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A geografia do Guia 4 Rodas

09/02/2012 3 comentários

Nota zero em geografia mineira!

“]

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O Guia 4 Rodas, edição 2012, trouxe em suas páginas 84-85, seção Roteiros de Viagem, um absurdo!

Colocou no roteiro “Norte de Minas Gerais”, a capital, BH, e cidades do centro do Estado, como Sabará, Lagoa Santa, Cordisburgo. O máximo ao norte que chegou foi Diamantina, justamente onde o norte de Minas começa

O mapa mostrado pelo Guia 4 Rodas e as atrações turísticas indicadas não estão no Norte de Minas! Muito menos a foto da Igreja de São Francisco de Assis, na Pampulha :-(

O vacilo foi bom por um lado, pois mostra a força que o sertão mineiro exerce, a ponto de gerar atos falhos graves como este. E deve ter deixado os mineiros da capital um bocadim brabos :-)

Por outro lado é ruim, pois o Guia 4 Rodas ignora sistematicamente as atrações turísticas do Norte de Minas. Exceto algumas edições que mostraram Salinas como a “capital nacional da cachaça”, o Guia 4 Rodas deconhece a Serra Resplandecente de Fernão Dias, em Itacambira*; o vau de Serranópolis; a igreja de pedra e as construções históricas de Grão Mogol*; as praias de Pirapora; as cavernas do Peruaçu, e Januária; as casas enfileiradas de Pedra Azul; as festas de agosto com Mestre Zanza e Manuel Sapateiro (in memoriam), o Barreiro da Raiz, e quanto tudo mais.

O Norte de Minas é um mundo, vasto mundo, e não só um retrato na parede!

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Nem é pra começar uma Guerra dos Emboabas, mas se os paulistas do Guia 4 Rodas pedalassem e fizessem excursão semelhante à viagem de bicicleta (*veja fotos) que fiz com meus irmãos, eles conheceriam pelo menos um pouquinho do Norte de Minas, o tanto suficiente pra não cometer aquele erro bobo. ;-P

Bicicletas no Pólo Sul

28/06/2011 4 comentários

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Havia apenas um único lugar no mundo onde eu pensei que era impossível andar de bicicleta: no Pólo Sul.

Mas, ao chegar na página 81 do livro A incrível viagem de Shackleton, encontrei este trecho que se refere a Thomas Orde-Lees, o almoxarife:

Certo dia, durante a parte mais escura do inverno, quando o Endurance ainda estava bloqueado pelo gelo, encontrou uma bicicleta no porão do navio e saiu para dar um passeio pelas banquisas congeladas.

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Lansing, Alfred. A incrível viagem de Shackleton : a saga do Endurance. Tradução Sérgio Flaksman. 2ª ed. Rio : José Olympio, 1989. (coleção Ventos e Aventuras, 2).

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Uma bicicleta na Antártida? Em 1915?

Fiquei ao mesmo tempo espantado e curioso e fui pesquisar. Na verdade, a bicicleta não “foi encontrada no porão”. Orde-Lees era apaixonado por atividades físicas e conseguiu permissão de Sir Ernest Shackleton para levar uma bicicleta naquela que seria uma das mais fantásticas aventuras humanas. A bicicleta foi deliberadamente colocada no navio Endurance e levada para o Pólo Sul. E aquele não foi o único passseio. Nos meses que passaram presos no gelo, era hábito de Orde-Lees andar de bicicleta, até que um dia ele foi longe demais e se perdeu. Seus companheiros tiveram que procurá-lo e, deste dia em diante, foi proibido por Shackleton de andar de bicicleta na imensidão branca.

Quando o navio foi destruído pelo gelo e naufragou, levando junto com ele quase todos os pertences pessoais dos tripulantes, Orde-Lees escreveu no seu diário, em 30 de outubro:

my greatest sentimental loss was my dear old bicycle which I have had for 16 years, the best Rudge-Whitworth that ever lived…

minha maior perda sentimental foi minha velha e querida bicicleta que tive por 16 anos, a melhor Rudge-Whitworth que já exisitiu….

fonte: livro Shackleton’s Photographer

Não encontrei foto da bicicleta de Orde-Lees, mas no Museu Virtual da Bicicleta há toda uma seção para as “melhores bicicletas britânicas”, como anuncia este catálogo de 1906:

Pela internet, tive outra surpresa: Thomas Orde-Lees não foi o primeiro a pedalar no Pólo Sul! Havia uma bicicleta na expedição Terra Nova, comandada pelo Capitão Robert Falcon Scott, em 1910. Entre os tripulantes estava o geólogo Thomas Griffith Taylor, ”um ciclista apaixonado” como é descrito em alguns textos. Antes de entrar para a expedição, ele estudou em Cambridge, onde a bicicleta é um meio de transporte muito popular entre os estudantes. Isto explica sua paixão.

A bicicleta foi doada para a expedição por uma firma neozelandesa. Além dela, alguns veículos levados pelo capitão Scott eram carretilhas feitas com 4 rodas de bicicleta. Nesta foto é possível ver um par de rodas:

E este trenó fantástico, com rodas de bicicleta??

