Passagens subterrâneas

As passagens subterrâneas ao longo do Eixão são mais uma dentre as aberrações arquitetônicas da cidade brasiliar.
As mais visíveis estão nas praças e esplanadas. As passagens são escondidas,  submundo, sub-humanas.

A mídia oficial denuncia o lixo, mau cheiro, escuridão, os perigos que espreitam. Se o governo cuidasse, os pedestres deveriam usar. Mas este discurso apenas reforça e sublinha o lugar do pedestre na cidade: subjugado. Subliminar, meu caro!

O problema não é só a ausência do Estado (insegurança) e a má educação do povo (sujeira). As passagens subterrâneas são mal-feitas. São construções toscas. Inapropriadas para o que se destina. Gambiarras urbanísticas. As escadas são íngremes, sem corrimão. É um beco estreito. Não há escoamento de água das chuvas. As esquinas em ângulo de 90 são propícias para emboscadas.

Passo por elas todos os dias. Vejo muito mais do que ausência do Estado. Vejo mais do que um subproduto de uma cidade onde os carros têm preferência. São cenas diárias de sofrimento, dor, medo e apatia. Submissão.


(uma senhora visivelmente adoentada, desce com dificuldade degrau por degrau)

[.]

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