Ciclovia do Sudoeste, em Brasília

Estava com este texto pronto para publicar, quando ontem me contaram do acidente na ciclovia, onde um ciclista feriu-se seriamente, inclusive tendo fratura exposta. Saiu na TV.
Hoje, reportagem na mesma TV mostra que o buraco foi tapado.
Tapadas são várias pessoas: as que constroem um absurdo deste e as que ficam sabendo e não fazem nada. A gente não precisaria de governo se cada um fizesse sua parte. E este episódio mostra como o governo é reativo e só anda a reboque dos fatos. Tapar o buraco só depois que um ciclista cai e quebra o braço??? que estupidez…

——

A ciclovia do Sudoeste foi a obra cicloviária construída mais rapidamente do Distrito Federal. Isto porque foi feita por uma construtora, que está “compensando” a derrubada de uma área verde para construção de quadra residencial.
Apesar destas intenções obscuras, no balanço de pontos positivos e pontos negativos, no geral eu gostei.

Pontos negativos

A sinalização é absurda.

Tem alguém no Detran-DF que conhece o Código de Trânsito? A placa amarela em losango é usada para advertência. Então, deveria estar voltada para o fluxo de automóveis, avisando aos motoristas que ali há ciclistas, e dando à bicicleta preferência, assim como rege o Código. O que fizeram? Colocaram a placa de advertência voltada para a ciclovia – avisando os ciclistas que ali há ciclistas, hahahahaha!!
Por que fizeram isto? Porque não poderiam dar a preferência às bicicletas no cruzamento da via (dar preferência a bicicletas e pedestres não está no ideário dos tecnocratas de trânsito, mesmo em obras viárias consruídas em favor delas!). Então, a placa “PARE”, que deveria estar voltada para os motoristas, viraram para o biciclista, obrigando-o a esperar pelos carros.

Por inércia, viraram a placa amarela também… Sim, o trânsito é gerenciado por inércia e inépcia.

A ciclovia possui armadilhas.

Como podem construir uma ciclovia e, no mínimo, não baixar o piso ao nível da tampa de energia?? Ou remover a tampa dali? Ou que tal se colocassem um madeirite tapando, até que a burrada fosse corrigida? Uma bicicleta passa fácil sobre um madeirite, mas não passa por um buraco destes!

Como podem fazer uma obra visando “segurança” e deixar este mondrongo bem numa curva?
É grande o número de crianças na ciclovia, e de adultos voltando a pedalar, e por isto ainda com pouca habilidade. Buracos e obstáculos como estes são um convite a acidentes sérios.

[este texto foi escrito antes do acidente e não foi premonição. Com um mínimo de bom senso e observação dava pra prever; o buraco foi tapado, mas se não tirarem os outros defeitos…

…mais acidentes vão acontecer!]

Num trecho, a ciclovia está cheia de terra. Parecer ser resto da escavação, que a chuva levou para cima da pista.

Está inacabada.

Não estar concluída não é defeito, claro. Mas confesso que estou muito curioso para ver a solução que vão dar neste local mostrado na foto acima. A ciclovia está indo bem para a cerca do posto policial. E não há muito espaço adiante, quando a cerca chega bem perto da calçada. Vão fazer trecho compartilhado? Ou será assim: “surpresa, acab–“!

Pontos positivos

É uma ciclovia extensa.

Passei uma manhã inteira de domingo e não consegui pedalar por ela toda. Claro que eu parei bastante pra tirar fotos, mas é grande mesmo! Quando lembrei de medir, lá pela metade da manhã, pedalei 12 kms. As notícias dizem que tem 23 kms. E foi desenhada com ramificações, não é apenas uma linha reta. Dá pra ir do Parque da Cidade ao SIG pela ciclovia, passando pela estação do INMET, Sudoeste “econômico”, HFA, realmente é uma rede que abrange todo o bairro.

Bonita!

Além de passar em áreas muito agradáveis, tiveram a preocupação de preservar árvores!

Ponto muito positivo, pois – ao contrário de carros que tudo derrubam por mais espaço – a bicicleta não precisa destruir, ela se integra e faz parte de!

Passa na frente de Ipanema.


A banca de revistas, claro! A ciclovia revitalizou a área entre o comércio e as quadras residenciais.

Inclusive, alguns prédios já se apressaram em construir acessos à ciclovia.

Passa na frente do hipermercado.

Enfim, apesar dos seus defeitos, é uma obra que mudou a cara e o jeitão carrocêntrico do Sudoeste.

e vai mudar muito mais no futuro!

