tudo se vende

Sugestão de leitura, que recebi de Fabrício Meira de Figueiredo e fiquei com os olhos coçando para ler:

“Está certo furar fila? E pagar para furar fila? Mas se você estivesse comprando uma passagem aérea, pagaria um adicional para passar à frente dos demais na fila e assim economizar tempo? É provável, se tivesse recursos disponíveis. Mas, e se não tivesse, se você fosse a pessoa da fila que fica para trás a cada um que paga aquele adicional, concordaria com isso? Ainda acharia isso certo? Esse é um dos exemplos que Michael J. Sandel usa para discutir, entre outras coisas, ética em uma sociedade de mercado, onde tudo ou quase tudo está à venda. Há exemplos mais intrigantes: direito de abater um rinoceronte ameaçado de extinção (US$150 mil), barriga de aluguel indiana (US$6.250), fazer fila no Congresso americano para um lobista que pretende comparecer no dia seguinte (US$15 a US$20 por hora). O que todos esses exemplos têm em comum? O desconforto que eles geram em nós quando pensamos nisso, porque não é um assunto fácil. Pensar sobre isso é pensar sobre ética. Mas o autor consegue deixar o tema divertido e instigante em ‘O que o dinheiro não compra, os limites morais do mercado’”.


O Que o Dinheiro Não Compra. Os Limites Morais do Mercado
Michael J. Sandel. Civilização Brasileira, 2012. 240 páginas
ISBN: 978-85-2001-148-5

Está esgotado, mas pode ser encontrado em livrarias alternativas e sebos.

Leia um artigo sobre o livro: Por US$ 150 mil, você pode matar um rinoceronte-negro

A propósito do assunto, vi na BBC, semana passada, que moças no Japão estão alugando as coxas para anúncios de propaganda.

??????????

Quando li pela primeira esta placa, de uma loja de usados em Montes Claros, achei um absurdo esta detuparção da máxima de Lavoisier!

Claro que foi um jogo de palavras – inteligente até – com a lei de conservação da matéria. Para uma loja de usados, seria a “lei de conservação dos objetos”, e lembrei agora de Hannah Arendt, que fala sobre isto no seu excepcional livro A condição humana, dos objetos como fruto do trabalho humano, da atividade de transformar coisas naturais em coisas artificiais. Neste sentido, a loja faz sua parte no mantra recicle, reduza, reuse, não é?

Mas… quando a gente lê “tudo se vende” choca um pouco!
é tudo, tudo mesmo?

[.]

Um comentário sobre “tudo se vende

  1. Lendo este texto me lembrei do que li no livro A linguagem das coisas de Deyan Sudjic. Ele fala sobre o mundo afogado em objetos…nunca tivemos tantas coisas como hoje, mesmo que as utilizemos cada vez menos. E completa dizendo que “a publicidade é a vida dessa cultura [a cultura do capitalismo], na medida que sem publicidade o capitalismo não pode sobreviver, e ao mesmo tempo a publicidade é o seu sonho…o capitalismo sobrevive à custa de forçar a maioria, a quem explora, a definir seus próprios interesses tão estreitamente quanto possível. Já se chegou a isso pela privação prolongada”. Jonh Berger em Modos de Viver (1972) afirmou “A publicidade começa trabalhando em cima de um apetite natural para o prazer, mas não pode oferecer o objeto real do prazer”…essa foi a distinção que Berger fez entre objetos “de verdade” e o que via como as manipulações do capitalismo que nos fazem querer consumi-los.
    E refaço a sua pergunta será que a placa de Montes Claros…é tudo, tudo mesmo?
    Abraços,

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