Ciclovias do GDF ferem o tombamento de Brasília


A mobilidade sustentável por bicicleta não aceita a destruição de áreas verdes
em seu nome.


Além disto, a destruição das áreas verdes, com as ciclovias que o GDF quer enfiar goela abaixo, fere o tombamento de Brasília!

Diz Lúcio Costa:

As instalações teriam sempre campo livre nas faixas verdes contíguas às pistas de rolamento. As quadras seriam apenas niveladas e paisagisticamente definidas, com as respectivas cintas plantadas de grama e desde logo arborizadas, mas sem calçamento de qualquer espécie nem meios-fios. De uma parte, técnica rodoviária: de outra, técnica paisagística de parques e jardins.

Memorial do Plano Piloto de Brasília

O destaque em negrito na citação é meu.

Cadê o parecer favorável do IPHAN, autorizando a destruição das áreas verdes?? Deve estar na gaveta também??

O Plano Piloto precisa, sim e urgente, de caminhos para bicicletas. Mas pode-se usar ou a estrutura já existente, ou tomar o espaço dos carros. Ciclovias são a última opção, pois são obras caras e devem obedecer fatores objetivos para sua construção.

Em muitos lugares do Plano Piloto elas são desnecessárias por enquanto. É preciso ter um planejamento a longo prazo, que, além de obras, faça campanhas para incentivar o uso de bicicletas e desestimular o uso de automóveis (pedágios, estacionamentos rotativos pagos, etc). Com isto, se o número de biciclistas aumentar significativamente, então pode-se pensar em ciclovias, onde elas forem necessárias.

Não se pode destruir o verde e ferir o tombamento para deixar espaços intocados para automóveis .


..

(Aliás, por falar nisto, o GDF está destruindo área verde junto à estação da CEB na 911 sul para – mais uma vez – alargar pistas para carros. Também foram destruídas área verde e calçada em frente ao Hospital Naval, para criar mais vagas de estacionamento. Quando esta sanha destrutiva vai acabar??).

[.]

14 comentários sobre “Ciclovias do GDF ferem o tombamento de Brasília

  1. uma das pessoas que conversei esta semana informou que questionou e o iphan sobre o parecer e foi informada que o iphan nem sabia que seria realizada tal obra. a mesma pessoa consultou o detran e ele informou que tem onpetencia para instalar qualquer tipo de “calçada” paralela a qualquer via.

    1. Queria ver o Detran usar desta arrogância para multar carros em locais proibidos, em cima das calçadas do SCS, fila dupla nas comerciais, áreas verdes das 700/900, Setor Autarquia, etc. Detran morre de medo!! Pra isto não têm competência alguma…

      Agora, às 15h42, retiro o que escrevi pela manhã. Acabo de ler no jornal que o Detran passou a usar a costumeira arrogância, agora contra carros mal estacionados. Estão usando empilhadeiras para retirar carros estacionados em locais proibidos:
      http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2012/05/apreensao-de-carros-parados-em-local-proibido-cresce-11-no-df.html

      Acho bom e pouco. Por acaso o Detran tem trator de esteira??

  2. Além de ferir o tombamento, deixam os moradores do bl M, da SQN 416, vulneráveis. A sua projeção ficou muito próximo a via L2. Esta situação tem que ser vista dentro do projeto de forma isolada. Temos muito concreto na frente do Pilotis e atrás do Bloco. Se houver um avanço e mais área concretada, a situação dos moradores do bloco M se torna insustentável. O espaço além dessa particularidade tem muito verde; árvore flamboyam com mais de 30 anos, temos IPê amarelo e outras. O IPHAN , NOVACAP, SEC.OBRAS GDF, tem que observar também as necessidades da Comunidade que está aqui diuturnamente. Elas não podem e nem devem ser ignoradas. Quem utiliza a CICLOVIA só passa!!!