Uma roda de bicicleta também era usada num mecanismo para medir a distância percorrida

A bicicleta que Thomas Griffith Taylor pedalava no Pólo Sul resiste até nossos dias. Passou um tempo à mostra na parede da cabana da expedição do Capitão Scott, cabana que está mantida e preservada em mínimos detalhes.

Esta foto, encontrada aqui, é de 2002.

A bicicleta agora está sendo cuidada dentro do Antarctic Heritage Trust (AHT), conforme mostra esta foto:

blog Stories that are true

O blog não diz, mas a informação de que é a mesma bicicleta que estava na cabana me foi confirmada, por email, pelo pessoal do AHT.

Thomas Orde-Lees e Thomas Griffith Taylor não tinham em comum apenas o primeiro nome. Eram homens que realmente estavam à frente de seu tempo. No relato de viagem The Ice Cave Tour, escrito em 2001, após verem pendurada na parede da cabana aquela que foi a primeira bicicleta na Antártida, espantam-se e comentam: “quase 100 anos depois nós vemos pessoas pedalando mountainbikes pelos caminhos da Estação McMurdo”.

Hoje,  como afirma este artigo da ESPN, existem bicicletas comunitárias na Ilha de Ross, mostradas na foto acima.

E ainda chegam pessoas até mim e perguntam: como você faz pra pedalar quando está chovendo? e quando está calor? Pode-se ver que, quando há desejo e vontade e uma certeza de que bicicletas trazem mais vantagens do que empecilhos, clima não é obstáculo.

Os obstáculos são internos, ou internalizados.
Ao ser medida do meu corpo e de minhas potencialidades e força de vontade, muitas vezes a bicicleta coloca-me em frente a mim mesmo, como um espelho. Estamos prontos o suficiente para vermos o quanto fracos, preguiçosos ou autocomplacentes somos?

Na pior parte da viagem, quando o futuro era incerto e os acontecimentos tinham levado todos àquela situação angustiante e sombria, Orde-Lees escreveu:

No one… knows what it means to me to have a bicycle and a place to ride it, however rough and heavy the going.

Ninguém… sabe o que significa para mim ter uma bicicleta e um lugar para pedalar, por mais que sejam duros e ásperos os dias

T. H. Orde-Lees (diário pessoal, registro em 11 de março de 1915)
citação encontrada aqui

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Leia mais:

The Voyages of Captain Scott, de Charles Turley – livro online no Projeto Gutenberg
- Antarctic Conservation Blog - National History Museum

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Bicycles at The South Pole

There was only one place in the world where I thought it was impossible to ride a bicycle: the South Pole

But when I read the Alfred Lansing’s book Endurance: Shackleton’s Incredible Voyage, I found this passage that refers to Thomas Orde-Lees, the storekeeper:

“One day, during the darkest part of winter, when the Endurance was still blocked by ice, he found a bike in the basement of the ship and went out for a ride through the frozen ice floes.”

In fact, the bicycle was not “found in the basement.” Orde-Lees was passionate about physical activity and got permission from Sir Ernest Shackleton to take a bicycle, which was deliberately boarded on the Endurance. And that was not the only ride. In the months spent trapped in the ice, Orde-Lees ride his bicycle as a routine, until one day he went too far and got lost. His companions had to look it up and after that Shackelton forbad him to ride the bicycle.

When the ship was destroyed by ice and sank, Orde-Lees wrote in his diary on October 30:

“my greatest sentimental loss was my dear old bicycle which I have had for 16 years, the best Rudge-Whitworth that ever lived… “
source: book Shackleton’s Photographer

See Rudge-Withworth model at The Online Bicycle Museum.

Reading a bit more, I had another surprise: Thomas Orde-Lees was not the first man to ride a bicycle at the South Pole! There was a bike in the Terra Nova expedition, commanded by Captain Robert Falcon Scott in 1910. Among the crew was the geologist Thomas Griffith Taylor, “a passionate cyclist” as described somewhere. Before joining the Scott’s expedition he studied in Cambridge where bicycle is a very popular form of transport.

The bicycle was donated to the expedition by a Neo Zealand firm. Besides that, some carts taken by Captain Scott were made with four bicycle wheels. In photos above you can see two wheels of one of those carts, an awesome sled with bicycle wheels and a bicycle wheel as a mechanism to measure the distance walked.

Thomas Griffith Taylor’s bicycle was hanged on Scott’s Hut wall. But now the bicycle is inside Antarctic Heritage Trust (AHT) lab.

Thomas Orde-Lees and Thomas Griffith Taylor had in common not only the first name. They were in fact men ahead of their time. Almost 100 years later people ride bicycles at McMurdo Station. Today there are public bicycles in Antarctica.

And in spite of it all, people come up to me and pose: how do you go cycling when it’s raining? and when it is hot? One can see that when there is desire and will and we know that bicycles bring more advantages than drawbacks, weather is no obstacle.

Obstacles are inner or internalized. Self-imposed barriers.
Being a measure of my body, my capabilities and strength of will, the bicycle puts me in front of myself as a mirror. Are we ready enough to see how weak we are, or lazy or self-complacent?

