Arquivo da categoria: ciclovia

O Muro de Berlim

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Quando o Muro de Berlim caiu, 25 anos atrás, eu estudava alemão no Goethe Institut e estavam aqui no Brasil a Birgitt e o Andreas, fazendo intercâmbio acadêmico. Ela e ele vieram passar um tempo para ensinar, valendo crédito pra os estudos.

Naqueles dias vivi a empolgação do mundo e, bem de perto, a euforia deles dois. Hoje, ainda lembro do jeito da Birgitt e do Andreas me convidando para fazer caminhada sobre a neve das montanhas da Baviera…

Se fosse em outros países do mundo, o Muro seria derrubado e, no lugar dele, construiriam apenas avenidas de pistas largas ou estacionamentos para carros.

Mas em Berlim eles construíram uma ciclovia de 160 km ao longo do antigo Muro, para que os locais fossem visitados com a calma necessária.

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Diante destes monumentos, e do que eles representam, é necessário um outro modo de ver que só a bicicleta – ou o andar a pé – permitem.

De bicicleta, é possível conhecer o Muro de outra forma. É possível vivenciar a cidade com os sentidos, olhos, ouvidos, nariz. As impressões são mais intensas. De bicicleta é possível captar muito melhor todas as informações. Precisamos de mais tempo para o trajeto, mas com isto as emoções são mais intensas.

Günther Schluche  – Coordenador de Planejamento da Fundação Muro de Berlim

Inaugurada em 2006, a ciclovia acompanha a faixa de vegetação que foi preservada no entorno do Muro. A ciclovia passa também pela East Side Gallery, a maior galeria de arte a céu aberto no mundo.

Clique nas imagens a seguir e assista dois vídeos produzidos pela DeutscheWelle Brasil sobre o Muro de Berlim e bicicletas:

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A parte de mim que decidiu ser alemão por opção está muito mais feliz agora do que naqueles dias de festa ao lado da Birgitt e do Andreas.

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Você pode mudar sua cidade para melhor

http://money.cnn.com/video/technology/2014/10/07/how-to-build-an-innovative-city.cnnmoney/index.html

Este vídeo merece ser visto e revisto. Feito pela CNN para a série Most Innovative Cities, poderia facilmente transformar-se na síntese do programa de um governo que realmente queira mudar as coisas, prefeito, governador ou presidente da república. A bicicleta conduz a narrativa, mas o vídeo dá uma visão geral do que seria uma cidade sustentável.

O original está em inglês, sem legenda. Para dar a maior divulgação possível do conteúdo, que é muito bom, fiz a transcrição e a tradução.


Cities are old, and sometimes tough to change. But what if you could start over? And create an innovative city everyone would love. Not in a move to Mars, biodome kind of way, but here, on Earth. Let’s start close to nature, add energy efficient buildings made of renewable materials, like wood and natural rubber. Don’t forget the solar panels. And while we’re at it, let’s reduce congestion. Add in recycling and composting programs. A dense population is an important part of innovation. All of those different people meeting and sparking ideas off of one another. So let’s get all kinds of people together, create neighbourhoods with a variety of affordable housing options. Make sure these people can make a living wage and give their kids access to education. Make transportation affordable, i.e, bike lanes and bike share programs, because keeping people healthy is a priority. So let’s provide free apps and tools to keep people active and work with local farmers to provide fresh food for everybody. When infrastructure ages, let’s repurpose it. That library becomes a community centre. In order to keep a city sustainable, it’s important to elect officials who can see green. No, not that kind. This kind. But what is most important to keeping a city innovative, in short, it’s you.

As cidades são antigas, e às vezes difíceis de mudar. Mas, e se você pudesse começar de novo? E criar uma cidade inovadora que todos gostassem?? Não viajando para Marte, criar algum tipo de biodome, mas aqui, na Terra.
Para começar, vamos ficar perto da natureza, adicione edifícios energeticamente eficientes feitos de materiais renováveis​​, como madeira e borracha natural. Não se esqueça dos painéis solares.
E já que falamos disto, vamos reduzir o congestionamento no trânsito.
Adicionar um programa de reciclagem e compostagem.
Uma densa população é parte importante da inovação. Todas essas pessoas diferentes se encontrando e trocando ideias brilhantes entre si. Então vamos colocar todos os tipos de pessoas juntas, criar bairros com uma variedade de opções de alojamento a preços acessíveis.
Certifique-se que essas pessoas possam ganhar um salário digno e dar acesso à educação aos seus filhos.
Faça com que o transporte seja acessível, ou seja, com vias para bicicletas e programas de compartilhamento de bicicletas, porque manter as pessoas saudáveis ​​é uma prioridade. Então, vamos fornecer aplicativos e ferramentas gratuitas para manter as pessoas ativas e trabalhar com os agricultores locais para fornecer alimentos frescos para todos.
Quando a infraestrutura envelhecer, vamos dar outra utilidade para elas. Essa biblioteca torna-se um centro comunitário.
Para manter uma cidade sustentável, é importante eleger pessoas que olhem para o verde. Não, não é desse tipo ($$). Este tipo (natureza).
Contudo, o mais importante para mudar e manter uma cidade inovadora, em suma, é você.


