Arquivo da categoria: bicicletas cabulosas

Bicicleta com rodas de gelo

Colin Furze é o típico inventor maluco. Britânico, de Stamford, ele cria várias engenhocas e coloca os vídeos no seu canal no Youtube.
Já converteu uma scooter num lança-chamas e criou as garras do Wolverine com um sistema pneumático. O vídeo mostrando isto já teve mais de 6 milhões de visualizações. Fez sapatos magnéticos e caminhou no teto. E ganhou o recorde mundial ao fazer um carrinho de beber andar a mais de 100km/h.
Claro, ele já foi preso pela polícia, já foi envolvido por uma explosão de chamas e outras coisas loucas nos seus vídeos muito loucos.

Uma de suas últimas invenções foi uma bicicleta com rodas de gelo. Veja os vídeos.
No primeiro, ele fez testes e constrói a bicicleta.
No segundo, sai para pedalar por aí.

Deve ser muito divertido dar rodopios numa pista de gelo numa bicicleta com rodas de gelo!

Bicicletas de bambu, madeira, papelão e sucata

Para sua série Futurando!, a DeutscheWelle fez um especial esta semana sobre bicicletas construídas com materiais inusitados.

Clique na imagem abaixo, que mostra bicicletas feitas de madeira de carvalho, para acessar a página. Depois, clique no vídeo  embutido e assista, 5 minutos.

bought_bike

Fiquei admirado ao saber que, dependendo da espessura das paredes do bambu, a bicicleta fica mais ou menos macia. Incrível!!

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Bicicletas na Grande Guerra, 1914

Há 100 anos começava aquela que nós conhecemos como 1ª Guerra Mundial. Os europeus chamam-na de “A Grande Guerra”.  Ela definiu a geopolítica atual, destruiu impérios e foi marcada pelo uso de armas de destruição em massa. Uma guerra industrializada entre as potências industriais.

Foram adotadas novas formas de combate, com avassalador poder da artilharia, com canhões, metralhadoras, bombas de gás. As tecnologias que estavam despontando no início do século foram adotadas, como os dirigíveis, que bombardearam Londres em 1915.

As bicicletas também foram usadas.

Fotos nunca antes divulgadas estão sendo mostradas. Como esta abaixo, que mostra soldados ciclistas franceses, no front de Champagne. A foto foi tirada em 22 de setembro de 1915.

Veja aqui mais fotos impressionantes, deste conflito impressionante.

Torço e ajo para que a bicicleta nunca mais seja usada como arma de guerra, urbana ou não.

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Dia “D” das bicicletas

Há exatos 70 anos, em 6 de junho de 1944, as tropas dos aliados desembarcaram na Normandia. O dia marcou o início do fim da 2ª Guerra. Parte das operações Overlord e Netuno, o dia exato do desembarque ficou famosamente conhecido como “Dia D”.

Ao longo de 80 km do litoral da França banhado pelo Canal da Mancha, infantaria e divisões blindadas chegaram às praias. Antes deles, um assalto aéreo despejou paraquedistas em pontos estratégicos e para missões de sabotagem.
Entre aviões, navios, tanques e tropas, estavam bicicletas. Fotos da época mostram barcos cheios de bicicleta, soldados levando bicicletas para a praia e paraquedistas com bicicletas dobráveis.

tropas fazem inspeção de kits dias antes do Dia D
soldados caminham para os navios
tropas canadenses um dia antes do Dia D
canadenses cruzando o Canal da Mancha
desembarcando em Juno Beach
desembarque visto de outro ângulo

já em terra, soldados do 2º Batalhão East Yorkshire
soldados do 50ª Divisão britânica observam uma casamata alemã que abrigava um canhão anti-tanque 50mm

Os soldados usavam a bicicleta BSA Airbone, também conhecida como parabike.
Consulte esta página (em inglês) para saber tudo sobre as bicicletas BSA.

As fotos das tropas canadenses (de cima para baixo, terceira a sexta) são do Library and Archives Canada, tiradas pelo Tenente Gilbert Milne,  fotógrafo da Royal Canadian Navy e mostram a Highland Light Infantry e a os West Nova Scotia Highlanders. Podem ser vistas na página Toronto Remembers D-Day, June 6, 1944, com mais outras imagens.
A sétima foto foi copiada da página Maple Leaf Up.
As demais estão em BSA Historic.

Nenhuma guerra é justificável. Mas as bicicletas sempre cumprem seu papel de veículo rápido, silencioso e eficiente. Por isto, não poderiam faltar nesta que foi uma das maiores e mais importantes operações militares da história.

Na luta contra inimigos astutos e poderosos, leve uma bicicleta!