[.]

11 comentários sobre “Ciclovia do Sudoeste, em Brasília

  1. Bom ver mais gente comentando a ciclovia. Fiz uma extensa série sobre as obras no blog e, infelizmente, não sou tão otimista. É óbvio que ela vai trazer mais vida ao Sudoeste. No entanto, não acho que o cidadão deva se contentar só “porque hoje não tem nada mesmo, já estamos no lucro”. Fora os erros crassos, já mencionados, há problemas que são até mais grave. A ciclovia, que ainda não oficialmente entregue, tem rachaduras em TODA a sua extensão. Em pouco tempo, principalmente no próximo período de chuvas, essas rachaduras vão abrir e virar fendas, buracos, valas. Quem vai pagar o conserto? Eu, você e todos os outros que vivem na nossa querida capital. A sinalização também é um problema GRAVE. Assim como bastava ter dois neurônios para saber que alguém ia cair nesse buraco, não precisa ser muito inteligente para ver que logo logo um ciclista vai ser atropelado ao cruzar nessas faixas mal feitas, onde tem a preferência PELA LEI.

    1. Oi,
      eu vi sua série “jogo dos 7 erros”, por isto nem me preocupei em descrever todos os defeitos. Você fez melhor.
      Certamente fui mais otimista. Porque acredito na mudança que esta ciclovia pode trazer à vida da pessoas. Pode ser que a ciclovia se torne um xodó, e as pessoas passem a exigir mais e a fiscalizar mais. E de fato fiquei empolgado com o tanto de criança pedalando num bairro onde raramente se via uma bicicleta!

  2. Caros,

    A lei não diz em momento algum que carros tem q dar preferência para bicicletas que estão vindo da ciclovia. É uma questão de lógica. É muito mais seguro que você espere os carros passarem pra então atravessar, ou então desmonte e vá até uma faixa de pedestres, onde lá sim, existe a lei que da a preferencia a esses.
    Pesquise sobre as leis em lugares com transito de bicicletas já bem estabelecido, como Paris e Amsterdam. Para atravessar uma via, o ciclista tem q esperar.

    E devo alertar para o erro da frase “as bicicletas tem a preferencia”. Não é verdade. A bicicleta tem os mesmos direitos e deveres dos outros veículos. Informe-se.

    1. O artigo 58 da Lei 9.503/97 (Código de Trânsito) diz expressamente que a circulação de bicicletas tem preferência sobre veículos automotores.
      Veja a lei na íntegra, aqui: http://www.denatran.gov.br/ctb.htm
      Quanto aos cruzamentos, é verdade que a Lei não diz explícitamente que existe este preferência. É uma interpretação legítima, com base no art. 58, já citado, em conjunto com os artigos 214 e 215.
      A Associação Transporte Ativo fez um pequeno manual “CTB de bolso” compilando todos os artigs do Código de Trânsito relacionados com bicicletas. É bem útil e fácil. Está disponível aqui: http://transporteativo.org.br/wp/2010/12/31/ctb-de-bolso/

      Saudações.
      Denir

    2. Meu caro, com todo o respeito, você é que deve se informar. Eu não costumo falar das coisas por falar. Falo com base não só no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), como em seus anexos, que estabelecem CLARAMENTE, inclusive com ILUSTRAÇÕES, que a preferência no cruzamento da ciclovia com a pista É DO CICLISTA. Aquela faixa quadriculada indica, de acordo COM A LEI, que a preferência é do ciclista. Se devia ser assim ou não, é outra discussão. O fato é que a lei, hoje, é essa.

  3. Parabéns pelo texto e as fotos, Denir. Como morador do sudoeste fico por um lado contente com “alguma mudança” sendo feita, mas por outro lado na torcida e esperança por medidas mais abrangentes, que beneficiem à coletividade.
    O ponto que quero levantar é o seguinte: penso ser urgente a construção de ciclovias como essa ligando o sudoeste (assim como outros bairros) à zona central de Brasília, para um benefício verdadeiro ao trânsito, e à qualidade de vida das pessoas que teriam uma OPÇÃO para comutar no dia-a-dia. Mesmo para as que nunca pegassem sua bicicleta haveria o ganho de menos trânsito. Isso sem falar nos inúmeros ganhos com a dependência menor do automóvel. O que é lamentável é muita gente ter que ser carro-dependente quase por obrigação, e eu me incluo nisso. Na verdade, quando vi o início da construção dessa ciclovia, até nutri uma tola esperança de que houvesse um ramal para o centro. Ok, tem a possibilidade de ir pelo parque. Mas é só uma parte do caminho e fora do parque é o caos.
    Não vejo quase nenhuma utilidade nessa ciclovia em termos de diminuição do trânsito. Eu, por exemplo me desloco muito pouco dentro do sudoeste e quando o faço muitas vezes é a pé. E não vislumbro uma enxurrada de pessoas carro-dependentes trocando seu carro pela bike para ir à padaria, farmácia ou academia, chegando a aliviar a Av. Comercial e seus estacionamentos.
    Enfim, ficou aquela impressão de uma obra pra “inglês ver” que leva as pessoas “do nada a lugar nenhum”. Afinal se é só pra lazer, prefiro bicicletar na orla de Ipanema, do que em meio ao concreto e secura.

