Bicicletas na conquista espacial

O trecho transcrito a seguir foi retirado do ensaio Como colonizar os céus, escrito por Isaac Asimov em 1975, e compilado neste livro. As imagens foram feitas por Don Davis, para a Nasa. Também disponíveis no Space Studies Institute. Clique nelas para vê-las em tamanho grande.

da página: Space Colony Art from the 1970s
NASA Space Colony Art from the 1970s

Que é que faremos com nós todos quando agora, com os nossos simples 4 bilhões, achamos que o esforço para alimentar e dar energia à população está destruindo o planeta que nos alimenta e nos fornece energia? Teremos de reduzir a taxa de natalidade e baixar a quantidade da população, mas isto tomará tempo. Que faremos nesse ínterim?
Uma possível resposta é que faremos o que fizemos antes. Colocar-nos-emos a caminho, de novo, e mudaremos para novas terras. Uma vez que não há novas terras dignas de serem ocupadas na Terra, teremos de mudar-nos para novos mundos e colonizar os céus.
Não, não a Lua. O professor Gerard O’Neill, do Departamento de Física da Universidade de Princeton, sugere dois outros lugares, para começar – lugares tão distantes da Terra como a Lua, mas não ela.
O professor O’Neill (…) sugere a construção de colônias espaciais (…) que se tornariam partes permanentes do sistema Terra-Lua.
O aspecto é de longos cilindros concebidos para conter seres humanos, com um complexo sistema de sustentação da vida: facilidades para a produção de alimento, atmosferas de manutenção, reciclagem de dejetos e assim por diante.
Estes conceitos têm sido usados em ficção científica. O exemplo mais memorável é o de Robert A. Heinlein, com sua história intitulada “Universo”, e publicada em 1941; nessa história, uma grande nave, contendo milhares de pessoas, através de um indefinido número de gerações, está fazendo sua lenta viagem rumo às estrelas. Os homens a bordo esqueceram-se do propósito original, e consideram ser a nave o inteiro Universo (daí o título). Uma ramificação linear dessa história, transladada para a televisão, foi a recente e malfadada série “Starlost”.
Entretanto, na ficção científica, estes enormes navios, que tudo contem, são navios densamente espacejados, com cobertas, bem cercados de muralhas – o equivalente a cavernas de muitas camadas.
A visão de O’Neill é de outra espécie. Ele vê cilindros ocos, com seres humanos vivendo nas superfícies internas, superfícies que são concebidas e controladas como um mundo familiar, com todos os dispositivos e acompanhamentos da Terra.
O cilindro seria composto de longas tiras alternadas de material opaco e de material transparente, alumínio e plástico rígido. A luz do Sol, refletida por longos espelhos, entraria e iluminaria os cilindros, transformando num mundo de luz do dia aquilo que de outra maneira seria uma caverna. A entrada da luz seria controlada por um jogo de espelhos móveis, para permitir a alternação do dia e da noite.
A superfície interna das porções opacas do cilindro seria revestida de solo, e nesse solo poder-se-ia praticar a agricultura; talvez pudessem ser também criados pequenos animais. Estariam ali todos os trabalhos artificiais do homem: seus prédios e suas máquinas.
O que torna este conceito plausível e eleva esta visão acima da ficção científica é a maneira cuidadosa pela qual O Neill analisou as massas de material necessário, os detalhes de desenho, a espessura e a resistência dos materiais requeridos, o processo de elevação do conjunto e o custo de tudo isso. A conclusão é que o estabelecimento de semelhantes colônias espaciais é possível e atée prático, em termos da tecnologia dos dias de hoje.
(…)
Ao longo do tempo, será perigoso para o corpo humano o efeito gravitacional flutuante? Não temos modo de saber isso, por enquanto, mas, no mínimo a atração gravitacional se reduzirá com a altura, e isto poderá ter suas vantagens.
As pequenas distâncias nas colônias espaciais tornarão desnecessários poderosos sistemas de transporte. As bicicletas seriam o ideal para o chão; e, com a redução da gravidade, os planadores seriam perfeitos para o transporte aéreo (e para diversão).

Uma vila na colônia espacial
Village in Island One - disponível no saite Space Studies Institute, do Prof. Gerard O'neill
da página: Space Colony Art from the 1970s
NASA Space Colony Art from the 1970s


Bicycles inside space colonies
The excerpt above was taken from the essay Colonizing the Heavens, written by Isaac Asimov in 1975. I’ve read it on the Portuguese edition of  The Beginning and the End book. The images were made by Don Davis, for NASA. Click on them to see full size.

The last paragraph quoted: “Small distances in space colonies will make powerful transport systems unnecessary. The bicycles would be ideal for the floor, and with the reduction of gravity, the gliders would be perfect for air travel (and fun).” It’s a translation based on Portuguese version. I couldn’t find the original Colonizing the Heavens essay.

[.]

2 comentários sobre “Bicicletas na conquista espacial

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