Você pode ver o vídeo em tamanho maior na página da CNN.

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Ciclovias na Asa Sul – quadras 300 e 700

Depois de ter dado prioridade às ciclovias “da Copa”, no eixo Monumental, o GDF voltou com as obras das ciclovias na Asa Sul.

Nas quadras 700, o concreto já foi colocado desde a frente do Colégio Leonardo da Vinci até a altura da UDF e transformadores da CEB. IMG_0575_tn

Está passando em frente à Casa Thomas JeffersonIMG_0576_tn

Em breve chegará ao DetranIMG_0578_tn

Os cortes estão sendo feito na altura da Aliança Francesa, com um braço da ciclovia que desce até a W3, passando ao lado do Jardim de Infância 21 de Abril. IMG_0551_tn

Ligação semelhante até W3 também foi feita na Praça do Índio (fico devendo a foto….)

Nas quadras 300, os piquetes estão colocados da 302 à 305 Sul.

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O projeto continua o mesmo, já mostrado aqui no blog. Nada de novo: é uma obra feita apenas para evitar o conflito com automóveis (diga-se: conforme solicitação feita durante anos, pelos cicloatletas e cicloativistas de fim de semana, para os governos Roriz, Arruda, projeto adotado sem nenhuma modificação pelo atual governo Agnelo).

Há trechos em que a ciclovia é necessária, trechos em que é completamente desnecessária e, onde deveria resolver os problema mais graves, o GDF e seus órgãos se omitem (outro modo de dizer que deixam tudo como era antes: nos cruzamentos com as vias de carro e estacionamentos, a ciclovia “desaparece”).

Ciclovias feitas com design focando e priorizando o trânsito motorizado, para retirar os ciclistas e deixar as ruas livres para os automóveis (ideia dos planejadores urbanos de Adolf Hitler). Feitas nas áreas de pedestres e áreas verdes, desconexas, com diversos obstáculos e muito confusa, como mostra a comparação abaixo.

Já que querem fazer, que façam. É bom que seja assim. Também se aprende pelo erro (isto inclui governo e ciclistas). E no futuro, como sociedade poderemos e vamos dizer: não, concreto no chão não resolve o problema. Precisamos de mais!

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Ciclovias, uma mentira repetida mil vezes….

Publicaram uma matéria na página do GDF, em julho, que me fez rever a decisão de não perder tempo com certas coisas estúpidas.
Acho que vale a pena, até porque é engraçado.
Então: Brasília terá mais espaço para ciclistas do que Kopenhav ou Amsterdam?

A matéria se apega aos dados brutos. Acho que andam pensando muito na copa do mundo, pois nos jogos de futebol, onde quem faz mais gols na partida, ganha. Brasília terá (?) 600km de ciclovias e Amsterdam tem 400km. Conclusão óbvia da matemática do 1º ano primário: “Brasília 6 x Amsterdam 4; Brasília é campeã”.

Basta fazer um cálculo simples para esta bobagem arrogante cair por terra. Segundo dados oficiais, na Wikipedia, o DF tem cerca de 6.000 km². A área metropolitana de Amsterdam tem 1.815 km². Fazendo a regra de três (6.000*400=1.815*x), percebe-se que, para ter a densidade de malha cicloviária de Amsterdam, o GDF teria que construir não 600, mas 1.200km de ciclovias!

E tem mais: 1km de ciclovia de Amsterdam tem melhor qualidade e desenho do que todos os 600 (?) kms de ciclovias do DF juntos.

E ainda mais.

Logo após esta matéria, que diz “Dentro do programa Rotas Cicláveis, serão construídos estacionamentos públicos para as magrelas e haverá…”, houve inauguração do Cine Brasília.

Tinha até uma faixa no eixo “Agnelo, a comunidade agrade….” [quem mandou fazer a faixa não deve ter consultado nem o vizinho do lado ;-)].

Não vou muito a cinema, gosto mais de livros. Mas fiquei curioso com toda a propaganda que o GDF está fazendo pro-bicicleta, Brasília melhor que Amsterdam e fui checar se, no Cine Brasília recém-reformado, onde se gastou 83 milhões (mas não trocou o projetor….), se na obra foi incluído um bicicletário. Afinal, Brasília, capital das bicicletas, blá-blá-blá.

Advinha??

cine_brasília

no Cine Brasília não tem bicicletário!!!

Uma política de incentivo às bicicletas que se restringe apenas às ciclovias tem qualquer outro objetivo, menos incentivar o uso das bicicletas.

Imagina se fosse carro. Imagina se, na reforma do Cine, tirassem todas as vagas de automóveis e fizessem um espaço de convivência no local.

