Bicicleta e arte popular – brinquedos

Entre meus livros coloco alguns objetos. Foram comprados ou presentes recebidos, têm certa carga simbólica e sentimental. Carrancas espantam maus espíritos, um casal de namorados suspira – escultura do meu amigo João Alves.

E esta bicicleta feita de cipó???????????????????????????????

comprei na feira de artesanato durante as Festas de Agosto, em Montes Claros.

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Bicicleta de cipó

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Procurei na internet por “bicicleta de artesanato”, achei um brinquedo antigo feito em Portugal:

Um pouco depois cheguei ao Museu do Brinquedo Popular e….. que maravilha!!!! Uma coleção de bicicletinhas:
feitas por Dell, Mestre Sauba e Zé Gomes.

Bicicletinha?? Olha só o tamanho das bicicletas feitas pelo artista José Gomes, da cidade São Joaquim do Monte, Pernambuco:

O autor das bicicletas-mamulengo aparece na foto (do blog Josinaldo Amaury).

Tem vários personagens, o casal de noivos, o “Nego Veio”, até Lampião e Maria Bonita!🙂

A arte popular do Nordeste tem muitos tesouros guardados.
Este brinquedo esculpido em madeira, intitulado “O ciclista”

faz parte do acervo do artista Alberto Bernardo. Visite a página dele e assista três vídeos ótimos: um mostra o funcionamento de um jogo de capoeira com bonecos de madeira articulados, outro mostra o método de fazer que transforma um bloco de madeira num músico tocador de violoncelo, e o terceiro é um depoimento do artista. Ele diz:

O trabalho que desenvolvo também abrange a construção de brinquedos de arte para ambientações de espaços do brincar como escolas, brinquedotecas, bibliotecas.
As esculturas narram vivências típicas do nordeste brasileiro, com ênfase para os fazeres locais que acontecem ao pino do meio dia, como o nascimento, as brincadeiras, os trabalhos caseiros, os heróis do sertão e as crenças de nosso povo.

Vivências diárias, trabalhos caseiros, arte, bicicleta, brinquedo. Tudo junto misturado, sem sentido? Não!
Para ser inteiro, o ser humano tem que ser sapiens (que conhece e aprende), faber (que faz e produz) e ludens (que brinca, cria e se diverte). Muita gente acredita que na idade adulta somos apenas homo faber, que produz e consome. A fase de aprender e brincar ficou na infância…
Homo ludens foi um conceito introduzido pelo historiador Johan Huizinga [leia  uma perspectiva histórica sobre o lúdico]. Para Huizinga, o jogo, a brincadeira, a diversão é uma atividade acompanhada de um sentimento de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da ‘vida cotidiana’.
Mas já Aristóteles dava muita importância ao tema, conforme se lê em sua Ética a Nicômaco, 1127-b-30:

Como a vida é feita não só de atividade, mas também de repouso, e este inclui os lazeres e a recreação, parece haver aqui também uma espécie de
intercâmbio que se relaciona com o bom gosto.

Quando escuto alguém dizer, em tom de deboche, que “bicicleta é aquilo que você deixa de lado quando cresce e compra um carro” ou “bicicleta é coisa de criança”, eu agradeço.  Seja pedalando todo dia para o trabalho, passeando nos finais de semana, ou viajando em datas especiais, para mim, bicicleta é sempre diversão.

E eu quero uma bicicletinha dessas!!

Lampião e Maria Bonita vão de bicicleta!

 

[.]

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