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Arquivo para a categoria ‘linques legais’

Mundo mágico dos livros

Um livro é um mundo mágico cheio de pequenos símbolos que podem ressuscitar os mortos e dar vida eterna aos vivos. É incrível, fantástico e “mágico” que as vinte e seis letras do alfabeto possam ser combinadas de tantas maneiras, que elas possam encher com livros estantes gigantescas, levando-nos para um mundo que nunca tem fim e nunca cessará de crescer e se expandir, enquanto na Terra existirem humanos.
(…)
De repente senti muita fome. Não de comida, mas de todas as palavras escondidas naquelas estantes. Mas eu sabia que, por mais que eu lesse durante toda a minha vida, nunca conseguiria ler um milésimo de todas as frases que já foram escritas. Sim, pois há tantas frases no mundo quanto há estrelas no céu. E elas se multiplicam e se expandem continuamente, como o espaço infinito.
Mas ao mesmo tempo eu sabia que, a cada vez que eu abrisse um livro, eu veria um pedacinho desse céu. Sempre que lesse uma frase, saberia um pouco mais do que antes. E tudo o que leio faz o mundo ficar maior, ficando maior eu também. Por um momento, eu contemplei o fantástico, o mágico mundo dos livros.

Jostein Gaarder e Klaus Hagerup, A biblioteca mágica de Bibbi Bokken, pág. 148

“The Bookworm” (1850), de Carl Spitzweg

biblioteca de bicicletas

24/08/2011 2 comentários

A maioria de nós conhece bibliotecas que emprestam livros. Mas você conhece uma biblioteca que empresta bicicletas? uma bicicleteca**?

Existe, sim, e fica em Londres.

O conceito inovador consiste em uma coleção de bicicletas à disposição para você escolher um modelo e dar uma volta experimental.

Quem precisar de ajuda para escolher, pode pedir  conselhos aos “bibliotecários” especializados em tudo que diz respeito a bicicletas.

Existem sete tipos de bicicletas à escolha:

• dobrável
MiniVelo (bicicleta compacta aro 20 para adultos)
• fixa/single speed
• feminina, com freio contrapedal
• masculina, com freio contrapedal
• cargueira
• elétrica

o que torna mais fácil encontrar um modelo adequado – ou testar aquela bicicleta que você nunca pensou em ter uma!
Uma vez que feita sua escolha, você pode pegar a bicicleta emprestada por alguns dias, pagando uma pequena taxa. Depois disto, se você testou, gostou e decidiu que gostaria de ter a bicicleta  permanentemente, você pode comprá-la diretamente do fabricante, ali mesmo na bicicleteca**.

A biblioteca fica dentro de um daqueles típicos ônibus londrinos de dois andares, que foi convertido e adaptado.

No térreo fica a coleção de bicicletas emprestáveis e uma lojinha com roupas e acessórios. O segundo andar é uma área de estar, com uma coleção de livros (afinal é uma biblioteca!), livros sobre bicicletas, claro.

A ideia “pegue emprestado e se gostar compre” não é nova. Algumas empresas fazem isto, como a Foffa Bikes, por exemplo. Mas é preciso reconhecer o talento criativo de fazer nos moldes de uma biblioteca, e dentro de um ônibus de dois andares!

Vi a notícia no blog London Cyclist.
Com outras informações do Inhabitat.com e do psfk.com 

Mais fotos, como esta:

no blog Help! My chain came off..

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**Uma questão linguística: para usar corretamente os sufixos e prefixos na morfologia das palavras, esta biblioteca de bicicletas deveria se chamar bicicloteca ou bicicleteca = biciclo + teca, bicicle + teca, assim como temos gibiteca, videoteca, mapoteca, etc. Aquelas bicicletas que carregam bibliotecas ambulantes melhor seriam chamadas bibliocicletas. Contudo, bicicloteca já caiu na boca do povo. Desta forma, só fica como opção chamar esta ideia inovadora mostrada aqui de bicicleteca!

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Bicicletas no Pólo Sul

28/06/2011 4 comentários

Read this in English

Havia apenas um único lugar no mundo onde eu pensei que era impossível andar de bicicleta: no Pólo Sul.

Mas, ao chegar na página 81 do livro A incrível viagem de Shackleton, encontrei este trecho que se refere a Thomas Orde-Lees, o almoxarife:

Certo dia, durante a parte mais escura do inverno, quando o Endurance ainda estava bloqueado pelo gelo, encontrou uma bicicleta no porão do navio e saiu para dar um passeio pelas banquisas congeladas.

