicleta pública Brasília - Rodoviária

Teve até quem usou a “laranjinha” para aprender a andar de bicicleta!

bicicleta pública serve pra muita coisa!

Agora é possível ir pedalando toda a extensão do Eixo Monumental, do Memorial JK ao Congresso Nacional.

bicicletas públicas passam em frente ao Congresso Nacional

Espero que seja um sucesso durante a semana e que a cidade fique cada vez mais cheia de bicicletas de todas as cores e tipos.

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Página oficial das bicicletas públicas em Brasília

Veja o mundo de outra forma

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As imagens acima foram tirada da página da Sustrans, maior entidade britânica de incentivo ao uso da bicicleta. Eles têm longa tradição de fazer campanhas Safe routes to school, rotas seguras para a escola.

A mais recente, como as outras, pede que as pessoas pressionem os MPs, membros do Parlamento, enviando-lhes mensagens. Além disto, ensina como cada um pode mudar tomando atitudes concretas no seu dia-a-dia (e assim mudar a cidade e o mundo) e pede que a campanha seja divulgada.

A Sustrans fez uma página com material para download. Entre posteres e infográficos, está um molde dos óculos e pezinhos usados pelas crianças nessas fotos.

Baixe o molde aqui.

E, se quiser, faça o que a Sustrans pede aos ingleses: monte os óculos-bicicleta, óculos-pezinhos ou óculos-patinete, tire uma foto sua com eles e coloque nas redes sociais. A campanha é deles, mas precisamos trazer este modo de ver o mundo pra cá.

Entupimos as ruas de automóveis, tornando-as perigosas para todos, mas principalmente para as crianças. Elas foram expulsas das ruas pelo trânsito motorizado. E muita, mas muita gente mesmo tem a carice de pau de reclamar que as crianças de hoje só querem saber de computadores e ipads. Diga sinceramente: que alternativas elas têm?

Acredito que toda criança tem o direito de caminhar, andar de bicicleta, patins, skate e patinetes pelas ruas. Isto pode começar pela forma como elas vão para a escola. Os carros roubaram este direito. Podemos mudar isto. Se fizermos agora, podemos mudar o futuro, com crianças mais ativas e saudáveis.

Sustrans Campaign for Safer Streets Factsheet

 

para salvar uma criança de bicicleta

Um ciclista anda calmamente por aí, aproveitando a vida.
De repente, é traiçoeiramente atacado.

Poderia ser qualquer bicicletista nas ruas, atacado por motoristas raivosos, ladrões esquivos e políticos populistas interesseiros.

Aconteceu nos Estados Unidos. Um garoto de 4 anos andava de bicicleta quando foi atacado. Mais inusitado ainda foi quem salvou o garoto!

Incrível o salto ninja, a “voadora” do bichano!!

Veja em português, na BBC Brasil. Procurando o video pra colocar aqui no blog, encontrei-o nesta reportagem do jornal inglês The Independent.

O dono disse que o cachorro não gosta de criança nem de bicicleta.
Este cão é a personificação dos motoristas que se acham donos das ruas e atacam por trás.
É mais ainda: símbolo e metáfora do que fizemos com nossas cidades. Daqui estou escutando aquele cachorro pensar: “Rua não é lugar de criança nem de bicicleta, grrrr!”

As ruas cheias entupidas de carros e veículos motorizados estão à espreita para atacar qualquer criança que ouse andar sozinha por elas. Pois então responda: você deixaria seu filho de 4 anos andar sozinho numa rua de qualquer cidade brasileira?

Confesse que você tem medo de sair de bicicleta e ser atacado por um “animal raivoso” qualquer que esteja escondido por aí.

A metáfora fica por aqui, pois de lugar nenhum virá um gato para nos defender.

O cão será sacrificado.

E nós??
O que fazer com os motoristas que matam e mutilam milhares de pedestres e ciclistas todo ano?
O que fazer com políticos que abocanham e rasgam e arrastam a bicicleta para seus próprios interesses?
O que faremos com nossas cidades, com nossas ruas, cadelas raivosas e violentas?

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Bananas e livros

Tudo começou assim. Um torcedor espanhol jogou um banana no campo para “chamar” um jogador de macaco. A vítima de racismo, um brasileiro, teve incrível presença de espírito e comeu a banana.
Logo depois, outro jogador postou foto sua comendo uma banana e a bananice da campanha “somos todos macacos” virou viral nas redes sociais. Famosos, não famosos, todo mundo passou a comer banana.
Mas a “espontaneidade” da campanha estava com os dias contados. Logo se ficou sabendo que a tal hashtag havia sido criada e arquitetada por uma agência de propaganda e marketing. Como se tivesse infectada por um fungo mortal, a bananeira murchou e a campanha sumiu.
No meio desta bananada, recebi no Facebook:
livro_futebol

Estou na campanha!! Vejam quais livros estou selecionando.

Minha lista começa, obviamente, com o livro A origem das espécies, de Charles Darwin, para não deixar dúvidas que somos mesmo todos primatas. [não somos macacos! foi um erro grosseiro da agência de propaganda e de quem mais aderiu ao viral; entendo como metáfora,  usada como sinônimo de primata, mas não deixa de ser um erro científico].

A lista continua:
- O macaco nu, Desmond Morris
- A origem da espécie humana, Richard Leakey
- A evolução da humanidade, Richard Leakey
- O gene egoísta, Richard Dawkins
- A grande história da evolução, Richard Dawkins

Na outra bolsa, vou levar o livro básico, que explica a necessidade de aparecer, mostrar-se, mesmo que seja pagando uma agência de propaganda para pensar por mim, ou embarcando numa campanha duvidosa:
- A sociedade do espetáculo, Guy Debord

Enrolado em folhas de bananeira, levaria este livro apenas pelo título, que é genial frase de Marx e cai como luva, ops, chuteira no caso:
- Primeiro como tragédia, depois como farsa, Slavoj Zizek

Já que o assunto é futebol, acho que estes livros teriam algo a acrescentar:
- O homem unidimensional, Herbert Marcuse
- Copa para quem e para quê? Um olhar sobre os legados dos Mundiais no Brasil, África do Sul e Alemanha. Organizado por Dawid Bartelt e Marilene de Paula, ambos da Fundação Heinrich Böll (clique aqui e leia um artigo sobre este livro).

Para finalizar, não posso esquecer de jogar livros para “quem quer conhecer o Brasil”, país do futebol pátria de chuteiras, blé, blé, blé. Além dos 10 livros indicados pelo Antonio Cândido, acrescento:

- Boa ventura, Lucas Figueiredo.

Monarcas perdulários, sonegadores de impostos, aventureiros gananciosos em busca da riqueza fácil. Este era o Brasil que se formou no início, com a corrida do ouro.
Alguma diferença dos dias atuais??

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