Ciclovias do DF: falhas graves

Estive ocupado por duas semanas, preparando uma palestra que apresentei na PUC-Rio, por isto nem tive tempo de atualizar o blog.

E volto a escrever aqui quebrando uma promessa: disse que não tocaria mais no assunto, mas não posso deixar escapar. Durante o seminário no Rio, fiquei sabendo de uma notícia-bomba. No dia 19 de março, terça-feira, o Tribunal de Contas do DF publicou em sua página inicial uma notícia que copio aqui em imagem:

TCDF
http://www.tc.df.gov.br/web/tcdf1/

– a notícia está transcrita na íntegra no final deste post –

É muito chato dizer isto, mas não foi por falta de aviso!

Muito chato porque sabemos o quanto de energia humana foi desperdiçada, quantos milhões de reais foram gastos inutilmente, dinheiro público concretado sem critério nem estudo. Vários ciclistas tentaram avisar que estava tudo errado, mas não fomos ouvidos.

Na verdade, fomos atropelados por interesses pessoais, oportunismo e populismo.

do saite Roads Were Not Built For Cars

Transcrevo, para ficar na história, o texto integral da notícia, retirado da na página do TCDF

Secretaria de obras deverá explicar falhas graves em obras de ciclovia

Diante dos indícios de ilegalidades na construção das ciclovias no Plano Piloto decorrentes da Concorrência Pública n° 039/2009 – ASCAL/PRES, o Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou à Secretaria de Estado de Obras do Distrito Federal que preste, em até 15 dias, esclarecimentos sobre as falhas apontadas pelo corpo técnico do TCDF.

Entre as possíveis irregularidades estão: a má execução dos serviços de implantação e de concretagem das ciclovias, em virtude de fissuras, trincas e ondulações em alguns trechos; a reexecução dos serviços nas Superquadras 215 e 216 Sul; danos às redes de infraestrutura, principalmente de água e de telefonia; danos causados às faixas verdes das Superquadras 200 e 400 Norte e Sul, uma vez que raízes de árvores estariam sendo cortadas de maneira indiscriminada; danos causados às calçadas de pedestres existentes, causando prejuízo aos cofres públicos; o compartilhamento de calçadas de pedestres e ciclovias sem a observância da faixa mínima projetada de 3m; a ausência de previsão de rede de iluminação das ciclovias; e a omissão do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas do DF em cumprir com as competências a ele atribuídas pelo Decreto n° 32.245/10.

Também foram apontadas falhas como alteração no Plano Piloto sem autorização federal; violação ao patrimônio histórico e artístico nacional e ao tombamento da cidade, por conta da instalação das ciclovias sobre as molduras verdes das Superquadras; não aprovação dos projetos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan; ausência de realização de audiência pública com a população interessada, em desrespeito ao Estatuto das Cidades e à Lei Orgânica do Distrito Federal; falta de aprovação prévia dos projetos das ciclovias pelo Detran/DF e ausência de licenciamento ambiental.

A SO/DF também deverá elencar os eventuais casos em que tenha sido verificada a necessidade de destruição e reconstrução de trechos da ciclovia devido a erro ou inadequação de traçado ou de projeto, detalhando as ocorrências e as medidas adotadas. A Casa Civil da Governadoria do Distrito Federal também tem prazo de 15 dias para encaminhar ao Tribunal as alegações que entender pertinentes.

Processo nº: 17317/12

3 comentários sobre “Ciclovias do DF: falhas graves

  1. Denir, novamente vou dar minha opinião. O TCDF virou uma trincheira política de oposição desde o governo Arruda, qualquer um que está minimamente acompanhando as suas decisões já notou isso. Ele reclama de tudo e todos, e ainda previamente muitas vezes, buscando impedir as obrar e benefícios ao povo. Veja o que saiu na coluna do Cláudio Humberto:
    “TC-DF: trincheira de oposição
    Claudio Humberto – jornal de Brasília

    TC-DF: trincheira de oposição
    O governador do DF, José Roberto Arruda, enfrenta um problema incomum: após cortar gastos e obter empréstimos internacionais, tem dinheiro para investir, mas o Tribunal de Contas local não deixa. Com maioria nomeada por adversários de Arruda, o TC-DF virou uma trincheira de oposição. Mete-se até na redação dos editais de licitação, alterando-os a pretexto de “zelar pelo interesse público”, em idas e vindas que tentam paralisar o Governo.

