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Arquivo para a categoria ‘ecologia’

Ciclovias do GDF ferem o tombamento de Brasília

09/05/2012 11 comentários


A mobilidade sustentável por bicicleta não aceita a destruição de áreas verdes
em seu nome.


Além disto, a destruição das áreas verdes, com as ciclovias que o GDF quer enfiar goela abaixo, fere o tombamento de Brasília!

Diz Lúcio Costa:

As instalações teriam sempre campo livre nas faixas verdes contíguas às pistas de rolamento. As quadras seriam apenas niveladas e paisagisticamente definidas, com as respectivas cintas plantadas de grama e desde logo arborizadas, mas sem calçamento de qualquer espécie nem meios-fios. De uma parte, técnica rodoviária: de outra, técnica paisagística de parques e jardins.

Memorial do Plano Piloto de Brasília

O destaque em negrito na citação é meu.

Cadê o parecer favorável do IPHAN, autorizando a destruição das áreas verdes?? Deve estar na gaveta também??

O Plano Piloto precisa, sim e urgente, de caminhos para bicicletas. Mas pode-se usar ou a estrutura já existente, ou tomar o espaço dos carros. Ciclovias são a última opção, pois são obras caras e devem obedecer fatores objetivos para sua construção.

Em muitos lugares do Plano Piloto elas são desnecessárias por enquanto. É preciso ter um planejamento a longo prazo, que, além de obras, faça campanhas para incentivar o uso de bicicletas e desestimular o uso de automóveis (pedágios, estacionamentos rotativos pagos, etc). Com isto, se o número de biciclistas aumentar significativamente, então pode-se pensar em ciclovias, onde elas forem necessárias.

Não se pode destruir o verde e ferir o tombamento para deixar espaços intocados para automóveis .


..

(Aliás, por falar nisto, o GDF está destruindo área verde junto à estação da CEB na 911 sul para – mais uma vez – alargar pistas para carros. Também foram destruídas área verde e calçada em frente ao Hospital Naval, para criar mais vagas de estacionamento. Quando esta sanha destrutiva vai acabar??).

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Árvores em bicicletas

11/04/2012 4 comentários

Em geral somos surpeendentemente conservadores quando pensamos no material de que as coisas são feitas. Um armário feito de peças de bicicleta? Seria estranho…

E uma bicicleta feita de um armário? Mais estranho ainda?

Pois é isto que faz a dupla Bill Holloway e Mauro Hernandez, de San Jose, Califórnia (EUA). Donos da empresa Masterworks Wood and Design, eles já esculpiram 10 bicicletas de madeira, todas cruisers ou praieiras.

O verbo é este mesmo: esculpiram. As bicicletas são verdadeiras obras de arte

como bem diz o slogan que eles adotaram para o negócio: Art you can ride (Arte que você pedala).

Eles passam horas em busca dos mais belos móveis usados para reaproveitar a madeira. Uma belíssima aplicação do segundo princípio dos “3Rs”, reduza, reuse, recicle. Também aproveitam árvores urbanas condenadas, uma forma de salvá-las, de lhes dar nova vida e reescrever sua história.

As bicicletas custam entre US$ 5.500 e 7.500 (R$9.900 e 13.500). Mesmo assim, como gastam muitas horas entalhando as peças, o lucro é quase nenhum por enquanto.

Holloway já trabalhava com arte em madeira, abriu uma marcenaria para atender casas de alto luxo. Sabendo pouco de escultura, Hernandez, que tem excelente habilidade como desenhista, coloca no papel as ideias do parceiro de negócio.

A ideia de construir bicicletas de madeira foi de um amigo, que conhecia a paisão de Holloway por bicicletas e arte em madeira. Primeiro eles fazem um protótipo de madeira compensada, depois entalham a bicicleta. Em cada um destes trabalhos gastam cerca de 85 horas.

Veja, neste vídeo, parte do processo de produção:

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O quadro é feito de mogno, que garante força e flexibilidade. O acabamento é feito com óleo de pau-rosa brasileiro – o mesmo óleo que é a base do perfume Chanel nº 5 e outros.

