conhecimento, prazer, sabedoria

Embora não tenha tempo suficiente para ler todos os bons livros do mundo, encontrei um método para misturar o prazer de ler uma boa história e o conhecimento das razões do mundo: leio livros de ficção e não-ficção alternadamente. Antes de ler O cavaleiro inexistente, tinha lido Uma breve história do tempo, do Stephen Hawking, que estava na minha lista há mais de 10 anos.

Stephen Hawking é um mestre na divulgação científica – Carl Sagan está na lista para eu poder comparar. É incrível como ele consegue soltar uma frase de humor entre eletróns e grávitons e funções de onda!!
Mas a edição brasileira de Uma breve história do tempo, pela Editora Rocco, pareceu-me fraca.

Deve ser um trabalho muito difícil traduzir um livro de física quântica. Mesmo levando isto em conta, porém, a tradução deixa muito a desejar. Alguns trechos são ininteligíveis pela linguagem, e não pela teoria. Encontra-se até erro de uso da vírgula. Também o acabamento editorial é ruim, há trechos truncados e repetidos. Confira nas duas imagens, clique nelas pra ampliar:

trecho na página 44
trecho na página 127

A obra saiu renovada sob o título Uma nova história do tempo, pela Ediouro. Parece que houve maior cuidado editorial, e fiquei curioso para saber se a tradução foi melhorada (tem um Google preview no saite da Livraria Cultura). Certamente eu compraria esta edição, para tirar a má impressão da outra. Mas o próximo não-ficção na fila é o livro O Universo numa casca de noz, também do Stephen Hawking.

A produção gráfica de O Universo numa casca de noz, pela Editora Arx, é incomparavelmente superior à edição de Uma breve história do tempo, pela Editora Rocco. Apenas folheando o livro dá para notar, há dezenas de ilustrações, todas coloridas; o leiaute é caprichado, parecer mais um livro de arte do que um livro de física quântica (e não é a mesma coisa??). O Universo numa casca… foi lançado mais de 15 anos depois de Uma breve história… Na contracapa está apresentado como “uma continuação ilustrada que desvenda os mistérios das maiores descobertas que ocorreram desde o lançamento de seu aclamado primeiro livro”.

Stephen Hawking é o cientista mais brilhante desde Einstein. Não sei de qual dos dois sou mais fã. Quem mais poderia dar ao seu livro o título de um verso de Shakespeare? Onde termina a ciência, onde começa a arte? O prazer e o conhecimento? Este é um dos melhores títulos de livro que já vi (e o subtítulo deste blog deixa bem claro isto).

 

Um comentário sobre “conhecimento, prazer, sabedoria

  1. Comprei, assim que saiu aqui, a edição da Rocco de “Uma Breve História do Tempo”. Digo sem medo de errar: é a pior tradução/adaptação com que já tive contato, e olha que já me bati com muita coisa estranha por aí. Larguei o livro pela metade, já lá se vão quase duas décadas. Se retormar sua letura, será no original – estou devidamente escaldado.

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