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Lansing, Alfred. A incrível viagem de Shackleton : a saga do Endurance. Tradução Sérgio Flaksman. 2ª ed. Rio : José Olympio, 1989. (coleção Ventos e Aventuras, 2).

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..

 

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Uma bicicleta na Antártida? Em 1915?

Fiquei ao mesmo tempo espantado e curioso e fui pesquisar. Na verdade, a bicicleta não “foi encontrada no porão”. Orde-Lees era apaixonado por atividades físicas e conseguiu permissão de Sir Ernest Shackleton para levar uma bicicleta naquela que seria uma das mais fantásticas aventuras humanas. A bicicleta foi deliberadamente colocada no navio Endurance e levada para o Pólo Sul. E aquele não foi o único passseio. Nos meses que passaram presos no gelo, era hábito de Orde-Lees andar de bicicleta, até que um dia ele foi longe demais e se perdeu. Seus companheiros tiveram que procurá-lo e, deste dia em diante, foi proibido por Shackleton de andar de bicicleta na imensidão branca.

Quando o navio foi destruído pelo gelo e naufragou, levando junto com ele quase todos os pertences pessoais dos tripulantes, Orde-Lees escreveu no seu diário, em 30 de outubro:

my greatest sentimental loss was my dear old bicycle which I have had for 16 years, the best Rudge-Whitworth that ever lived…

minha maior perda sentimental foi minha velha e querida bicicleta que tive por 16 anos, a melhor Rudge-Whitworth que já exisitiu….

fonte: livro Shackleton’s Photographer

Não encontrei foto da bicicleta de Orde-Lees, mas no Museu Virtual da Bicicleta há toda uma seção para as “melhores bicicletas britânicas”, como anuncia este catálogo de 1906:

Pela internet, tive outra surpresa: Thomas Orde-Lees não foi o primeiro a pedalar no Pólo Sul! Havia uma bicicleta na expedição Terra Nova, comandada pelo Capitão Robert Falcon Scott, em 1910. Entre os tripulantes estava o geólogo Thomas Griffith Taylor, ”um ciclista apaixonado” como é descrito em alguns textos. Antes de entrar para a expedição, ele estudou em Cambridge, onde a bicicleta é um meio de transporte muito popular entre os estudantes. Isto explica sua paixão.

A bicicleta foi doada para a expedição por uma firma neozelandesa. Além dela, alguns veículos levados pelo capitão Scott eram carretilhas feitas com 4 rodas de bicicleta. Nesta foto é possível ver um par de rodas:

E este trenó fantástico, com rodas de bicicleta??

Uma roda de bicicleta também era usada num mecanismo para medir a distância percorrida

A bicicleta que Thomas Griffith Taylor pedalava no Pólo Sul resiste até nossos dias. Passou um tempo à mostra na parede da cabana da expedição do Capitão Scott, cabana que está mantida e preservada em mínimos detalhes.

Esta foto, encontrada aqui, é de 2002.

A bicicleta agora está sendo cuidada dentro do Antarctic Heritage Trust (AHT), conforme mostra esta foto:

blog Stories that are true

O blog não diz, mas a informação de que é a mesma bicicleta que estava na cabana me foi confirmada, por email, pelo pessoal do AHT.

Thomas Orde-Lees e Thomas Griffith Taylor não tinham em comum apenas o primeiro nome. Eram homens que realmente estavam à frente de seu tempo. No relato de viagem The Ice Cave Tour, escrito em 2001, após verem pendurada na parede da cabana aquela que foi a primeira bicicleta na Antártida, espantam-se e comentam: “quase 100 anos depois nós vemos pessoas pedalando mountainbikes pelos caminhos da Estação McMurdo”.

Hoje,  como afirma este artigo da ESPN, existem bicicletas comunitárias na Ilha de Ross, mostradas na foto acima.

E ainda chegam pessoas até mim e perguntam: como você faz pra pedalar quando está chovendo? e quando está calor? Pode-se ver que, quando há desejo e vontade e uma certeza de que bicicletas trazem mais vantagens do que empecilhos, clima não é obstáculo.

Os obstáculos são internos, ou internalizados.
Ao ser medida do meu corpo e de minhas potencialidades e força de vontade, muitas vezes a bicicleta coloca-me em frente a mim mesmo, como um espelho. Estamos prontos o suficiente para vermos o quanto fracos, preguiçosos ou autocomplacentes somos?

