Asimov: automação e telemetria

Trecho do artigo Tecnologia e energia, escrito por Isaac Asimov, em 1973, e publicado no livro O início e o fim. É de se notar a antevisão do celular, da internet, das teleconferências. Os parágrafos finais ainda são uma utopia.

Com os satélites de comunicação e os raios leiser funcionando a toda eficiência e com os computadores avançados organizando o conjunto, pode ser que o mundo possa começar a transmitir mensagens com uma eficiência tal que fará com que o rádio comum (sem falar no telégrafo) se pareça com um remanescente dos tempos do expresso em lombo de animal.

Dispondo de um número ilimitado de canais de vozes e de imagens, cada pessoa poderá ter o seu fone portátil e ligar para qualquer número à face da Terra. A palavra impressa poderá ser transmitida fácil e amplamente, de modo que os fac-similes de cartas poderão ser remetidos de ponto a ponto numa fração de segundo. Os fac-similes de jornais, revistas e livros poderão ficar prontamente disponíveis ao aperto de um botão. Talvez, a seu tempo, um simples computador mundial passe a conter, em seu interior a biblioteca do mundo, podendo cada parte dela estar a disposição de qualquer homem, a qualquer tempo.

(…) Quanto a isto, a própria imagem de um indivíduo poderia ser transferida, em vez do próprio individuo. As conferências poderiam ser proferidas,  muito embora os que as compõem estejam separados por distâncias globais. Os assistentes poderiam cada qual estar sentados em suas casas, encontrando-se estas espalhadas pelos seis continentes e três dúzias de nações, e, não obstante, com todas as suas imagens reunidas.

Ninguém precisaria encontrar-se em qualquer lugar em particular para controlar seus negócios. Os homens de negócios não precisariam reunir-se em escritórios, nem os operários em fábricas. Com a automação, a telemetragem e os monitores por televisão, todo o trabalho poderia ser feito em casa, se assim fosse resolvido.

Por certo, as massas ainda precisariam ser transportadas aos lugares onde elas representam alimento, matérias-primas, produtos acabados; mas muita massa não precisaria ser transportada para simples informação do que ela conteria, e assim a poupança seria enorme.

As pessoas continuariam viajando, mas apenas por prazer, e não por necessidade de negócios, e o prazer seria ainda maior, visto que os meios de transporte não ficariam apinhados pelos que tivessem de viajar por motivos outros que não o prazer.

As próprias cidades se espalhariam e desapareceriam. Não seria necessária uma reunião para a facilidade de comunicação, nem por motivo de negócio. Não haveria sequer necessidade de se reunir por motivos culturais, visto que todos os livros, peças teatrais, concertos e tudo o mais estariam igualmente disponíveis em toda parte. Todo lugar, a face da Terra, seria “o lugar próprio”.

E isto desde que…
1. a população se estabilizasse em nível razoável; e que
2. o povo aprendesse a evitar desperdício e destruição inútil dos recursos, assim que a tecnologia fosse desenvolvendo continuamente novas fontes.

Então tornar-se-ia possível, aos seres humanos, ter efetivamente uma forma de vida simples, com espaço, privaticidade e dignidade, ao longo de um tempo vindouro indefinido – tudo por meio, como deve ser, do avanço da tecnologia e do sábio uso de energia da maneira mais econômica.

Nada disso poderá jamais ser proporcionado por nenhum suicida desconhecimento da tecnologia, nem pela rebelião contra ela. Com a tecnologia derrotada, ou abortada, só poderá haver catástrofe rápida e permanente desagregação daquilo que sobreviver do espírito humano.

Um comentário sobre “Asimov: automação e telemetria

  1. Sou fã do Asimov desde priscas eras. No entanto, não li este livro dele. Mesmo assim ele e outros escritores de sci-fi me espantaram com a capacidade de prever o futuro com tanta fidelidade. Tudo que está acima se realizou, menos o “desde que”… a população do planeta continua a crescer, e ainda não aprendemos a evitar o desperdício e a destruíção dos recursos. Outros autores que vc pode pesquisar são o POUL ANDERSON, o PHILIP K.DICK e o ARTHUR C.CLARK. Tenho pena porque não vejo novos escritores de ficção surgindo, como se o futuro todo já tivesse sido pensado. Muito dos que os cientistas fazem hoje foi imaginado por autores assim, em 1950-1960. O que teremos em 2060 se não conseguimos imaginar nada de novo hoje?

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