Atenção: estima-se que, no Brasil, mais de 2 milhões de árvores pau-rosa tenham sido derrubados, sem o correspondente replantio, o que levou a árvore a ser incluída na lista de espécies ameaçadas :-(

Visite woodbicycle.com, ou clique em qualquer das iamgens acima, e veja a coleção de bicicletas, em dezenas de fotos em alta resolução. Para ver, admirar, babar, e ficar com vontade de pedalar uma obra de arte destas!

–::–

- com informações do jornal Santa Cruz Sentinel, por indicação da Flavia Nepomuceno, e do TreeHugger -

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Tecnologias antiquadas

06/12/2011 2 comentários

Não tenho luzes na minha bicicleta urbana.

Comprei um farol quando fiz minha primeira cicloviagem. Mais por precaução do que por ter programado pedalar à noite. Usamos apenas uma vez, no primeiro dia, quando meu irmão derrapou nas pedras e feriu, de leve, a perna. O farol serviu como lanterna.

Na segunda viagem, na Rota  da Maria Fumaça, precisei usar o farol pra valer. Foi uma decepção! A coisa iluminava poucos centímentros à frente do pneu da bicicleta. A noite completamente sem lua, num trecho repleto de caminhos e veredas, apenas o GPS nos salvou – e o latido dos cães nos indicando a proximidade das fazendas. Hoje o farol está guardado na gaveta. Inútil, quando precisei dele – além de usar 4 pilhas. Quatro!!

A primeira luz traseira, destas que piscam vermelho, caiu no chão quando desci o meio-fio e se espatifou toda - estes produtos sem qualidade made in…! A segunda luz gastou a pilha em poucos dias. Comprei pilhas palito recarregáveis. Era um tal de usar e recarregar que foi me dando preguiça, preguiça, até que me encheu o saco. Também está na… nem sei onde está aquela luz pisca-posca!

Mas ao ver este conjunto Blackburn no blog bikecommuters,  até que deu vontade de instalar na minha bicicleta. Sim, sobretudo pelo método como as luzes podem ser recarregadas: numa porta USB ou por um mini painel solar solar!!
Este é o farol:

e esta a luz pisca-pisca:

 (no saite só tem esta foto pequena mostrando a conexão na USB).

É obviamente um contrasenso ecológico ter que usar pilhas e mais pilhas para alimentar estas luzinhas. Sinceramente? Pegaram o caminho mais fácil e que retroalimenta a sociedade de consumo. Ter que comprar pilhas sempre!! se, ao pedalar, eu gero energia suficiente para várias luzinhas.

Além do tradicional dínamo, o que melhor seria do que paineis solares, que podem carregar baterias enquanto pedalo no sol ardente?

Ainda vai chegar o futuro, quando toda a bicicleta será coberta de finas placas voltaicas solares. Toda a roda será um dínamo, a energia será gerada pelo giro do aro junto a magnetos nos garfos. Pequenos cataventos ultraeficientes para gerar energia pelo vento que passa no guidão, na bicicleta toda, nos cabelos!

Mini usinas por momento angular, energia gerada por rotação, melhor conservação do trabalho dos pedais e pernas, a bicicleta tem mil e um caminhos para gerar a energia que ela própria precisa. Não, não falo das “bicicletas” elétricas, com suas baterias pesadas e caras – e fajutas, se forem de origem bric! Falo de energia elétrica para luzes traseiras e dianteiras na bicicleta, sineta, computadores de bordo, e aparelhos diversos, como celulares, GPS, câmeras fotográficas e diversos sensores. No futuro, haverá uma rede wifi, os carros serão finalmente reconhecidos como muito perigosos e terão diversos mecanismos para evitar acidentes hoje evitáveis se motoristas não fossem tão lesos. Sensores na bicicleta vão avisar os carros da proximidade de um bicicletista e a velocidade do automóvel será automaticamente diminuida, queira o motorista ou não. Melhor! caso o motorista insista, o alarme irritante do carro dispara dentro da cabine - bi bi bi bi bi bi bi - para acordar o motorista do torpor e do tédio que é dirigir. Em vez de o motorista buzinar, ele será buzinado!

