Eu quero uma bicicleta! (e não encontro…)
Não registrei BO na polícia, não fui atrás do vídeo de segurança e não acho que vou rever minha bicicleta roubada.
Pode parecer conformismo, mas não é.
É resignação tao. Quero viver esta experiência sem ter intenção de mudá-la. Não aceitei, mas não quero agir contra. Porque, de certa forma, é ir de encontro ao mal e disto eu quero distância.
E também tem o fato de que a resignação é alimentada pela esperança. Com o roubo da bicicleta, abriu-se uma porta para que eu possa comprar uma verdadeira e boa bicicleta urbana.
Adorava minha Caloi 100, mas ela era pequena para meu tamanho e, mais do que isto, tinha uma geometria de quadro que me dava dor nos joelhos. Ajustei a bicicleta no limite do tamanho do canote do selim e da mesa de guidão. O joelho melhorou, mas, depois de um tempo, me veio uma dor nos ligamentos da cabeça do fêmur!
Além disto, não era bicicleta urbana. A Caloi não faz bicicleta urbana. Faz somente bicicleta de passeio. E algumas bicicletas de passeio maquiadas de urbana.
Empresa alguma no Brasil faz bicicleta urbana – e depois reclamam do trânsito. Acho muito pior sermos obrigados a usar bicicletas-carroças!!
Bicicletas urbanas vem de fábrica com paralamas, protetor de corrente, descanso (ou pé) e bagageiro. Itens obrigatórios!! Algumas acrescentam cestinha, luzes com dínamo e guidão tipo north road.
Aliás, passei duas semanas indo em todas as lojas de bicicleta do Plano Piloto (Brasília, DF) e só encontrei mountainbikes, mountainbikes, mountainbikes e… mountainbikes! Minto, uma ou outra de corrida, BMX e beach.
AAAAAAAAAAAA! Eu quero comprar uma bicicleta boa para andar na cidade e não consigo!!
Andar na cidade significa carregar compras, não sujar a barra da calça na corrente, não sujar a camisa social com respingo de água suja do chão e andar elegante, espinha ereta e peito aberto, e não corcunda com o pescoço esticado, feito tartaruga!
Mostro algumas bicicletas dos sonhos (que existem de verdade lá do outro lado do Atlântico
):
Cortina Fietsen
BSP Boozz
Clique nas imagens e você vai acessar as respectivas páginas das marcas, quero dizer, é um portal de teleportação para um mundo onde existem bicicletas de qualidade!!
Para sermos Amsterdan, precisa muito mais do que ciclovias…
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Roubaram minha bicicleta
Ontem era pra ser um dia como outros, de outono. Sai de casa para o trabalho, de bicicleta. No caminho, parei para ver as barrigudas floridas em rosa.
Chegando, deixei a bicicleta no bicicletário. Meio da manhã.
Na hora do almoço uso ônibus para ir e vir – deixava a bicicleta, minha mula prateada, descansando na sombra.
As horas passam. Quando fui voltar para casa, já escuro noite adentro, cadê?
A primeira sensação que veio foi a dúvida: será que vim de bicicleta hoje? Mas só dúvida que reforça o espanto. A dificuldade do cérebro de lidar com o inesperado.
Pois, pior, o local tem vigilância, e policiamento ostensivo na área próxima. Como roubaram??
Estacionei ali por longos 10 anos. Houve dias até que deixei a bicicleta sem tranca, por ter esquecido…
Não tive ódio, nem raiva.
Para pombo que rouba pão, a gente fala xô. Para os ratos é que existem os esgotos.
A minha bicicleta foi companheira por muitos bons e maus momentos. Machuquei o dedão, quebrou o canote do selim, carreguei frutos da sapucaia na cestinha e livros para doação no bagageiro.
Ela, como as outras cinco que tenho, carrega uma energia positiva que de pouco ou nada adiantará para uma pessoa nefasta.
Não era uma espada mágica ou um cálice, que preserva seus poderes místicos enquanto apenas objeto.
A nossa relação com o mundo quase sempre é intermediada por coisas. Coisas feitas, produzidas, construídas, que o ser humano usa para se distinguir dos animais e se afastar da Natureza [tenho dúvida que seja o melhor caminho, como espécie animal que depende do seu meio ambiente, mas foi a este ponto que nos levou a cultura ocidental judaico-cristã].
Cultura é isto, símbolo. Como espécie, precisamos desta intermediação de objetos, de algo que nos ajude a estar no mundo, entendê-lo e vivê-lo.
[daí o perigo latente de objetos que não apenas são intermediários, mas o sendo, ao mesmo tempo criam uma realidade não-real, como a TV e o computador; vivemos, em Matrix, a hipérbole do símbolo, em vez de viver o real, acreditamos na sua reprodução virtual]
Então, a minha bicicleta não é só aquele objeto de aço, sem motor, com duas rodas, pedal, cestinha, bagageiro. É tudo isto e mais o que está dentro de mim. E não é só o que está dentro de mim, pois seria apenas desejo ou sonho. É o objeto e eu. Bicicleta são significados mentais e dedos sujos de graxa.