In the worst part of the journey, when the future was uncertain and the events had taken all together to that distressing and gloomy situation, Orde-Lees wrote:

“No one… knows what it means to me to have a bicycle and a place to ride it, however rough and heavy the going” (quote found here)

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Porque gosto de montanhas

livro

Havia solidão também, quando o sol se punha, porém agora as dúvidas me assaltavam cada vez menos. Aí comecei a sentir, aos poucos, que minha vida toda ficara lá atrás. Assim que chegasse à montanha eu sabia (ou pelo menos esperava) que essa sensação cederia lugar a uma absorção total na tarefa que teria pela frente. Contudo, em certas horas eu me perguntava se não teria vindo assim tão longe só para descobrir que aquilo que estava de fato procurando era algo que eu havia deixado para trás.

Thomas F. Hornbein, Everest: the west ridge, citado em: No ar rarefeito, Jon Krakauer, Cia. de Bolso, 2006. pág. 50

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Escalando montanhas

12/02/2011 6 comentários

Nas férias de janeiro li o livro No ar rarefeito, de Jon Krakauer, como quem desce montanha abaixo.

Uma página depois da outra, não era possível parar. Fui rolando como se tivesse caído nas grotas profundas do livro aberto.

Talvez as páginas não fossem um glaciar, mas com certeza carregavam bactérias das altas montanhas. Para quem tem o sangue Minas Gerais nas veias, nem havia anticorpos… Quando terminei a leitura, já tinha as mãos congeladas e um desafio: escalar o Everest? Claro que não! Mas gradativamente escalar montanhas até ultrapassar os 3 mil metros de altitude, se possível 4 mil. Um desafio estilo “coisas que quero fazer antes de morrer”.

Montanhas que possam ser atingidas sem conhecimentos profissionais de alpinistas. Picos que possam ser escalados apenas fazendo trekking. Já estão na minha lista as pedras de Monte Verde ou o Pico da Bandeira.

Ali terei ultrapassado os 2 mil metros. Depois algum pico acima de 2.500 metros. Quem sabe o Zugspitze?

Em seguida, uma montanha que esteja a mais de 3 mil metros. O Monte Fuji? algum nos Andes?

Você conhece alguma lista de montanhas acima de 2 mil metros que possam ser escaladas apenas caminhando??
Deixe a dica nos comentários. Agradeço :-) !!

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After reading Into thin air book, I’ve decided not to climb the Everest but to hike mountains over 2000m. But only gentle hikes, I’m not a professional… This is a kind of “thing that I like to do before I die” list. Which mountains over 2000m can I summit without equipments like axe, cords or descender?

Bicicletas em Ubatuba

31/01/2011 4 comentários

A cidade tem muitas bicicletas nas ruas e uma infraestrutura cicloviária razoável.

Na verdade, mínima, mas em comparação com as demais cidades do brasil, destaca-se. Houve um tempo que a prefeitura investiu nas bicicletas, e fez até um vídeo promocional, disponível no saite da Transporte Ativo.

Foi o primeiro local em que vi uma ciclofaixa estilo Copenhague – a faixa fica entre o meio-fio e a linha de carros estacionados.

Andei bem pouco pela cidade – estava de férias curtindo o mar. Em frente à praia das Toninhas, onde estávamos hospedados, um trecho inacabado de ciclovia, abandonada (fico devendo fotos… férias, né… :-) ). E muitos ciclistas pedalando no acostamento da Rio-Santos, ao lado. Se há um projeto de integração de rotas e construção de uma rede cicloviária, ainda não é possível vê-la nas ruas.

Fico pensando: nestes locais onde as ciclovias e ciclofaixas já mostraram seu valor, falta o quê para continuar? apenas dinheiro? ou planejamento de longo prazo?

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Categoriasbicicleta, viagem

Zoom em Ubatuba

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Ubatuba is one of the Brazilian cities where there is a massive use of bicycles. And there are some bicycles facilities – most of Brazilian cities don’t have. Ubatuba is also known as a great surf spot. That’s why bicycle lane signs are shaped on surfboard style.
Portuguese word “Ciclofaixa” stands for “bicycle lane”.

Hotel Fazenda Mazzaropi

29/01/2011 1 comentário

Eleito o melhor do Brasil, é o paraíso para crianças de todas as idades.
A comida é excelente, a equipe de animação não tem igual.

O hotel tem bicicletas para alugar

que ficam num bicicletário bem arrumadinho.

O espaço dentro do hotel garante boas pedaladas e há avisos de segurança por toda parte.

Antiga fazenda e set de filmagem de Amâncio Mazzaropi, os mascotes usados nas placas e decorações são da turma do Mazzinha. Gosto particularmente desta placa com a mamae-cocá no meio da pista – há cocás de verdade por lá!

Fica em Taubaté, terra do Sítio do Picapau Amarelo, e de vez em quando o Saci aparece por lá fazendo suas artes…

 

Foram ótimas as férias, pelo segundo ano consecutivo :-)

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