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Arquivo para a categoria ‘vida de biciclista’

Esta revolução é uma mentira

28/05/2012 8 comentários

Video I was a teenager anarchist da banda Against Me!
Assista antes e depois responda à pergunta.

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[tem muito político por aí apregoando a revolução das ciclovias, das bicicletas, da "mobilidade sustentável", o que seja. Deputado, assessor, governador, prefeito. E muito ciclista-de-final-de-semana também. A letra da música é um requiem para todos eles, principalmente o que se diz em 2:24!!]

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Pergunta: quantas bicicletas você viu no vídeo?

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Árvores em bicicletas

11/04/2012 4 comentários

Em geral somos surpeendentemente conservadores quando pensamos no material de que as coisas são feitas. Um armário feito de peças de bicicleta? Seria estranho…

E uma bicicleta feita de um armário? Mais estranho ainda?

Pois é isto que faz a dupla Bill Holloway e Mauro Hernandez, de San Jose, Califórnia (EUA). Donos da empresa Masterworks Wood and Design, eles já esculpiram 10 bicicletas de madeira, todas cruisers ou praieiras.

O verbo é este mesmo: esculpiram. As bicicletas são verdadeiras obras de arte

como bem diz o slogan que eles adotaram para o negócio: Art you can ride (Arte que você pedala).

Eles passam horas em busca dos mais belos móveis usados para reaproveitar a madeira. Uma belíssima aplicação do segundo princípio dos “3Rs”, reduza, reuse, recicle. Também aproveitam árvores urbanas condenadas, uma forma de salvá-las, de lhes dar nova vida e reescrever sua história.

As bicicletas custam entre US$ 5.500 e 7.500 (R$9.900 e 13.500). Mesmo assim, como gastam muitas horas entalhando as peças, o lucro é quase nenhum por enquanto.

Holloway já trabalhava com arte em madeira, abriu uma marcenaria para atender casas de alto luxo. Sabendo pouco de escultura, Hernandez, que tem excelente habilidade como desenhista, coloca no papel as ideias do parceiro de negócio.

A ideia de construir bicicletas de madeira foi de um amigo, que conhecia a paisão de Holloway por bicicletas e arte em madeira. Primeiro eles fazem um protótipo de madeira compensada, depois entalham a bicicleta. Em cada um destes trabalhos gastam cerca de 85 horas.

Veja, neste vídeo, parte do processo de produção:

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O quadro é feito de mogno, que garante força e flexibilidade. O acabamento é feito com óleo de pau-rosa brasileiro – o mesmo óleo que é a base do perfume Chanel nº 5 e outros.

Atenção: estima-se que, no Brasil, mais de 2 milhões de árvores pau-rosa tenham sido derrubados, sem o correspondente replantio, o que levou a árvore a ser incluída na lista de espécies ameaçadas :-(

Visite woodbicycle.com, ou clique em qualquer das iamgens acima, e veja a coleção de bicicletas, em dezenas de fotos em alta resolução. Para ver, admirar, babar, e ficar com vontade de pedalar uma obra de arte destas!

–::–

- com informações do jornal Santa Cruz Sentinel, por indicação da Flavia Nepomuceno, e do TreeHugger -

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Combatendo a ruína das cidades

Porque é tão grande a ambição dos grandes que, se não sofrer oposição por várias vias e de vários modos numa cidade, logo a levará à ruína.

(Maquiavel, Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, citado na Revista Filosofia, nº 33, pág. 32)

Um povo cheio de virtù [virtude cívica], não se deixa governar por tiranos; um povo corrompido, por sua vez, não consegue reconhecer os benefícios de uma cidade livre.
(…)
Só a virtù do povo, ou seja, só a participação de todos na vida política da cidade, tendo em vista o bem comum e a preservação da liberdade de todos, é que pode manter a cidade a salvo de sua apropriação por interesses privados. A corrupção, entendida como a falta de capacidade de se dedicar energia ao bem comum, priorizando interesses privados em detrimento de interesses da coletividade, tem sua origem, segundo Maquiavel, na desigualdade existente na cidade.
(…)
Bem ou mal resolvida, a virtude cívica é, certamente, um dos componentes que compõem a noção de liberdade

Ester Gammardella Rizzi, Maquiavel, a virtù e a garantia da liberdade, Revista Filosofia)

 

Bicicleta é questão de pele

22/03/2012 1 comentário

Design da tatuagem: Claudio Amaury

Design da tatuagem: Claudio Amaury

Gosto desta tatuagem do meu irmão porque biciclista e bicicleta parecem uma coisa só. Não se sabe onde começa um e termina a outra.
Lembra também uma pintura rupestre.
Ou seria um símbolo na parede, visto num sonho.

De qualquer forma, traduz aquilo que não pode ser dito, tácito, mas apenas sentido.