Na Grécia antiga, quando dois amigos se separavam, partiam um prato ou uma moeda. Quando se reencontravam, no futuro, cada um tinha que apresentar sua metade, como identificador do pacto feito no passado. Assim era refeito o elo entre o que estava unido e foi separado.
Acredito que nunca mais verei minha bicicleta. Mas metade dela estará sempre comigo.
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Dar a eles uma bicicleta é fazê-los mais fortes
Você vai fazer uma viagem à Índia. Chegando lá, fica chocado com a pobreza. Vê muitas crianças e, querendo ajudar de alguma forma, pergunta a elas o que gostariam de ganhar. Qual foi a resposta?
Bicicletas.
Sim, bicicletas. Não foi comida, nem roupa, nem computador, brinquedos ou celular.
Não é um conto de ficção, nem exaltação exagerada da bicicleta. Aconteceu de verdade, com Thomas Hircock, este carinha da foto. Ele foi em frente, criou uma ONG que arrecada dinheiro, compra bicicletas e manda para as crianças da Índia.

A história, curta, mas cheia de significado, pode ser vista num video publicado pela BBC Brasil. Clique em qualquer uma das imagens.
Mundo afora existem várias ações semelhantes ao que faz Thomas Hircock. A lista é grande, mas posso citar
Bicycles for Humanity
World Bicycle Relief
CooP-Africa, Cycling out of Poverty
que lembrei assim, de supetão, as três atuando na África.
Nestas regiões, claro que a bicicleta atua como instrumento de empoderamento. Mas não fica só aí. No Brasil, pequenas cidades do interior ou metrópoles, a bicicleta leva sua revolução ao dar poder e liberdade. Muita gente sabe disto – e muita gente não gosta da bicicleta justamente por isto.
O empoderamento possibilita tanto a aquisição da emancipação individual, quanto à consciência coletiva necessária para a superação da “dependência social e dominação política”. Devolve poder e dignidade a quem desejar o estatuto de cidadania, e principalmente a liberdade de decidir e controlar seu próprio destino com responsabilidade e respeito ao outro.
O empoderamento, porém, não deve significar um conceito puramente instrumental, orientado somente à obtenção de resultados eficientes, mas antes de tudo, constituir uma afirmação das possibilidades de realização plena dos direitos das pessoas.O que é empoderamento. Ferdinand Cavalcante Pereira.
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Você sabe andar de bicicleta?
Então, só vai esquecer se retirarem completamente seu cerebelo!
É o que explica este pequeno artigo da revista Mundo Estranho, edição de abril.
Clique na imagem abaixo para vê-la em tamanho grande e leia com mais facilidade.
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leia também, aqui no blog: bicicleta e mal de parkinson
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A Alemanha está lá (e eu, aqui…)
Com a chegada da primavera na Europa, as bicicletas começam a voltar para as ruas com mais intensidade.
Nesta semana, a DeutscheWelle mostrou em sua página principal uma galeria de fotos sobre “Os alemães e suas bicicletas”, destacando pessoas, bicicletas e acessórios curiosos.

Ao todo são 14 fotos, disponíveis na mediateca. Para vê-las, clique aqui.
O texto das legendas, de Silke Wünsch , ainda destaca:
Quase todos os alemães têm uma bicicleta. No total são quase 70 milhões de bicicletas em todo o país. Sem contar as velhas esquecidas em quintais e porões. Os modelos são os mais diversos possíveis: as holandesas clássicas, as urbanas modernas ou mountain bikes de alta tecnologia. Agora que a primavera europeia chegou, todo mundo quer sair em duas rodas.
A e-bike é uma bicicleta que funciona com a ajuda de um motor. O sistema Pedelec (pedal de ciclo elétrico, em tradução livre) usa um motor que aumenta a força colocada no sistema de pedais. Essas bicicletas estão se tornando cada vez mais populares na Alemanha. No entanto, elas são bem caras. Uma Pedelec nova pode sair pelo preço de um carro usado.
Geralmente taxas extras são cobradas para transportar bicicletas [em ônibus ou trem], mas não para as bicicletas dobráveis, que fechadas ficam tão pequenas como uma mala.
Um passeio intenso de bicicleta pode ser uma experiência extraordinária. Você pode sentir a natureza, o vento e todo o seu corpo. Nas férias, muitos alemães gostam de fazer passeios de bicicletas que duram diversos dias, de preferência com mountain bikes. Com pneus mais largos e cardados, quadros pequenos e resistentes e pelo menos 21 marchas são alguns dos diferenciais do modelo.
A galeria termina com esta foto:
Capacete obrigatório? Falta de segurança? Mais ciclovias? Por alguns momentos, pensei estar lendo reportagem do Brasil. (hum!! sobre a face do planeta, somos todos seres humanos e nunca estamos satisfeitos…).
Realmente, o trânsito da Alemanha é muito perigoso para ciclistas – se comparado com Holanda e Dinamarca. Vai comparar com o Brasil, vai…
E mais: somente numa única cidade, Munique, são 1.200 km de rede cicloviária, mais de que todo o Brasil junto!!