Os ciclistas-que-nunca-morrem

Adoro voltar de bicicleta para casa à noite, todos os dias após o trabalho. A noite já indo para altas horas, temperatura agradável, calma, silêncio e solidão.

A lua em quarto crescente é uma janela semiaberta para quem quer ir a um mundo longínquo e etéreo. Nuvens passam como almas magras espiando cortinas. Logo após a chuva, vapores sobem das superfícies quentes.

Mas pedalar à noite acontecem coisas estranhas.

Uma vez senti cheiro de onça (escrevi aqui). Outra noite, em agosto, um grito estridente de garota escorreu de algum apartamento e pareceu mais alto do que as sirenes dos bombeiros e da ambulância, que entraram velozes na 209 sul, várias semanas antes. Um grupo de pessoas murmurava sobre alguém que teria tentado se matar, ou estava tentando. E por que a moça gritou daquele jeito medonho?

Os pedestres fazem caminhos que se cruzam sobre gramados e entrequadras. Costumo cortar atalhos por estas pisaduras. No pé de um amendoim-bravo, árvore velha, retorcida e com tronco rugoso, deparo-me algumas vezes com um prato de barro, farofa, vela vermelha, garrafas.

É raro encontrar alguém vivo. Carros passam velozes autômatos nas pistas. Nas calçadas ou na ciclovia às escuras, um ou outro pedestre caminha com passos tensos. Na boca de uma das passagens subterrâneas – completamente às escuras depois que o governo fez uma “revitalização” e tirou todas as lâmpadas – de dentro daquele túnel negro subiu um gemido rouco. Podia ser um fumador de crack (bandido não faz barulho, fica na tocaia) ou um dos vários mendigos que dormem nestas passagens do eixão, roncando. Quais sonhos naquele ambiente feio e fétido?

Vou sozinho. Mas há ciclistas que pedalam à noite, em grupo. Uns dizem que são amigos esquisitos e macabros que se encontram para um passeio noturno.

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Para os céticos, isto é apenas propaganda de uma loja de bicicleta de Paris.

Outros juram que são mesmo ciclistas-que-nunca-morrem, almas-penadas e empenadas.
Que, se você conseguir segui-los pela cidade, 13 minutos depois da meia-noite desaparecem bem diante dos seus olhos.

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Você pode até não acreditar em ciclistas-fantasmas. Mas que eles existem, existem.

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duelo de ciclistas “fora da lei”

Ciclovia não! ciclovia sim!

Capacete não! capacete sim!

Estas disputas nunca vão acabar. Porque refletem percepções diferentes da realidade E porque a realidade é mesmo diferente. É um erro enorme fazer uma escolha unilateral e disto fazer uma política, um dogma – que pode ocultar, por exemplo, a vontade de excluir o diferente. É humano em cada pessoa achar que  o seu lado está certo.

Que tal resolver na porrada?

Brincadeira!!!!

Julie Glassberg, fotógrafo nascido em Paris, baseado em Nova York, foi um dos vencedores do Concurso Internacional de Fotografia de Tóquio. Seu projeto vencedor, ‘Bike Kill’, documenta a ascensão da cultura da bicicleta de quadro alto.

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O Black Label Bike Club é conhecido como o primeiro “grupo de bicicletas fora da lei”. Foi criado em 1992, em Minneapolis, EUA, por Jacob Houle e Per Hanson.

Julie_Glassberg_Photography_BikeKill_24

Além de divulgar as bicicletas modificadas, o clube organiza duelos, lutas, ao estilo dos torneios medievais, conhecidos como justa (em inglês: jousting), jogados por dois cavaleiros com armaduras e armas (lança, machado ou espada).

Organiza também eventos sempre politicamente incorretos, e quase sempre violentos.

As fotos a seguir foram tiradas do portfolio de Julie Glassberg. Veja a galeria toda aqui.

Julie_Glassberg_Photography_BikeKill_08

Julie_Glassberg_Photography_BikeKill_17

Julie_Glassberg_Photography_BikeKill_16

Se pensam que você é “louco”, “barra pesada”, “fora da lei” apenas porque usa a bicicleta no trânsito da cidade, no meio dos carros, ou se você pensa que é, está na hora de rever os conceitos!!
O video abaixo, sobre o Black Label Bike Club, vai ajudar!

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Eu quero uma bicicleta! (e não encontro…)

Não registrei BO na polícia, não fui atrás do vídeo de segurança e não acho que vou rever minha bicicleta roubada.
Pode parecer conformismo, mas não é.
É resignação tao. Quero viver esta experiência sem ter intenção de mudá-la. Não aceitei, mas não quero agir contra. Porque, de certa forma, é ir de encontro ao mal e disto eu quero distância.