Motoristas atropelam e matam porque outros valores são colocados acima da vida. Por trás de toda tecnologia, há uma moral e uma ética. Acredita-se que pessoas sejam capazes de governar máquinas muito mais fortes e rápidas do que elas. Mas não são. Muitas vezes os carros são usados como meio para expressar o que há de mais vil na natureza humana. A própria tecnologia deve dominar a tecnologia.  Mais do que supostas habilidades, valeriam as 3 leis da robótica.

Porém ainda estamos na época de tecnologias obsoletas como pilhas e motoristas. :-(

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Bicicletário roda-gigante

13/04/2011 2 comentários

Já imaginou um bicicletário instalado na parede lateral do seu prédio?

Ou naquele vão da ruela entre um prédio e outro no seu quarteirão?

Bike Hanger é a proposta que o escritório Manifesto Architecture, de Nova Iorque, criou para a cidade de Seoul.

Mas com certeza o conceito vale para qualquer grande cidade, onde a oferta de estacionamento para bicicletas é sempre insuficiente.

Além de ser feito de plástico e aço reciclados, o bicicletário é movido à força humana. Sim, nada de motores a combustão ou engenhocas elétricas automatizadas – como este famoso bicicletário japonês. Para ter acesso à sua bicicleta, o bicicletista precisa pedalar uma bicicleta estacionária, que aciona duas grandes rodas e uma correia dentada.

O suporte onde a bicicleta fica presa na roda-gigante é um braço articulado.

[clique nas imagens para vê-las em tamanho grande direto em ArchDaily.com]

Tal como as bicicletas que abriga, este projeto de bicicletário é de baixa manutenção, depende apenas da força humana para funcionar. E tem a vantagem de aproveitar os espaços inutilizados das cidades. Além disto, com estrutura e cobertura coloridas pode-se tornar uma instalação decorativa e ponto de referência nas ruas.

Em países de costumes e hábitos corrompidos, obviamente seria preciso uma preocupação a mais com a  segurança das bicicletas, para que o projeto não vire um parque de diversão para ladrões.

O que mais me chama a atenção, contudo, é que cada vez mais gente está pensando nas bicicletas como solução para as cidades. E muitas mentes criativas pensam em soluções amigáveis para as bicicletas nas cidades.

Veja mais imagens e informações sobre o bicicletário, como dimensão, preço estimado e outras pranchas técnicas em:

Minner , Kelly . “Bike Hanger / MANIFESTO” 07 Apr 2011. ArchDaily. Accessed 13 Apr 2011. <http://www.archdaily.com/125832>

Também aqui: Fastcodesign.com

De fato, fui levado a este passeio de roda-gigante pelo excelente saite Do The Green Thing

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Reciclando bicicletas

Read this in English

A bicicleta tem mais de 100 anos de existência e continua sendo algo inovador e desafiador.

Inova a partir do momento que tem sido relembrada como solução para problemas atuais e futuros, como o aquecimento global e o colapso do trânsito motorizado.

Mas ao mesmo tempo desafia, pois requer uma nova visão de mundo, de consumo e de hábitos individuais. Um novo Zeitgeist.

Nos quase 100 anos que ficou ofuscada pelos carros, a razão é simples: os carros se adaptam mais àquela visão hoje ultrapassada de um progresso infinito, um crescimento sem fim num planeta limitado.

Mas a bicicleta, como objeto fabricado, carrega consigo as mesmas questões de outros materiais da era industrial: o que fazer quando ela fica velha? o que fazer com pneus velhos, as câmaras de ar usadas e peças desgastadas?

A resposta mais óbvia é: mandar para a reciclagem. Tudo na bicicleta pode ser reciclado, o metal das peças e do quadro, as borrachas.

Mas há soluções ainda melhores. Em vez de reciclar, reusar!

Algumas pessoas (muito!) criativas estão empregando peças usadas de bicicletas para construir outros objetos. Peças de metal já são reutilizadas há certo tempo para fazer relógios, mesas, lustres, etc.

O reuso dos pneus, porém, é coisa ainda escassa.