    1. Antonia,
      faça um movimento de moradores e síndicos contra a ciclovia. Ela não é necessária, há outras alternativas.
      Sds
      Denir

  3. Vários dos caminhos propostos – ou, como você bem diz, empurrados – para a ciclovia comportam ciclofaixas: solução mais rápida, barata e um verdadeiro sinal de virada na política de mobilidade.

  4. Só para completar: o argumento “você é contra ciclovia?” [vamos fingir que é um argumento] é como defender a oferta de comida estragada para pessoas miseráveis com o argumento “você é contra dar comida para quem passa fome?!”

    1. Não vi o projeto. Alguém viu?
      Esta reportagem do DFTV é do dia 8 de maio. Meu primeiro post sobre o assunto foi dia 7 de maio. Mas não se preocupe, sempre que eu chegar primeiro, pode deixar que fico esperando.

  5. Qualquer um que estuda Arquitetura e Urbanismo sabe que o que tem escrito nele se modificou antes mesmo da construção de Brasília. Se vocês forem ler esse manual, verão que o zoológico e o jardim botânico eram pra estar localizados próximo ao eixo monumental e não aonde estão localizados hoje. Isso e uma série de outras mudanças.
    A cidade é um organismo vivo, e está sujeita a constantes mudanças e Brasília tem ainda muito pra mudar.
    Vocês deveriam se informar mais, antes de ficar fazendo polêmicas inúteis e sem fundamento.
    As árvores foram cortadas? Outras árvores serão plantadas! Pode ter certeza.
    Agora o incrível é ver as pessoas reivindicarem por uma coisa excelente para a cidade, ainda mais quando o transito e os transportes públicos são cada vez piores!
    A ciclovia, além de incentivar a diminuição dos carros ainda não polui a natureza!

  6. Um tombamento não leva em conta o plano original da cidade, mas como ela se encontrava numa determinada data. O tombamento de Brasília não aconteceu em 1959, quando começava a sair das pranchetas. A cidade foi tombada em 1980, quando já estava contingenciada no espaço e no tempo. Ou seja, já tinha um história e uma série de mudanças. Mas o que vale é o memorial descritivo, onde se fala da dimensão bucólica, que deriva das áreas verdes. Gramado também é verde.
    Um tombamento serve justamente para preservar as cidades contra “constantes mudanças”. Coloco entre aspas porque, em nossa sociedade, esta “evolução” geralmente se traduz como especulação imobiliária. Ouro Preto é cidade tombada. É viva. Por isto, vamos permitir que se construa um arranha-céu na Praça Tiradentes?? O argumento de que “as cidades são vivas” apenas justifica a impunidade.
    Um tombamento é, de certo modo, uma regra de conduta. Para ser tombada a cidade tem que se portar assim e assim. Isto é MUITO difícil para brasileiros, portar-se de acordo com regras estritas. Isto pode, isto não pode. Há sempre o jeitinho. “A cidade é viva e precisa mudar” é o jeitinho para burlar o tombamento. Há uma solução simples: pedir à Unesco que retire o tombamento da cidade. Assim, ela poderá crescer livre e mudar o que for preciso.
    A obra fere o tombamento, sim. Tanto fere que tecnicamente é uma calçada. Por que motivo vocês acham que está sendo feita de concreto?? Se fosse asfalto, seria uma via, e ali não pode ter uma via. Lembram-se? Jeitinho pra burlar e resolver, tal e coisa?
    Quanto à mobilidade urbana, outro argumento tão batido em defesa destas ciclovias, é preciso ficar claro que nenhuma cidade do mundo teve sucesso em mobilidade sustentável sem colocar severas restrições ao automóvel. Isto quer dizer que uma política de mobilidade honesta e séria faz obras pra bicicleta ao mesmo tempo que que estabelece restrições ao uso de carros. Tais restrições podem ser pedágio urbano, eliminação de áreas de estacionamento, estreitamento de vias, redução da velocidade máxima para 30km/h, obras de traffic calmig (ilhas, redutores de velocidade, chicanes).
    É uma ilusão, vendida pelo governo, que APENAS ciclovias vão resolver o problema e melhorar a vida de quem anda de bicicleta.

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