Pais e filhos e livros

Recentemente fui entrevistado para uma reportagem sobre o Dia dos Pais. A linha seguiu mais ou menos sobre: qual a relação que se estabelece entre pais e filhos e livros? No meio da entrevista, fiz um exercício de relembramento histórico deste blog. Reproduzo a seguir para deixar registrado aqui também.

Perg.: O blog “livros e bicicletas” foi criado para escrever sobre dois assuntos que te interessam bastante. Conte-nos um pouco sobre o blog.

A ideia começou mesmo quando pensei em montar uma biblioteca virtual sobre bicicletas. Um lugar onde tivesse tudo sobre bicicleta, mas separado pelas divisões clássicas de uma biblioteca: filosofia, ciências humanas, ciências exatas, literatura, história, etc. Fiz até um acróstico!

Depois de muito tempo pensando ou pensando em fazer – igual aquelas listas de promessas de fim de ano – comecei a escrever o blog em 9/9/2009 (data cabalística!). Em vez de fazer uma biblioteca sobre bicicletas, resolvi falar de dois assuntos aparentemente muito díspares, mas para mim muito próximos. Acho que consegui resumir isto no subtítulo: “Se o Universo cabe numa casca de noz, o Universo cabe numa biblioteca. A bicicleta leva você lá. Basta ter força e equilíbrio.”
O blog é mais um local para eu anotar ideias e gravar coisas que vejo por aí. Como se fosse uma agenda, ou diário de viagem, para não me perder: muitas vezes me vejo perguntando: onde foi que vi isto? Qual é o nome daquele blog interessante sobre ciência?? No começo andei falhando, deixava muito tempo sem publicar. Depois, fiz outra promessa de fim de ano: de publicar pelo menos um post a cada semana. Desde então, o número de visitantes no blog tem crescido a cada dia. Tenho sido feliz em escrever minhas notações, que estão sendo atraentes para outras pessoas também.

Perg.: Além do blog, você escreve em outros espaços?

Sim!
Escrevo muito sobre bicicletas em listas de discussão específicas. Muito do que escrevo ali acaba indo para o blog.
Por outro lado, faço anotações num bloquinho Moleskine que ganhei de presente e carrego sempre comigo. Tenho uma gaveta cheia de poemas que escrevi na juventude e nunca tive coragem de publicar. Depois de um tempo sem inspiração – ou sem interesse em escrever, voltei a escrever literatura. A coisa voltou como um vulcão que estava sendo tapado à força! Tenho ideia para 2 livros de contos e um romance, além de livros de poesia, entre eles um de haikais. Só me falta tempo, ou volição, para escrever de fato, profissionalmente, como ensina nosso colega Alexandre Lobão.

Perg.: Você tem quantos filhos? Ele(s) se interessa(m) por literatura?

Tenho dois filhos. O Rafael está com 16 anos. O Luis Felipe com 7.
O Rafael é leitor voraz, lê mais que eu. E também está escrevendo um livro, já me mostrou os dois primeiros capítulos.
O Luis Felipe começou a se interessar por gibis. Acabei de fazer uma assinatura das revistinhas da Turma da Mônica para ele. Acho um bom começo.

Perg.: Como é a sua relação com seu(s) filho(s) quando o assunto é livro?

Livro e leitura, lá em casa, é como água e comida. Sou formado em Letras e em Biblioteconomia. Casei com a Maria Cristina, que é bibliotecária e também leitora assídua. O “quartinho da empregada” do apartamento foi transformado em  biblioteca. Também há livros nos armários, nos quartos. Chegamos quase ao ponto de precisar doar livros antes de comprar mais, por falta de espaço onde guardar os novos. Felizmente fizemos uma reforma recentemente, e temos agora muito espaço ainda. Quando visitamos a Livraria Cultura, não gastamos menos que R$ 100, R$ 200 cada vez. Um dia chegamos ao despropósito de comprar uns R$ 500 em livros para nós quatro, de uma única vez.
Então, acho que eles aprendem comigo uma relação necessária, vital, com a leitura. Os livros estão dentro da nossa ética, dos nossos conceitos morais, do modo como vemos o mundo e de como podemos entendê-lo, para poder agir e fazer escolhas. A condição humana está necessariamente vinculada ao contato com o outro. Eu sou somente a partir da minha relação com o outro, sempre. Os livros estão entre as melhores invenções para que este contato com o outro ocorra, com troca de experiências, emoções e ideias. Vejo os livros como um objeto que nos faz verdadeiramente humanos. E acho que meus filhos estão aprendendo isto naturalmente, assim como aprenderam a andar.

[.]

2 comentários sobre “Pais e filhos e livros

  1. PUXA, TIDÉ, você me emocionou muito com este seu post. Como somos muito diferentes lá em casa e o que nos une é a bike e os livros, ler este post me deu uma renovada. Um abraço e parabéns pela bela lição.

  2. Vou guardar isso, amigo:

    “A condição humana está necessariamente vinculada ao contato com o outro. Eu sou somente a partir da minha relação com o outro, sempre. Os livros estão entre as melhores invenções para que este contato com o outro ocorra, com troca de experiências, emoções e ideias. Vejo os livros como um objeto que nos faz verdadeiramente humanos.”

    Tanto porque subescrevo sua consideração sobre a condição humana, quanto porque, mesmo lendo pouco (deveria ler muito mais), também concordo que o contato com os escritos de outrem nos transporta para a sua proximidade, nos põe em contato.
    Aliás, agora ando escrevendo minha monografia, sobre transportes, e foi assim que cheguei aqui, pois, pretendo analisar as recentes políticas para a área de transporte do GDF e encontrei aqui vários posts sobre as ciclovias do Plano…
    Minha ideia é me armar de referenciais teóricos para tecer uma breve crítica (já é a parte final da monografia) sobre o projeto das ciclovias. Vou continuar a ler os hiperlinks de seus posts com este fim..

    Guarde para a parte da “arte” do seu acróstico um espacinho para esta canção aqui:

    Até mais,
    Juliano Berquo.

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