Normalmente, os pneus não são recolhidos pela coleta de lixo comum. Se existe algum tipo de coleta seletiva com destino à reciclagem, está faltando a divulgação por parte do município. Algumas pessoas ficaram envergonhadas em me dizer o que faziam com os pneus. São deixados em calçadas a espera de algum interessado que os recolha. Caso isso não ocorra, são recortados, colocados em sacos de lixo e recolhidos pela coleta comum com destino ao aterro sanitário. Ou, depois de acumulados nos depósitos das oficinas por muito tempo, os pneus são QUEIMADOS! A falta de informação é tanta, que tem muita gente que nunca ouviu falar que dá pra reciclar e fazer asfalto!
Valesca Bender

Mas alguns idéias inovadoras já estão surgindo. A designer Valesca Bender criou uma cadeira a partir de pneus usados.

Ao apresentar seu conceito, Valesca disse:

A cadeira EcoHelp é com certeza um exemplo de sustentabilidade
(…)
O conceito foi baseado no título do concurso em analogia com a vida útil de um material e as partes com as quais ele se relaciona, ou seja, prolongar “a dança dos materiais” reaproveitando-os.
Um  produto desenvolvido com materiais reciclados integra uma cadeia de ajuda mútua que contribui para a preservação  do planeta e desenvolvimento social. O “troca-troca” que prolonga a vida útil dos materiais, envolve reaproveitamento, transformação e geração de menos lixo. Uma corrente do bem que educa e inspira as pessoas à mudança.

Por ser uma idéia inovadora e desafiadora – como a própria bicicleta – a cadeira ficou merecidamente em 1° lugar no Concurso da Escola de Design de Interiores e Artes Decorativas Criart

Valesca contou no seu myebook como teve o insight:  “Faltando três semanas para entrega das cadeiras para o concurso, o pneu da minha bicicleta furou! Chegando na oficina ciclista, me deparei com muitos pneus amontoados…. Meu pneu furado, foi um sinal. Um sinal de que podemos construir uma sociedade mais justa e sustentável. Mudar atitudes e fazer coisas belíssimas, reciclando os materiais e as idéias das pessoas. Eu tinha me desafiado a utilizar algo que realmente necessitasse ser reciclado e que pudesse ajudar a resolver um problema aqui da minha cidade. A cadeira foi desenhada no mesmo dia que o pneu furou.”

Num post futuro mostrarei outra excelente idéia para reuso dos pneus das bicicletas.

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A chair made out of recycled bicycle tires

The bicycle has more than 100 years of existence and continues to be something pioneering and challenging.
It’s innovative since has been elected as a solution to our current and future problems, global warming and motorized traffic collapsed.

It’s challenging because requires a new vision of world and individual habits. A new Zeitgeist.

But the bicycle, as manufactured object, put the same questions of other human artifacts: what to do with it when it gets older? what to do with old tires and worn parts?

The most obvious answer: recycle it.
But there are even better solutions. Rather than recycle, reuse!

Some creative people are employing used bicycle parts to build other objects. Metal parts are already being reused to make clocks, tables, lamps, etc.

Recycling tires, however, is still sparse.

Usually, tires are not collected by garbage collection service. Some people were embarrassed to tell me what they did with the tires. They are left on the sidewalk waiting for people that collect them. If not, the tires are cut, bagged and collected by the garbage service which bound them to the landfill. Or, after being piled up into deposits for a long time, the tires are BURNED! Many people still lack basic information on it and have never heard that tyres can be recycled into asphalt!
Valesca Bender

But some innovative ideas are already rising. Valesca Bender, a Brazilian designer, created a chair from used tires. She had an insight when she got a flat bicycle tire.

Talking about his concept, Valesca said:

The chair EcoHelp is certainly an example of sustainability
(…)
The concept was based on the title of the contest in analogy with the life of a material and the parts to which it relates, making “dance of material” last longer by reusing them.
A product developed from recycled materials is part of a chain of mutual aid that contributes to preserving the planet and social development. The “bartering” that extends the life of materials involves recycling, processing and generating less waste. A “pay it forward” mood that inspires people to change.

Being as innovative and challenging as bicycle itself, the chair was deservedly rewarded with the 1st place in the competition’s School of Interior Design and Decorative Arts Criart.

