Que Árvore é esta?

No meio da praça do lugar mais importante da cidade, uma Grande Árvore sobe uns 10 ou 12 metros. As pessoas passam e param, admirando. As luzes enfileiradas apagam e acendem, uma atrás da outra, por isto parece que giram para cima e para baixo, como os dias giram em espiral. As pupilas, redondas e de todas as cores, verdes, azuis, dourados, pretos, brilhavam, e os olhos das pessoas também eram enfeites pendurados cintilantes.

Há muito tempo o xópin é a catedral da cidade. Nem sombra da imagem de deus, menino ou não. A Grande Árvore é o centro de tudo, e as muitas luzes não deixam sombras, mas, se sombra houvesse, no pé da Grande Árvore as pessoas depositariam seus sonhos, esperanças, pedidos de querência para o futuro. Por um minuto ou dois, esconder-se das queimaduras do sol-a-sol.

Impossível não lembrar Yggdrasil, a Grande Árvore, cujas raízes nenhum ser humano sabe onde vão dar, cuja escalada é um caminho de ascensão, cujo tronco e ramos conecta Nove Mundos.

A mãe diz “olha a rena, linda”, e a menina procura pelo Papai Noel e sua grande barba branca de druida.

A praça é limpa demais, não há pássaros nem vento nem vermes. Mesmo figurativa, quase clichê, a Grande Árvore mostra toda sua força. Ela, e todas suas representações em cada uma das casas, rememora o mais antigo que há em nós, a força vital instauradora e arquetípica que vem da Natureza, tão necessária e tão esquecida por séculos.

Impossível não lembrar o sagrado Carvalho de Thor, nos arredores da cidade de Hesse, Alemanha, derrubado a machado por “São” Bonifácio [uma demonstração típica, entre milhares, de quão tolerantes podem ser].

O que não sabiam, e não sabem, é que as raízes da Grande Árvore vivem, e nenhum ser humano sabe onde vão dar, ou quando vão brotar de novo.

De suas raízes nas profundezas, ela traz a vida para a superfície, nos tronco e galhos baixos, e sobe até a verticalidade dos altos galhos. Morte e regeneração, presente nas folhas que caem toda estação e nas sementes. A Árvore reúne em si os cinco elementos: a terra em suas raízes, a água que flui na seiva (sem coração bombando), o ar entrando nas folhas (sem a pressão de músculos) e o fogo que brota de dentro de seus galhos e troncos.

A árvore é.

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Por aqui, uma árvore se enfeita toda com bolinhas e estrelas, exatamente nesta época do final de dezembro.

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É a minha árvore de natal. Você sabe o nome dela? Deixe nos comentários. Ano que vem confiro quem acertou.

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6 comentários sobre “Que Árvore é esta?

    1. Não, Celso, aqui em Brasília mesmo! No canteiro central do Eixão Norte.
      Em Taiobeiras, embora seja um braço da mata atlântica em pleno sertão norte-mineiro, nunca vi um jequitibá.

  1. Ou quase ninguém visita este blog ou quase ninguém sabe o nome da árvore.
    É um jequitibá-rosa (Cariniana legalis (Mart.) Kuntze), uma das mais belas árvores do mundo. A espécie está entre as que alcançam maior altura no Brasil. Em Santa Rita do Passa Quatro há um jequitibá cuja idade calculada é de 3000 anos – isso mesmo, três mil anos, não errei o número de zeros.

    1. Denir:

      Parabéns por seu entusiasmo pela flora de Brasília!

      Trata-se do “jequitibá-vermelho” ou “cachimbeira” (Cariniana rubra Gardner ex Miers, 1874),
      espécie rara do Brasil centro-oriental,
      mas bem conhecida de colecionadores de árvores,
      pela beleza superlativa e surpreendente das flores e da própria árvore.

      Cariniana estrellensis e Cariniana legalis (“jequitibás”)
      apresentam flores de cor creme.

      Como no Brasil impera a mania de copiar jardins e floras exógenas,
      essa espécie de efeito paisagístico extraordinário,
      que rivaliza em beleza, nas matas semicaducifólias do Brasil Central,
      onde ocorre com os espetaculares “ipês”, “pau-de-formiga” e com o “pau-de-rosas”,
      permanece desconhecida da grande maioria dos brasileiros,
      ainda desacostumados do convívio com a natureza,
      conformados com a destruição generalizada (à qual é indiferente)
      e ansiosos por exibir espécies exóticas em seus jardins.

      Celso do Lago Paiva
      Coordenador do Grupo de Estudos sobre Organismos Invasores (GEOI)
      celsodolago@hotmail.com
      http://independent.academia.edu/CelsoPaiva

      Curvelo, Minas Gerais

    1. Celso,
      claro que não! ficou presa pra liberação,
      não sei por que motivo…
      enquanto eu estava de férias.
      abs
      Denir

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