Livros são portas para a realidade

Enquanto estou no meio da leitura da série Diário de um banana, recebi de meu amigo Sérgio Tourino uma excelente dica de leitura sobre a leitura.

Um editorial de Carlos Vogt  (leia aqui) sobre Proust e seu livro Sobre a leitura. Magnífico elogio, tanto o livro quanto o editorial.
O editorial abre o Dossiê nº 94 da revista ComCiência,  em edição voltada exclusivamente para a leitura, e obviamente, para livros. (mas podemos dizer também para blogs, pois é exatamente isto, ler, que estamos fazendo aqui🙂 )

Vogt diz, do texto de Proust:

fundamental para os que amam a leitura, para os que poderão amá-la e para os que são ou serão profissionais ou amadores desta aventura fantástica de viver, pelo imaginário, a multiplicação de sua vida e de sua finitude no infinito do espaço-tempo da memória, da percepção e da expectativa

E citando o próprio Proust:

Algumas vezes, em casa, no meu leito, muito tempo depois do jantar, as últimas horas da noite, antes de adormecer, abrigavam também minha leitura, mas isso somente nos dias em que eu chegava aos últimos capítulos de um livro, que não faltava muito para chegar ao fim. Então, arriscando ser punido se fosse descoberto e ter insônia que, terminado o livro, se prolongava, às vezes, a noite inteira, eu reacendia a vela, assim que meus pais iam deitar; enquanto isso, na rua vizinha, entre a casa do armeiro e o correio, banhadas de silêncio, o céu sombrio, mas azul, estava cheio de estrelas; à esquerda na viela suspensa, onde começava sua ascensão espiralada, sentia-se a vigília monstruosa e negra da abside da igreja cujas esculturas não dormiam à noite

Por fim, Vogt fecha seu editorial citando um trecho da entrevista do filósofo Nicolas Grimaldi:

A experiência da leitura ou da música permite antecipar o que revelará a lembrança involuntária, a saber que não há realidade que não seja interior. Ora, esta existência interior da realidade, tal como a suscita uma sensação, só a imaginação a transcreve. Mas esta transcrição é, na realidade, uma alquimia da imaginação que transforma a exterioridade em interioridade, a estranheza em intimidade, e a passividade em atividade. É isso que faz a metáfora, puro produto da imaginação, mas que exprime tanto o real quanto o recria, buscando-o no fundo de nós mesmos por um mimetismo interior.

Ou, de outra forma e com outras palavras:

banana_livro
Diário de um banana, vol. 4, “Dias de cão”

 

 

[.]

 

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