See Valesca Bender’s blog (in Portuguese)

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plantando árvores

Hoje plantei duas mudas de cedro.

fruto do cedro com sementes

Os frutos foram colhidos na Vila de Santa Bárbara, em Minas. Depois de secos, tirei as sementes e plantei na minha “incubadora de árvores”.

As mudas plantadas hoje estão com seis meses.
Depois conto toda a história, com várias fotos.

:-)

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Que marcas você quer deixar no planeta? Calcule sua Pegada Ecológica.

O absurdo de ser: árvore

21/09/2010 3 comentários

 

ipê rosa em Brasília (DF)

Hoje é o Dia da Árvore.

Para um mundo paranóico com velocidade, deslocamentos, direito de ir e vir, as árvores são um absurdo completo em sua imobilidade.
Ao ver uma árvore em toda sua plenitude, me pergunto: viver é se deslocar?

A tecnologia forjou máquinas que, enfim, conseguiram separar como entidades distintas o caminho a ser percorrido, a força de propulsão e o viajante. Neste sentido, sim, perdeu-se a noção do humano. Com um motor, qualquer distância é possível. Destrói-se o tempo. A velocidade é um desenraizamento da realidade. Tal como uma droga, a velocidade vicia e cria uma sensação de supra-realidade, de descasamento. É disto que se fala a propaganda de carros ao vender liberdade, porque não há limites para o motor. Libertar-se do mundo e da condição humana de ser limitado. A pé eu ando a 6km/h, de bicicleta vou a 15 ou 25 km/h. Mas com motor, posso ir a 20km/h ou a 140km/h e isto faz toda a diferença.

Pois acredita-se que cada nova tecnologia virá para superar as limitações do Ser Humano. A hipermodernidade forja espaços de transiência, de passagem apenas, que não criam significados suficientes para serem entendidos como lugares. Marc Augé criou o termo “non-lieux” para designar estes não-lugares. São locais de passagem, de velocidade. Supermercados, fast-foods e ruas.

Porém, as árvores são elas seu próprio lugar no mundo. Uma árvore é um lugar. Ela cria signos e referenciais. Tudo por ali passa e se identifica.

ipê rosa

ipê-bola rosa

ipê rosa - detalhe

flores-bola do ipê-bola

flores-bola do ipê-bola

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Em vez de fuzil, bicicleta

UOL Notícias - Fotos do Dia - 19/6/2010

O artigo abaixo fala de mudanças de paradigma. Assunto de um ou dois tomos atrás.
A bicicleta? Uma revolução está em andamento. Não se trata de luta pelo poder, política partidária, derrubada de sistemas políticos. Nem depende de programas de Governo ou políticas de Estado. Não é uma inversão da ordem, pois inverter é manter as estruturas, apenas mudando suas hierarquias. É uma transposição.
A bicicleta compara-se ao telescópio de Galileu. A revolução não se restringe ao instrumento. Há muito mais do que isto. Entretanto, uma vez que o transporte é parte fundamental da vida das pessoas e cidades, a bicicleta tem se tornado signo semiótico, e corporifica este novo lugar do sujeito no mundo, esta nova lógica, nova mundivisão.  Alguns papas ainda vão acender fogueiras. Milícias nos castelos vão defender o velho mundo. Haverá éditos reais em pergaminhos velhos. Deixe-os em sua sofreguidão da perda.
Bicicleta é weltanschauung.

As bicicletas e as políticas citadinas

Mais um ano de “quase” democracia. A farsa da política representativa já é tão sentida quanto os sorrisos de marketing da maioria dos candidatos ao pleito. A disputa pelo consenso leva a destruição de todo pensamento original. A ânsia pela aprovação conduz os candidatos a criar todo tipo de parafernália artificial e mentirosa que almeja a ludibriação explícita. A repetição dos jargões leva a ausência de toda reflexão crítica, mesmo quando a prática pareça exigir ao menos um grito de reprovação.