    Saudades
    Políticos atribuem o viés oposicionista do TC-DF ao fato de os conselheiros não receberem do atual Governo o mesmo tratamento do anterior.”

    Referenciado isso, qualquer referência a suas decisões, reclamações e solicitações de esclarecimentos devem ser vistas com muito cuidado, pois eles não são isentos, longe disso. Mas concordo que o projeto não é perfeito, a falta de iluminação é grave. Recentemente fui à noite do Banco Central ao fim da asa sul, e foi muito prazeroso pela ciclovia, exceto por dois fatos: A escuridão realmente grave em alguns pontos (em outros,a iluminação próxima atende, apesar de não ideal), e a descontinuidade. Perto do Libanus, a ciclovia some, e volta somente centenas de metros depois. Fico pensando no motivo, será que naquela área houve algum impedimento? Na frente da delegacia nova perto do Brasília Shopping, na 901 norte, tem uma placa grande informando a obra das ciclovias das 700s, 300s e 100s. Moro em uma das 100 norte, e não vejo nem sinal da ciclovia, elas só foram feitas nas 200s e 400s. Fissuras não há, é uma ciclovia muito forte. Na 210 norte, os carros passam por cima dela para chegar a um “estacionamento” de uma escola e ela está firme. As falhas que vi são marcas de ciclistas que passaram com o concreto fresco, causando sulcos. Esses mesmos e idolatratos ciclistas que deveriam ser pessoas educadas e conscientes do bem comum, danificaram a obra que foi feita a eles. Agora, danos às calçadas, às raízes das árvores, é muita picuinha. Ainda sobre as árvores, não vi nenhuma ser cortada para a obra, a ciclovia sepenteia entre as árvores, e até disso você reclamou. Aí o TCDF acho uma raiz danificada e põe no jornal. Seria melhor cortá-las? Claro que são detalhes que deveriam ser corrigidos e melhorados, mas não são dignos de esse escarcéu todo, ainda mais vindo de um Tribunal que calou-se diante de escândalos como Corumbá IV, que desapropriou fazendas do Roriz e fez estradas até sua fazenda, e o Instituto Candango de Solidariedade, que desviou BIlhões e contratou todos os eleitores desempregados de Brasília para fazer nada. Bi mesmo. E agora esse mesmo órgão fica reclamando de calçadas danificadas, e alardeando esse fato com tal veemência na imprensa? Seria ideal que os órgãos de controle tivessem esse zelo SEMPRE, e não somente quando querem pegar no pé de um ou outro adversário político.

    E você fala em milhões gastos inutilmente. Isso é bem falso, pois não é porque você é um crítico ferrenho da obra que ela não serve. Vejo MUITA gente pedalando nas ciclovias. E muita gente andando também, mas isso não é culpa da obra, e sim da falta de calçadas e sinalização.

    Concluindo, acho que a ciclovia não é essa droga toda que você cita, é melhor que nada, e muito melhor que sua proposta de ciclofaixas, onde os ciclistas trafegariam a centímetros dos carros e seriam atropelados. Poderia ser melhor? Poderia, claro, e ainda tem que melhorar. Os puristas que me perdoem, mas eu, que não esperava nada desse governo e uso a bicicleta como meio de transporte, e não lazer, até que fiquei razoavelmente satisfeito. Eu as uso regularmente, mas espero as das 100s e 300s, melhora da sinalização, dentre muitas melhorias que ainda são necessárias.

    1. Como você mesmo disse, a “ciclovia” é usada por pedestres. E não vejo nada de errado nisto, pelo contrário. Os pedestres estão na “ciclovia” porque deixaram de andar na calçada antiga. Assim, quando digo que foram gastos milhões inutilmente é porque melhor seria consertar as calçadas já existentes, completar os trechos que não existiam (Asa Norte tem demais) e fazer os devidos tratamenos nos cruzamentos das comerciais e locais críticos. Que seria bom para os pedestres também! – o seu exemplo do trecho perto do Libanus é ótimo. Seria obra muito mais barata e eficiente. Pra que ter construir uma 3ª faixas de calçada onde já havia 2 com baixo índice de utilização?

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