E também tem o fato de que a resignação é alimentada pela esperança. Com o roubo da bicicleta, abriu-se uma porta para que eu possa comprar uma verdadeira e boa bicicleta urbana.

Adorava minha Caloi 100, mas ela era pequena para meu tamanho e, mais do que isto, tinha uma geometria de quadro que me dava dor nos joelhos. Ajustei a bicicleta no limite do tamanho do canote do selim e da mesa de guidão. O joelho melhorou, mas, depois de um tempo, me veio uma dor nos ligamentos da cabeça do fêmur!

Além disto, não era bicicleta urbana. A Caloi não faz bicicleta urbana. Faz somente bicicleta de passeio. E algumas bicicletas de passeio maquiadas de urbana.
Empresa alguma no Brasil faz bicicleta urbana – e depois reclamam do trânsito. Acho muito pior sermos obrigados a usar bicicletas-carroças!!

Bicicletas urbanas vem de fábrica com paralamas, protetor de corrente, descanso (ou pé) e bagageiro. Itens obrigatórios!! Algumas acrescentam cestinha, luzes com dínamo e guidão tipo north road.

Aliás, passei duas semanas indo em todas as lojas de bicicleta do Plano Piloto (Brasília, DF) e só encontrei mountainbikes, mountainbikes, mountainbikes e… mountainbikes! Minto, uma ou outra de corrida, BMX e beach.

AAAAAAAAAAAA! Eu quero comprar uma bicicleta boa para andar na cidade e não consigo!!

Andar na cidade significa carregar compras, não sujar a barra da calça na corrente, não sujar a camisa social com respingo de água suja do chão e andar elegante, espinha ereta e peito aberto, e não corcunda com o pescoço esticado, feito tartaruga!

turtle

Mostro algumas bicicletas dos sonhos (que existem de verdade lá do outro lado do Atlântico :-():

daybro1-904x400
Bobbin Daytripper Bronze


Electra Amsterdan

CT3H50MZT

Cortina Fietsen


Gazelle DutyNL

BSP Boozz

Clique nas imagens e você vai acessar as respectivas páginas das marcas, quero dizer, é um portal de teleportação para um mundo onde existem bicicletas de qualidade!!

Para sermos Amsterdan, precisa muito mais do que ciclovias…

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ela quer minha bicicleta

Skylar Grey é cantora e compositora norte-americana, que já alcançou grande sucesso com “Love the Way You Lie”, sucesso na voz de Rihanna.

Em dezembro do ano passado (2012), em busca de maior sucesso como cantora solo, mudou o visual meio dark e lançou uma música sobre… bicicleta!!

Skylar-Grey-Cmon-Let-Me-Ride

Em sua conta no Youtube, ela postou a música como “video lyrics” – vídeos em que animação e imagens são a própria letra da música.
Antes de seguir adiante na leitura (que vai revelar alguns segredos da música), veja e ouça:

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O vídeo oficial, com participação de Eminem, que está dando uma força para a carreira de Skylar:

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Para ver com legenda em português, clique aqui.

Em declaração, Skylar admite que a canção é meio sarcástica e usa jogos de palavras para ridicularizar a excessiva e disseminada sexualização.
Nem precisa saber inglês para notar que isto é verdade! Basta ver a foto que foi divulgada junto com a música, e os dois vídeos.

Acho que Skylar e Eminem não só estão sendo sarcásticos com a sexualização, como também a usam para fazer sucesso.
Algo de errado nisto? Acho que não. É metalinguagem.

A bicicleta é um objeto, e como objeto se insere numa rede de significados, que chamamos cultura. A sociedade moderna configura-se como um sistema de objetos, e podemos falar de uma semântica e uma semiótica de objetos e artefatos, onde há intercâmbio de conceitos e significados.

Nada mais normal que a bicicleta seja sexualizada, aproxime-se de conotações sexuais. Sobretudo porque, pare e pense: tirando as mãos, qual é a área de contato do nosso corpo com a bicicleta? Há um famoso vídeo alemão que explorou isto bem mais explicitamente, da mocinha andando de bicicleta e tendo seu primeiro orgasmo.

Há muitos e vários exemplos da bicicleta como fetiche e objeto sexual, que deixo para outro tomo.

Há uma certa ironia na própria etimologia da palavra “fetiche”. O seu uso em português é uma adaptação do vocábulo francês fétiche, cuja origem remonta, por sua vez, a uma transposição da palavra portuguesa “feitiço”.
Feitiço se relaciona ao particípio passado “feito”, no sentido de “coisa feita.
O sentido mais comum que atribuímos hoje à palavra, como substantivo, é o de bruxaria, cuja origem está na ideia de um “trabalho feito” contra alguém.

