O prazer de dirigir

– É só um passo – disse Montag – entre não ir trabalhar hoje, não ir amanhã ou não ir nunca mais trabalhar no posto dos bombeiros.
– Mas você vai trabalhar hoje à noite, não vai? – disse Mildred.
– Ainda não decidi. Neste momento estou com uma vontade terrível de quebrar tudo, de matar.
– Vá pegar o carro.
– Não, obrigado.
– As chaves estão na mesinha-de-cabeceira. Sempre gosto de dirigir em alta velocidade quando me sinto assim. Você chega aos cento e noventa e se sente ótima. Às vezes eu dirijo a noite toda, volto, e você nem percebe. É divertido lá no campo. A gente acerta coelhos e, às vezes, acerta cachorros. Vá pegar o carro.
– Não, eu não quero. Não desta vez. Quero ficar com esta coisa esquisita.

Ray Bradbury, Fahrenheit 451. Ed. Globo, 2009. pág. 97

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