Fluidos turbulentos

William Turner. The Shipwreck.
William Turner. The Shipwreck. 1805.

“Temos de procurar maneiras diferentes. Temos de procurar estruturas em escala – como os detalhes grandes se relacionam com os pequenos. Examinamos perturbações de fluidos, estruturas complicadas nas quais a complexidade surgiu com um processo persistente. Em certo nível, elas não se importam muito com o tamanho do processo – pode ser do tamanho de uma ervilha ou de uma bola de basquete. O processo não se importa onde está, e mais ainda, não se importa com a duração em que vem ocorrendo. As únicas coisas que jamais podem ser universais, em certo sentido, são as coisas em escala.

“De certo modo, a arte é uma teoria sobre a aparência que o mundo tem para os seres humanos. E muito óbvio que não conhecemos em detalhe o mundo a nossa volta. O que os artistas fizeram foi compreender que há apenas um pequeno volume de matéria que é importante, e em seguida viram o que era. Portanto, eles podem fazer para mim parte de minha pesquisa. Quando olhamos para os primeiros quadros de Van Gogh, há milhões de detalhes colocados neles, há sempre uma imensa quantidade de informações. Evidentemente, ocorreu-lhe qual é o volume irredutível dessa matéria que temos de usar. Ou podemos estudar os horizontes nos desenhos holandeses de cerca de 1600, com pequenas árvores e vacas que parecem reais. Se olharmos mais de perto, as árvores tem uma espécie de contornos de folhas, mas não é tudo – há também, agarrados nelas, pequenos fragmentos de coisas semelhantes a galhos. Há uma interação definida entre as texturas mais suaves e as coisas com linhas mais definidas. De algum modo, a combinação resulta na percepção correta. Com Ruysdael e Turner, se examinarmos a maneira pela qual pintaram águas revoltas, veremos que estas são pintadas claramente de uma maneira repetitiva. Há uma camada de tinta, e depois algo é pintado em cima disso, e depois são feitas correções a essa segunda camada. Os fluidos turbulentos para esses pintores são sempre alguma coisa com uma idéia de escala.

“Eu realmente quero saber como descrever as nuvens. Mas dizer que há uma nuvem aqui com tal densidade, e ao lado dela uma outra com tal densidade – acumular essas informações assim detalhadas, parece-me errado. Não é assim, certamente, que os seres humanos vêem essas coisas, e não e assim que um artista as vê. De alguma forma, escrever equações diferenciais parciais é não ter estudado o problema.

“De algum modo, a maravilhosa promessa da terra é a existência de coisas belas, coisas maravilhosas e atraentes, e em virtude de nosso ofício, queremos compreendê-las.”

Mitchell Feigenbaum

citado por GLEICK, pág. 183

[.]

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s