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Minha bicicleta não é uma cruz

Bicicletas na penumbra da noite.
Num ritual cristão de apropriação da morte, de instrumentalização da morte.

- sem saber do que se trata, um passeio noturno?,  depois da contenção carros aceleram
à toda -
Patético.

Se eu morrer por minha bicicleta, ninguém sairá às ruas com apitos e faixas.
Meu nome será escrito num papel de seda em chamas,
para acender incensos que fumegarão essências até o amanhecer.

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uma questão de equilíbrio

29/02/2012 2 comentários

É permitido embarcar bicicletas no metrô, em Brasília. Mas raramente faço isto, por falta de necessidade. Para onde preciso ir, no dia-a-dia, é mais fácil, rápido, gostoso e econômico ir de bicicleta mesmo.

Mas ontem, depois que o raio quebrou e o pneu furou, tive que usar o metrô de volta pra casa.

Embarcando no último vagão, na minha frente ia outro biciclista. Ele deixou a bicicleta encostada na barra de apoio que desce do teto e foi sentar numa cadeira por ali perto. A bicicleta ficou sozinha, equilibrada. Pensei: quando o trem andar a bicicleta vai cair.

Das poucas vezes que levei a bicicleta no metrô, senti dificuldade justamente nisto: equilibrar a bicicleta e eu, junto, no movimento de vai-e-vem e balanço do trem.

Não caiu. Nem se mexia. Quando olhei para baixo, vi a solução genial daquele biciclista:

a bicicleta foi colocada numa posição tal, com a barra travada entre o quadro e o pedal, que anulou a tendência (inércia) de cair para frente ou para trás! Ali, imóvel, paradinha, num equilíbrio de forças contrárias, só com uma posição certa do pedal!

Estava meio insatisfeito pelo raio quebrado, mas ter entrado no metrô, aprendi uma ótima solução prática. Da próxima vez que embarcar a bicicleta no vagão, vou fazer igual!!

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- hoje, 29 de fevereiro, ano bissexto -

A bicicleta do meu avô

02/02/2012 2 comentários

Hoje, 2/2/12, faz 2 meses que meu avô completou 100 anos. Já teve cerimônia oficial para ele, festa, festança e até foi notícia nacional.
Ele e minha vó, também centenária, 80 anos de casados.

O que mais me lembro do meu avô, quando paro para trazer imagens da infância, é ele dando cordas num relógio de pêndulo na parede. Fiz até um poema sobre isto.

Mas inconscientemente o que mais ficou gravado com certeza foi a paixão por bicicletas. No vídeo do Fantástico está a prova: foi ele o pioneiro na cidade, o primeiro que levou bicicleta. Ele, no dia a dia, vai e vem sempre de bicicleta, para nós crianças era exemplo e rotina.

Lembro da bicicleta Philips, pesadíssima, com um selim de couro com franjas, e uma placa ovalada azul escuro com letras e números brancos. Agora me recordo: conseguir a chave da dispensa e obter autorização para pedalar era um prêmio inigualável!

Quando pergunto pra ele o que fez da bicicleta antiga, ele tenta se recordar: “vendi prum conhecido”. Quase silêncios  de uma paixão terminada. Eu desconverso, e voltamos a falar da outra bicicleta dele – aponta os consertos que precisa -, da minha, de viagens e tombos.

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carros que não matam

Semana passada, ao falar de bicicletas com sensores de aproximação, disse que motoristas serão “tecnologia” extinta no futuro.

Pois não é que nesta semana a BBC publicou uma matéria sobre carros do futuro, em que parte dos estudos vai nesta mesma direção??

Para alguns, a solução para esses problemas seria na verdade deixar que os computadores assumam a direção completamente. Veículos inteiramente inteligentes podem “ver” e se comunicar com outros veículos e com o ambiente.
“Por que não?”, questiona Oliver Carsten, professor de segurança no transporte da Universidade de Leeds e um dos defensores da ideia de direção totalmente automatizada como objetivo final.

Leia a reportagem na íntegra, aqui.

Já vi robôs andando de bicicleta, mas felizmente nada pode subsituir a minha força e o meu controle quando eu pedalo a bicicleta. Ufa.

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o canote do selim

12/12/2011 4 comentários

Nesta semana aconteceu uma coisa inusitada. Vindo para o trabalho, o canote do selim quebrou!!

Estava perto do trabalho, coloquei o selim de forma que não caisse (foto abaixo) e completei o caminho pedalando em pé.

O Sergio Tourino, que é engenheiro, explicou:

Outra coisa que ajudou o ocorrido é que o canote fica muito inclinado em relação à vertical, o que gera um momento que provoca maiores esforços no canote e ajuda na quebra.