Rafael Cardoso Denis. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. Revista Arcos, vol. 1, 1998

Nos últimos dois séculos, a palavra fetiche e sua derivada fetichismo, por seu senso de estranheza e mistério, foi usada por Freud e Marx no sentido de dar certos significados aos objetos, de fazer uma ligação entre o material e o imaterial.

Contamos, então, com três grandes sentidos históricos para o emprego da palavra fetichismo, que se reportam respectivamente a: 1) um tipo de culto religioso em que se atribuiu aos objetos poderes sobrenaturais; 2) um aspecto da teoria econômica que explica a atribuição de um valor transcendental a certos objetos (mercadorias); 3) um comportamento sexual em que o indivíduo atribui a objetos uma carga sexual

Rafael Cardoso Denis. Design, cultura material e o fetichismo dos objetos. Revista Arcos, vol. 1, 1998

[para aprofundar nesta discussão do significado dos objetos, recomendo a leitura integral do artigo citado acima]

Skylar Grey não foi a primeira nem será a última a sexualizar a bicicleta.

Particularmente, acho que ela acertou. Os jogos de palavras são perpicazes (banana seat!); os videos, bem feitos. Hilária a parte que satiriza as cirurgias plásticas! E a música é boa!! O refrão grudou na minha cabeça. E eles ainda dão uma chupada (!) no ultramegahit famoso do Queen.

E que bicicleta é aquela que ela pedala? Com aquela galhada?? Maluco!

O single fará parte do segundo álbum de Skylar, previsto para ser lançado em julho.

Come on, let me ride your bicycle

It’s so fantastical, on your bicycle

Come on, let me ride your bicycle

It’s so fantastical, on your bicycle

Come on, let me ride your bicycle

It’s so fantastical, on your bicycle

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FLIZ não é bicicleta!

Esta semana estourou na internet o fenômeno FLIZ, que muitos estão chamando de bicicleta.

UberGizmo  chegou a chamá-la, educadamente, de um “exemplo de redundância”. Já o Treehugger  viu pontos favoráveis, como ser um protótipo que realmente funciona e, mesmo que não tenha as vantagens da bicicleta, não deixa de ser uma ideia interessante.

Chamar de bicicleta é um equívoco duplo.
Primeiro: porque não é bicicleta.

Dar nomes às coisas é importante, é uma das funções da linguagem. Não se pode chamar de bicicleta o que não é bicicleta. Nem tudo que colocamos na cabeça é chapéu. As atuais “bicicletas” elétricas, por exemplo, não são bicicletas, mas motocicletas elétricas (motor + cicleta), pedelecs ou qualquer outra coisa. As pessoas tem sido criativas ao criar coisas, mas ao nomeá-las… quanta falta de criatividade!

Claro que 80% disto é problema da mídia, que não é feita nem para pensar nem para fazer pensar, e na pressa coloca tudo no mesmo balaio. Sabe como é a mídia e a sociedade do espetáculo: o que importa é mostrar primeiro e chamar a atenção – e hoje em dia, com as geleiras do Ártico todas derretidas pelo efeito estufa e as cidades retidas pelos automóveis, bicicleta virou sinônimo messiânico. Colocar bicicleta numa manchete é sinal certo de audiência 🙂

Segundo, e mais importante: porque os próprios construtores do protótipo claramente colocaram a FLIZ um conceito intermediário entre “correr e andar de bicicleta”.

O projeto é alemão e concorre ao prêmio James Dayson Award. No memorial descritivo, os autores apenas disseram que se inspiraram num antepassado da bicicleta, o modelo do barão von Drais.

Dizem ainda que a FLIZ é uma adaptação do modo mais natural de transporte – a marcha a pé. O nome FLIZ vem do verbo alemão flitzen = andar ou mover-se rápido. A confusão deve ter aumentado porque usaram peças de bicicleta para construir o protótipo:

mais fotos aqui

O sistema de correias ajustáveis dá liberdade e sustentação ao corpo, proporcionando alívio nas articulações. “Graças a estas propriedades pode-se imaginar qualquer uso na área de reabilitação física e exercícios”. E relatam que uma das perguntas que orientou o projeto foi: “Como poderemos dar mobilidade a certas pessoas que, por alguma razão, não podem andar de bicicleta?”

Em nenhum momento disseram que é uma “bicicleta sem selim e pedal”, pelo contrário, dizem explicitamente que não é.

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