Na Alemanha inteira são mais de 70.000 kms de rotas para bicicletas.
E os modelos de bicicleta à venda?? Aqui não acho um único modelo para uso urbano adequado para minha altura.
E ainda, em Berlim, a maior loja de bicicleta do mundo.
Ah, como eu queria morar na Alemanha!!
ela quer minha bicicleta
Skylar Grey é cantora e compositora norte-americana, que já alcançou grande sucesso com “Love the Way You Lie”, sucesso na voz de Rihanna.
Em dezembro do ano passado (2012), em busca de maior sucesso como cantora solo, mudou o visual meio dark e lançou uma música sobre… bicicleta!!
Em sua conta no Youtube, ela postou a música como “video lyrics” – vídeos em que animação e imagens são a própria letra da música.
Antes de seguir adiante na leitura (que vai revelar alguns segredos da música), veja e ouça:
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O vídeo oficial, com participação de Eminem, que está dando uma força para a carreira de Skylar:
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Para ver com legenda em português, clique aqui.
Em declaração, Skylar admite que a canção é meio sarcástica e usa jogos de palavras para ridicularizar a excessiva e disseminada sexualização.
Nem precisa saber inglês para notar que isto é verdade! Basta ver a foto que foi divulgada junto com a música, e os dois vídeos.
Acho que Skylar e Eminem não só estão sendo sarcásticos com a sexualização, como também a usam para fazer sucesso.
Algo de errado nisto? Acho que não. É metalinguagem.
A bicicleta é um objeto, e como objeto se insere numa rede de significados, que chamamos cultura. A sociedade moderna configura-se como um sistema de objetos, e podemos falar de uma semântica e uma semiótica de objetos e artefatos, onde há intercâmbio de conceitos e significados.
Nada mais normal que a bicicleta seja sexualizada, aproxime-se de conotações sexuais. Sobretudo porque, pare e pense: tirando as mãos, qual é a área de contato do nosso corpo com a bicicleta? Há um famoso vídeo alemão que explorou isto bem mais explicitamente, da mocinha andando de bicicleta e tendo seu primeiro orgasmo.
Há muitos e vários exemplos da bicicleta como fetiche e objeto sexual, que deixo para outro tomo.
Há uma certa ironia na própria etimologia da palavra “fetiche”. O seu uso em português é uma adaptação do vocábulo francês fétiche, cuja origem remonta, por sua vez, a uma transposição da palavra portuguesa “feitiço”.
Feitiço se relaciona ao particípio passado “feito”, no sentido de “coisa feita.
O sentido mais comum que atribuímos hoje à palavra, como substantivo, é o de bruxaria, cuja origem está na ideia de um “trabalho feito” contra alguém.Rafael Cardoso Denis. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. Revista Arcos, vol. 1, 1998
Nos últimos dois séculos, a palavra fetiche e sua derivada fetichismo, por seu senso de estranheza e mistério, foi usada por Freud e Marx no sentido de dar certos significados aos objetos, de fazer uma ligação entre o material e o imaterial.
Contamos, então, com três grandes sentidos históricos para o emprego da palavra fetichismo, que se reportam respectivamente a: 1) um tipo de culto religioso em que se atribuiu aos objetos poderes sobrenaturais; 2) um aspecto da teoria econômica que explica a atribuição de um valor transcendental a certos objetos (mercadorias); 3) um comportamento sexual em que o indivíduo atribui a objetos uma carga sexual
Rafael Cardoso Denis. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. Revista Arcos, vol. 1, 1998
[para aprofundar nesta discussão do significado dos objetos, recomendo a leitura integral do artigo citado acima]
Skylar Grey não foi a primeira nem será a última a sexualizar a bicicleta.
Particularmente, acho que ela acertou. Os jogos de palavras são perpicazes (banana seat!); os videos, bem feitos. Hilária a parte que satiriza as cirurgias plásticas! E a música é boa!! O refrão grudou na minha cabeça. E eles ainda dão uma chupada (!) no ultramegahit famoso do Queen.
E que bicicleta é aquela que ela pedala? Com aquela galhada?? Maluco!
O single fará parte do segundo álbum de Skylar, previsto para ser lançado em julho.
Come on, let me ride your bicycle
It’s so fantastical, on your bicycle
Come on, let me ride your bicycle
It’s so fantastical, on your bicycle
Come on, let me ride your bicycle
It’s so fantastical, on your bicycle
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Se os livros desaparecessem…
Numa destas viagens, estava passando o tempo no aeroporto e avião com uma revista Coquetel, especial criptogramas.
Lá pelas tantas, ao resolver um jogo duplex (colocamos as definições e passamos as letras do quadro para o digarama, de acordo com as coordenadas; preenchido o passatempo, surgirá uma frase e o nome de seu autor nas casas em destaque) surgiu esta frase, que guardo aqui como citação:
O livro é a grande memória dos séculos… se os livros desaparecessem, desapareceria a história e, seguramente, o homem.
Jorge Luis Borges
Preciso encontrar o texto do Borges de onde esta frase foi extraída!
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