Na pior parte da viagem, quando o futuro era incerto e os acontecimentos tinham levado todos àquela situação angustiante e sombria, Orde-Lees escreveu:

No one… knows what it means to me to have a bicycle and a place to ride it, however rough and heavy the going.

Ninguém… sabe o que significa para mim ter uma bicicleta e um lugar para pedalar, por mais que sejam duros e ásperos os dias

T. H. Orde-Lees (diário pessoal, registro em 11 de março de 1915)
citação encontrada aqui

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Leia mais:

The Voyages of Captain Scott, de Charles Turley – livro online no Projeto Gutenberg
- Antarctic Conservation Blog - National History Museum

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Bicycles at The South Pole

There was only one place in the world where I thought it was impossible to ride a bicycle: the South Pole

But when I read the Alfred Lansing’s book Endurance: Shackleton’s Incredible Voyage, I found this passage that refers to Thomas Orde-Lees, the storekeeper:

“One day, during the darkest part of winter, when the Endurance was still blocked by ice, he found a bike in the basement of the ship and went out for a ride through the frozen ice floes.”

In fact, the bicycle was not “found in the basement.” Orde-Lees was passionate about physical activity and got permission from Sir Ernest Shackleton to take a bicycle, which was deliberately boarded on the Endurance. And that was not the only ride. In the months spent trapped in the ice, Orde-Lees ride his bicycle as a routine, until one day he went too far and got lost. His companions had to look it up and after that Shackelton forbad him to ride the bicycle.

When the ship was destroyed by ice and sank, Orde-Lees wrote in his diary on October 30:

“my greatest sentimental loss was my dear old bicycle which I have had for 16 years, the best Rudge-Whitworth that ever lived… “
source: book Shackleton’s Photographer

See Rudge-Withworth model at The Online Bicycle Museum.

Reading a bit more, I had another surprise: Thomas Orde-Lees was not the first man to ride a bicycle at the South Pole! There was a bike in the Terra Nova expedition, commanded by Captain Robert Falcon Scott in 1910. Among the crew was the geologist Thomas Griffith Taylor, “a passionate cyclist” as described somewhere. Before joining the Scott’s expedition he studied in Cambridge where bicycle is a very popular form of transport.

The bicycle was donated to the expedition by a Neo Zealand firm. Besides that, some carts taken by Captain Scott were made with four bicycle wheels. In photos above you can see two wheels of one of those carts, an awesome sled with bicycle wheels and a bicycle wheel as a mechanism to measure the distance walked.

Thomas Griffith Taylor’s bicycle was hanged on Scott’s Hut wall. But now the bicycle is inside Antarctic Heritage Trust (AHT) lab.

Thomas Orde-Lees and Thomas Griffith Taylor had in common not only the first name. They were in fact men ahead of their time. Almost 100 years later people ride bicycles at McMurdo Station. Today there are public bicycles in Antarctica.

And in spite of it all, people come up to me and pose: how do you go cycling when it’s raining? and when it is hot? One can see that when there is desire and will and we know that bicycles bring more advantages than drawbacks, weather is no obstacle.

Obstacles are inner or internalized. Self-imposed barriers.
Being a measure of my body, my capabilities and strength of will, the bicycle puts me in front of myself as a mirror. Are we ready enough to see how weak we are, or lazy or self-complacent?

In the worst part of the journey, when the future was uncertain and the events had taken all together to that distressing and gloomy situation, Orde-Lees wrote:

“No one… knows what it means to me to have a bicycle and a place to ride it, however rough and heavy the going” (quote found here)

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A bicicleta do heroi

07/04/2011 2 comentários

Você não precisa ter superpoderes para andar de bicicleta… corpo de aço, visão de raio X, garras, capacete, espada, nada disto.

Porque a bicicleta nos dá superpoderes ciclísticos! Força, rapidez, elasticidade dos músculos e até invisibilidade (nem motoristas nem governantes nem órgãos de trânsito conseguem nos ver! :-) ) Conhecemos cada cantinho e cada segredo da cidade. As flores das alamedas e os excrementos dos becos.

Mas qual seria a bicicleta preferida dos superherois mitológicos?

O cartunista Mike Joos responde isto com uma série de desenhos bem criativos.

- visto primeiro no Greenvana -

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Praça das bicicletas

31/03/2011 2 comentários

Uma foto incrível de uma praça histórica de uma bela cidade repleta de veículos incríveis!!