    PS.: Óbvio que vejo um benefício de mais uma opção de lazer e nesse sentido essa ciclovia ajuda muito… Eu mesmo, devo começar a frequentá-la nos fins de semana (já que na semana sobra pouco tempo após os engarrafamentos do deslocamento cotidiano).

    1. Vicente, conheço pessoas que moram no Cruzeiro e na Octogonal, que estão usando a ciclovia como passagem para vir trabalhar no Plano. Então, não é só ciclovia “de lazer”. Mesmo moradores do Sudoestes estão indo ao supermercado ou ao comércio.
      A mudança leva tempo. De todo modo, já será ótimo usar como lazer, não é mesmo?
      Saudações,
      Denir

  4. Agrada-me a ideia da ciclovia, gostaria de andar com meus filhos em uma, pela L2 norte, para passear é muito bom, passear despreocupado sem destino certo. Eu não conheço a ciclovia do sudoeste, mas me parece que ela só serve a este fim, passear despreocupadamente. Porém, e quanto ao uso como transporte? Eu penso que as ruas devem ser compartilhadas pelos carros, motos, bicicletas… Eu sei! É um ideal muito elevado diante da maneira como os motoristas brasilienses dirigem. E se alguns pensam que a rua é somente para os automotores, fico imaginado as futuras recomendações “VÁ PARA A CICLOVIA, QUE É O SEU LUGAR, SEU FDP!”.

  5. Caro Denir: Excelente a sua ‘reportagem’. Moro lá e tenho usado bastante a ciclovia, mas sempre me intrigaram todos esses pontos que vc mencionou – buracos, defeitos, pontos mal acabados, travessias, preferências (a da placa amarela é inacreditável). Pistas inacabadas, …
    Denir, sugestão: mande esse material ao CorreioWeb e ao Brasília em Dia etc, pedindo que cobrem um posicionamento do GDF. É indispensável informar a população e usuários sobre os limites de cada um (pedestres, ciclistas, carros), e tb quanto à ideia de uso como meio de transporte mesmo, não só lazer ou acesso ao Parque. Ou seja, chega-se ao Memorial JK e daí. E quanto aos sistemas de RJ e SP de bikes disponíveis para os transeuntes?
    Minha ideia era tb fotografar e enviar aos meios de comunicação. O que vc poderia fazer agora, cobrar uma interação maior do GDF com a sua população, se possível antes de apressar projetos como este por conveniências outras, sei lá quais.
    Abs, Ronaldo Malagoni Cavalcante

  6. Boa noite senhores. Peço um auxílio aos usuários mais experientes.

    Hoje, pela primeira vez, fui até o trabalho de bike. Partindo da quadra 313 da Asa Norte até o início do trecho 3/4 no SIA. Passei por uma série de lugares bizarros; ficou muito claro que a cidade não acolhe aqueles que se dispõem a deixar o carro em casa. Gostei da parte completa das ciclovias da W5 e do Sudoeste, mas me deparei, da mesma forma, com o conteúdo do relatório fotográfico do post. Senti muita falta de interligação entre as ciclovias da Asa, do Sudoeste e o que quer que exista no SIA. Consultei o Google Maps, mas isso não dá uma dimensão real da situação do trajeto.

    Hoje passei pela W5, virei no autódromo e virei novamente em direção ao Eixo Monumental. Segui pelo eixo até a EPIG, entre o Sudoeste e o Parque da Cidade e virei logo antes da Octogonal, passando em frente ao Terraço Shopping e seguindo a rua até entrar no SIA.

    ALGUÉM ME SUGERIRIA UM TRAJETO MELHOR DENTRO DO SUDOESTE?

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