Bicicletas na Primeira Guerra

Um mês atrás, ao ver fotos inéditas sobre o uso da bicicleta na 1ª Guerra Mundial, compartilhei-as aqui no blog.

Nesta semana, por meio da DeutscheWelle, fiquei conhecendo o projeto Europeana 1914-1918, um gigantesco museu virtual sobre a Primeira Guerra.

Lá vou eu fazer pesquisa para ver o que encontro sobre bicicletas e…. tcharam!

É possível ver não apenas fotos incríveis, mas também correspondências, cartões-postais, diários.

Naquela guerra, o ciclista passou a ser uma patente militar. Pesquisando pelo termo “ciclista”, encontra-se uma carta de um ciclista carabineiro, um livreto com a história do grupo de ciclistas da 10ª divisão de cavalaria (belga?), o Handbook for Military Bicycles (Guia de bicicleta militares)

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basicamente um manual de manutenção mecânica, que acompanhava cada bicicleta  – veja que, na capa, há um espaço para anotação do número da bicicleta e logo abaixo o aviso: “This book will always be carried in the Toolbag of the Bicycle to which it belongs – este livro deve ser sempre levado na bolsa de ferramentas da bicicleta à qual pertence.
O livreto está disponível na íntegra, aqui.

e até uma propaganda de guerra direcionada para ciclistas:

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Você se acha bom ciclista? Então, por que não pedalar para o Rei? Precisa-se de recrutas / na atuarem na Companhia S. Midland. Idade mínima 19 anos. As bicicletas serão fornecidas. Roupas e uniformes serão entregues no alistamento.

As fotos arquivadas no projeto Europeana dão uma ideia de como eram os dias naqueles tempos de guerra total.

Soldado alemão usa uma bicicleta tandem adaptada para gerar energia nas trincheiras

Soldado alemão descansa numa “cama” de cápsulas de canhão vazias

Soldados ciclistas britânicos

Mulher francesa mata a sede de um soldado belga

Ao passar pela vila de Vraignes, em março de 1917, soldados alemãs carregam crianças nas bicicletas, como forma de despertar um sentimento de amizade na população

O projeto Europeana mostra coisas ainda mais inusitadas, como este belíssimo cartão postal bordado com a insígnia da companhia de bicicletas da divisão britânica de tropa montada

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e a partitura de uma marcha composta por Robert DeLeye, soldado da 1ª Cia. Ciclística da 5ª Divisão Belga

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Clique na imagem acima para ver a partitura completa.

Alguém se dispõe a gravar um vídeo tocando esta marcha??

Especialistas perguntam se as bicicletas poderiam voltar a serem usadas em guerras. Alguns respondem que sim: por serem veículos que não produzem calor, bicicletas poderiam ser um veículo alternativo para escapar da artilharia guiada por sensores térmicos.

A 1ª guerra forjou o mundo em que vivemos hoje. Politicamente representou o fim dos grandes impérios (otomano, austro-húngaro, francês). Os EUA, que já eram uma força econômica, tornou-se um poderio político. E a Rússia entrou neste cenário com a Revolução de 1917. Desde aquela época, o mundo viu a ascensão dos dois poderes antagônicos, o capitalismo industrial e o comunismo, que ainda hoje dividem opiniões, corações e mentes.
Os esforços de guerra também fizeram uma revolução na economia. Todos esperavam que o conflito fosse breve e nenhum dos países se preparou economicamente para uma longa guerra. Todos os recursos nacionais foram direcionados para o sustento da guerra, com efeitos diretos e duradouros sobre a agricultura, a indústria e o mercado financeiro. Imensas mudanças sociais decorreram da guerra. Para atender a demanda por mão-de-obra, por exemplo, as mulheres pela primeira vez ocuparam postos de trabalhos antes exclusivamente masculinos.
Mais do que tudo, por causa dos conflitos que ficaram mal resolvidos, nos campos econômico, político e social, a 1ª Guerra foi o pano de fundo para eclosão da 2ª Guerra, que radicalizou e aprofundou as mudanças que nos trouxe aonde estamos agora. Como resultado direto da 1ª e 2ª Guerras tivemos o boom da indústria automotiva.
As fábricas de automóveis foram transformadas em fábricas de veículos e armamentos militares. Com o fim da guerra, a indústria do automóvel mostrou a conta deste “empréstimo” e o que se viu foi a resposta dos governos: uma intensa e maciça campanha de incentivo e apoio ao automóvel.
Hitler expulsou os ciclistas das ruas, criando ciclovias, para garantir o fluxo crescente de automóveis. E a indústria de automóveis fez o boom da economia no pós-guerra. As bicicletas nunca mais foram usadas em combate e praticamente sumiram das cidades.

Desde os anos 60, época de agito social, e com a crise do petróleo da década de 70, as bicicletas começaram a voltar, e sinceramente espero que elas invadam todas as ruas de todas a cidades.

Mas não voltem para as guerras…

Um comentário sobre “Bicicletas na Primeira Guerra

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