Clique para ver, siga as instruções e use os controles, semelhantes aos do Google maps, ou brinque com o ponteiro do mouse:

A foto faz parte do saite 360Cities.net, que hospeda fotos de altíssima resolução, panorâmicas e imersivas (esta tecnologia é uma das 17 maravilhas do mundo digital!)

O fotógrafo é Jook Leung – este que está de casaco marrom em primeiro plano.

A Praça Dam fica na capital da Holanda. Nela estão o Palácio Real, uma igreja gótica do século XV, o Museu de cera de Madame Tussaud e outros prédios históricos, além do monumento nacional às vítimas da 2ª Guerra. O nome da praça vem de um dique construído ali em 1270. A palavra dam é dique, ou represa, desde o inglês e o holandês medievais. E Amsterdam, nome da cidade, origina-se do “dique no Rio Amstel”.

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Amazing photo of a historical square of a beautiful city plenty of amazing vehicles!

Sem capacete sem nada

07/09/2010 1 comentário

Com ou sem? …
Capacete é acessório. Como meia de lã, protetor solar e vidro blindado.
Pense numa mulher pedalando morro abaixo uma ladeira matadora.

Clique na imagem (com linque ativo para a página lelombrik.net). Espere carregar, depois clique em “PLAY” que está… num lugar estratégico. Quando a ladeira acabar, escolha uma das palavras e assista.

Depois responda: foi falta de capacete ou de sutiã? :-D

ATENÇÃO: embora seja desenho animado, contém cenas fortes que podem afetar pessoas sensíveis. Se for seu caso, não prossiga.

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Cidade das bicicletas

Copenhague, capital dinamarquesa onde está ocorrendo o Velo City,  foi eleita pela União Internacional de Ciclismo (UCI) a primeira city bike no mundo. Quer isto dizer que Copenhague está a caminhar para ser a melhor cidade do mundo para andar de bicicleta. A meta é chegar a 2015 com metade dos habitantes a utilizar a bicicleta como o principal meio de transporte.
Descobri este vídeo da TVNet-Sapo, que é curtinho – e eu gosto muito do sotaque!

Esponja de Menger

Sistemas simples comportam-se de maneiras simples.
O comportamento complexo subentende causas complexas.
Sistemas diferentes comportam-se de maneira diferente.

Hoje, tudo isso mudou. Nos 20 anos decorridos desde então, os físicos, matemáticos, biólogos e astrônomos criaram uma serie de idéias alternativas. Sistemas simples dão origem a comportamento complexo. Sistemas complexos dão origem a comportamento simples. E, o que é mais importante, as leis da complexidade têm validade universal, sem levar em conta os detalhes dos átomos constituintes do sistema.

Um número cada vez maior de cientistas compreendeu que o caos oferecia uma nova maneira de tratar dados antigos, esquecidos nas gavetas porque eram demasiado irregulares. Um número cada vez maior compreendia que a compartimentalização da ciência era um obstáculo ao seu trabalho. Um número cada vez maior sentiu a inutilidade de estudar as partes isoladas do todo. Para eles, o caso foi o fim do programa reducionista na ciência.

James Gleick. Caos, pág. 291-292

Leis e conceitos da ciência geralmente são usados como metáforas para comportamentos humanos. Estes seriam mensuráveis, entrópicos  e, sobretudo, ordenados ou passíveis de ordenação. Esta tendência tornou-se quase dogmas com o avanço e os resultados do método científico cartesiano. Políticas, sociologias e psicologias fundamentam-se neste raciocínio linear. Mas em nosso mundo floresce a complexidade. Parte da ciência já reconhece isto. Quando chegará no senso comum?

A esponja de Menger é um forma geométrica de aparência sólida, que tem superfície infinita e, apesar disto, volume zero. Como pode o infinito caber no finito, ou no vazio? Então, é este o significado da vida eterna: ela cabe num segundo.

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Coleções de bibliotecas

Recebi no boletim da CPC-USP:

O WorldCat Digital Collection Gateway  é um catálogo global aberto que contribui para a visibilidade das coleções das bibliotecas na Web. As coleções bibliográficas digitais de mais de 10 mil bibliotecas de todo o mundo estão acessíveis aos pesquisadores.
http://www.worldcat.org

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Bibliotecas

Dois ótimos lugares para buscar papéis de parede:
http://www.caedes.net/
e
http://www.vladstudio.com/pt/home/

Atualmente estou usando este:

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