mais livros que horas

Semana passada fui à Livraria Cultura comprar os livros indicados para o PAS da UnB.

Cartas Chilenas, sátira caricatural de Tomás Antonio Gonzaga
A pele do Lobo, comédia de Artur Azevedo
A alma encantadora das ruas, crônicas de João do Rio
Discurso da servidão voluntária, um louvor à liberdade por Étienne de La Boétie

Todos pela editora Martin Claret, na coleção Obra prima de cada autor.

Toda vez que entro numa livraria, e na Cultura sobretudo, saio de lá deprimido. Quantos livros para ler em tão pouco tempo de vida!

Por que raios há muito, muito mais livros do que horas?  Seria preciso umas 8 ou 10 vidas para ler só o que existe hoje.

Só no Brasil, são produzidos cerca de 22 mil livros por ano (dados de 2009). Se pudesse ler um livro por hora (impossível!), precisaria de 2 anos e meio para ler esta produção anual. Lendo 1 livro por dia (sem comer, dormir ou trabalhar) precisaria de 60 anos para ler a produção de um único ano!!

Claro que há muito lixo publicado e outro tanto que, mesmo bons livros em sua área, jamais vão despertar minha atenção. A única saída é fazer uma seleção. Mas como saber se a seleção que faço é a melhor, ou a que vai me trazer mais conhecimento ou prazer? De quais livros bons vou abrir mão ao escolher este para ler nesta hora? Uma solução para esta ansiedade é derivar o princípio antrópico: a única lista de livros que eu posso ler é esta que eu faço hora após hora. Não resolve muito, mas acalma🙂

Tenho vários livros na fila de espera. E sempre chega em minhas mãos alguma obra muito boa, que sequer imaginava comprar ou ler algum dia. Livros fura-fila, mas também livros-serpente, que armam o bote do desejo de lê-los. O livro de Tomás Gonzaga é um clássico sempre atual – quantos fanfarrões minésios ainda hoje! Sempre gostei do título do livro de La Boètie. Nunca pensei em comprar qualquer dos dois; a oportunidade veio, contudo, ainda que tarde, e agora fui picado e o veneno deles corre nas veias.

E assim a lista só espicha, sinuosa, se enroscando pelos dias, dobrando a última esquina da cidade sem esquinas.

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