Fadiga de material é sempre assim, quebra sem aviso… em aço é possível projetar de forma que ele nunca rompa por fadiga (mas claro que pode quebrar por excesso de carga), mas no caso de alumínio ele SEMPRE quebra por fadiga algum dia… por isso que a manutenção de aviões é crítica (já que são feitos basicamente de ligas de alumínio).

Então, fiquem atentos às suas bicicletas com peças de alumínio e façam sempre revisão preventiva.

Por sorte, eu estava devagar, e foi apenas um susto de milésimos de tempo de não saber o que estava acontecendo e sentir o selim instável de repente.

Por sorte, o selim não chegou a cair nem sofri qualquer dano físico.

Mas sofri o dano psicológico e fiquei em crise existencial ao duvidar: será que sou bundão? :-|

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Tecnologias antiquadas

06/12/2011 2 comentários

Não tenho luzes na minha bicicleta urbana.

Comprei um farol quando fiz minha primeira cicloviagem. Mais por precaução do que por ter programado pedalar à noite. Usamos apenas uma vez, no primeiro dia, quando meu irmão derrapou nas pedras e feriu, de leve, a perna. O farol serviu como lanterna.

Na segunda viagem, na Rota  da Maria Fumaça, precisei usar o farol pra valer. Foi uma decepção! A coisa iluminava poucos centímentros à frente do pneu da bicicleta. A noite completamente sem lua, num trecho repleto de caminhos e veredas, apenas o GPS nos salvou – e o latido dos cães nos indicando a proximidade das fazendas. Hoje o farol está guardado na gaveta. Inútil, quando precisei dele – além de usar 4 pilhas. Quatro!!

A primeira luz traseira, destas que piscam vermelho, caiu no chão quando desci o meio-fio e se espatifou toda - estes produtos sem qualidade made in…! A segunda luz gastou a pilha em poucos dias. Comprei pilhas palito recarregáveis. Era um tal de usar e recarregar que foi me dando preguiça, preguiça, até que me encheu o saco. Também está na… nem sei onde está aquela luz pisca-posca!

Mas ao ver este conjunto Blackburn no blog bikecommuters,  até que deu vontade de instalar na minha bicicleta. Sim, sobretudo pelo método como as luzes podem ser recarregadas: numa porta USB ou por um mini painel solar solar!!
Este é o farol:

e esta a luz pisca-pisca:

 (no saite só tem esta foto pequena mostrando a conexão na USB).

É obviamente um contrasenso ecológico ter que usar pilhas e mais pilhas para alimentar estas luzinhas. Sinceramente? Pegaram o caminho mais fácil e que retroalimenta a sociedade de consumo. Ter que comprar pilhas sempre!! se, ao pedalar, eu gero energia suficiente para várias luzinhas.

Além do tradicional dínamo, o que melhor seria do que paineis solares, que podem carregar baterias enquanto pedalo no sol ardente?

Ainda vai chegar o futuro, quando toda a bicicleta será coberta de finas placas voltaicas solares. Toda a roda será um dínamo, a energia será gerada pelo giro do aro junto a magnetos nos garfos. Pequenos cataventos ultraeficientes para gerar energia pelo vento que passa no guidão, na bicicleta toda, nos cabelos!

Mini usinas por momento angular, energia gerada por rotação, melhor conservação do trabalho dos pedais e pernas, a bicicleta tem mil e um caminhos para gerar a energia que ela própria precisa. Não, não falo das “bicicletas” elétricas, com suas baterias pesadas e caras – e fajutas, se forem de origem bric! Falo de energia elétrica para luzes traseiras e dianteiras na bicicleta, sineta, computadores de bordo, e aparelhos diversos, como celulares, GPS, câmeras fotográficas e diversos sensores. No futuro, haverá uma rede wifi, os carros serão finalmente reconhecidos como muito perigosos e terão diversos mecanismos para evitar acidentes hoje evitáveis se motoristas não fossem tão lesos. Sensores na bicicleta vão avisar os carros da proximidade de um bicicletista e a velocidade do automóvel será automaticamente diminuida, queira o motorista ou não. Melhor! caso o motorista insista, o alarme irritante do carro dispara dentro da cabine - bi bi bi bi bi bi bi - para acordar o motorista do torpor e do tédio que é dirigir. Em vez de o motorista buzinar, ele será buzinado!

Motoristas atropelam e matam porque outros valores são colocados acima da vida. Por trás de toda tecnologia, há uma moral e uma ética. Acredita-se que pessoas sejam capazes de governar máquinas muito mais fortes e rápidas do que elas. Mas não são. Muitas vezes os carros são usados como meio para expressar o que há de mais vil na natureza humana. A própria tecnologia deve dominar a tecnologia.  Mais do que supostas habilidades, valeriam as 3 leis da robótica.

Porém ainda estamos na época de tecnologias obsoletas como pilhas e motoristas. :-(

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