Nos últimos anos, no entanto, o imaginário urbano vem sendo tomado de assalto por ideias realmente revolucionárias. Há quem pense que as calçadas possam virar pomares, os terrenos baldios transformarem-se em hortas e o campo “invadir” a cidade; outros que afirmam, sem nenhuma ingenuidade, que cada comunidade pode e deve ser responsável pela gestão de seus próprios resíduos. Declaram ainda que o bairro da Caximba deve se tornar uma área de recuperação ambiental permanente.

Existe também uma série de “perturbadores” que desejam libertar o limitado espaço urbano da exagerada e degradante concentração de automóveis. Dizem, estes idealistas, que a cidade deve voltar a ser um espaço de convivialidade, que a dimensão humana das coisas deve ser resgatada.

Tais movimentos são pontuais, mas reclamam uma crítica generalizada. Buscam, na verdade, formas de atuação diretas. Desejam um ambiente de respeito genuíno ao ciclista. A bicicleta é considerada, por eles, um poderoso símbolo, capaz de transformar a imagem que temos de nós mesmos e da cidade como um todo. Optar pela bicicleta é, em nossa realidade atual, ir contra a corrente. Resistir às pressões das empresas automobilísticas, das empreiteiras, da especulação imobiliária e a todo um sistema que, como apontou Illich, pretende fazer do homem um consumidor passivo de mercadorias por toda a vida.

Há na escolha pela bicicleta, certamente, caminhos perigosos. Há o risco de redescobrir a vida mais autêntica. A brincadeira das crianças. O tempo livre do relógio. O prazer da autopropulsão. Há também o elogio da cidade invisível – aquela que somente quem anda e pedala conhece, pois está atento aos detalhes da microvida urbana. A bicicleta favorece o acesso à cidade e é dever do poder público levar isso em consideração.

Neste mês de setembro, que hoje se inicia, Curitiba é mais uma vez palco de ações de diversos desses grupos que visam mobilizar as consciências em uma transformação política efetiva. Atividades que provocam uma nova atenção, um novo olhar sobre a cidade. É o mês da bicicleta.

O fim do inverno anuncia uma realidade florida, permeada de sonhos e vislumbres de uma cidade onde o pé do pedestre seja a referência de saúde e vitalidade. Onde os ciclistas não precisem confrontar a ignorância e a rispidez da multidão motorizada.

Setembro é o mês da bicicleta. Que assim seja por muitas primaveras!

——

Por: Goura Nataraj, filósofo, membro do Coletivo Interlux, professor de sânscrito.
Publicado em 1/9/2010, no jornal Gazeta do Povo

Árvores e bicicleta

09/06/2010 1 comentário

Meu novo divertimento é sair de bicicleta pela cidade descobrindo árvores.

Paineira e seus frutos, em junho

Desde muito cedo sou fascinado por árvores. O que mais me espanta nelas é a vida inteira e intensa na imobilidade. A vida imóvel – ao contrário na nossa ânsia de andar, ir e vir.
Lembro agora que talvez o primeiro poema que escrevi na adolescência foi para duas árvores da fazenda do meu avô. Dois pés de eucalipto, que me lembraram as duas colunas do templo de Khalil Gibran ( O profeta, pág. 14, edição ACIGI, 1981).

Jorge, um amigo do trabalho, me ensinou a identificar algumas espécies. Pau-ferro, pau-de-balsa, cedro, mogno.
O mogno é uma árvore linda! “Na 209 sul tem algumas”, ele disse. Como a ignorância é uma coisa triste… passei por estes mognos anos a fio sem saber. Depois que conheci a árvore, já descobri outros, na 313 Sul, na 104 Sul, na tesoura da 110 norte. :-)

Fruto do pau-rei

Agora estou à procura da sapucaia que tem no eixão norte. Vou saber identificá-la?? De bicicleta posso ir bem perto, tocar as folhas, notar o detalhe dos troncos. De bicicleta a vida vai devagar como árvores crescendo.

OBS.: Livros são feitos de papel que é feito de celulose que é feito pelas árvores. Semana passada, ganhei de presente de aniversário o livro Árvores brasileiras. Agora, quando ando de bicicleta é um perigo de cair ou trombar, pois fico a olhar troncos e folhas e copas. Descobri-me morando em outra cidade!!…

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Categoriasárvores, ecologia
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