O uso de carros seria menos abusivo se as pessoas não tivessem onde estacionar. Veja a polêmica dos estacionamentos subterrâneos na Esplanada. Por que fazer mais estacionamentos? Porque é clara a óbvia a vontade do governo de continuar incentivando o uso de carros. Caso contrário, em vez de favorecer, deveria tomar medidas restritivas.

Imagina um governo construir apenas vias e não deixar disponível nenhum estacionamento para carros. As pessoas pensariam muito antes de ir de carro a algum lugar.

Certa vez fiz uma palestra na UnB e fiz esta comparação com imagens.

mapa_com_estac

Em vermelho, as áreas destinadas aos automóveis.

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Comparei com a Universidade de Oxford, Inglaterra, mostrada na imagem Google acima. Atenção: a escala é praticamente a mesma, pois as duas imagens mostram visão do satélite a 3,8 km. NO mapa de Oxford, os pontos vermelhos mostram estacionamentos para carros.

Vão contra-argumentar: mas Oxford é cidade medieval, não havia carros, e Brasília é cidade do século XX, do futuro, da nação grande. Sim, é exatamente este o argumento: numa cidade onde não há espaço para carros, o uso do carro é desestimulado.

Oxford é famosa pelo uso da bicicleta. UnB é famosa pelo trânsito caótico, nervoso e engarrafado de automóveis. (sem falar nos motoristas que inventam vagas nos mais inusitados lugares…). E ainda perguntam por quê??

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Porque é dada prioridade ao automóvel!! Quando construíram os Pavilhões, da área total, 54% foi e é destinada a fluxo e estacionamento para carros.

Pego a UnB como exemplo, porque a parte contem o todo em si. Brasília é exatamente igual. Veja nas imagens de satélite as áreas reservadas para estacionamento de carros no área central da cidade. E o GDF ainda quer construir estacionamentos subterrâneos!

Um governo que usa ciclovias como mote de autopropaganda

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mas não constrói bicicletários??

Qual seria uma boa sessão de cinema no Cine Brasília, cidades das ciclovias sem bicicletários?

O primeiro filme, óbvio: Ladrões de Bicicleta

Depois, uma seleção de tramas com muita mentira e enganações:

– VIPs, com Wagner Moura.

– Ligações Perigosas (Glenn Close e John Malkovitch).

– Os Safados

– Acima de Qualquer Suspeita (com Harrison Ford)

– Prenda-me se for capaz

– A mão que balança o berço

– A malvada

– Adeus, Lenin!

– Nove Rainhas, com Ricardo Darín.

Uso da imprensa para manipular:

Ausência de malícia

Para finalizar, filmes que mostram a distopia de governos totalitários, e usam a propaganda para manter a população dopada, adormecida e pacificada:

Matrix

Fahrenheit 451, dirigido por François Truffaut

THX 1138, de George Lucas

1984, dirigido por Michael Radford

Metropolis, de Fritz Lang

O vingador do futuro

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não tomei a pílula vermelha hoje 🙂

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Ciclovias do DF: falhas graves

Estive ocupado por duas semanas, preparando uma palestra que apresentei na PUC-Rio, por isto nem tive tempo de atualizar o blog.

E volto a escrever aqui quebrando uma promessa: disse que não tocaria mais no assunto, mas não posso deixar escapar. Durante o seminário no Rio, fiquei sabendo de uma notícia-bomba. No dia 19 de março, terça-feira, o Tribunal de Contas do DF publicou em sua página inicial uma notícia que copio aqui em imagem:

TCDF
http://www.tc.df.gov.br/web/tcdf1/

– a notícia está transcrita na íntegra no final deste post –

É muito chato dizer isto, mas não foi por falta de aviso!

Muito chato porque sabemos o quanto de energia humana foi desperdiçada, quantos milhões de reais foram gastos inutilmente, dinheiro público concretado sem critério nem estudo. Vários ciclistas tentaram avisar que estava tudo errado, mas não fomos ouvidos.

Na verdade, fomos atropelados por interesses pessoais, oportunismo e populismo.

do saite Roads Were Not Built For Cars

Transcrevo, para ficar na história, o texto integral da notícia, retirado da na página do TCDF

Secretaria de obras deverá explicar falhas graves em obras de ciclovia

Diante dos indícios de ilegalidades na construção das ciclovias no Plano Piloto decorrentes da Concorrência Pública n° 039/2009 – ASCAL/PRES, o Tribunal de Contas do Distrito Federal determinou à Secretaria de Estado de Obras do Distrito Federal que preste, em até 15 dias, esclarecimentos sobre as falhas apontadas pelo corpo técnico do TCDF.

Entre as possíveis irregularidades estão: a má execução dos serviços de implantação e de concretagem das ciclovias, em virtude de fissuras, trincas e ondulações em alguns trechos; a reexecução dos serviços nas Superquadras 215 e 216 Sul; danos às redes de infraestrutura, principalmente de água e de telefonia; danos causados às faixas verdes das Superquadras 200 e 400 Norte e Sul, uma vez que raízes de árvores estariam sendo cortadas de maneira indiscriminada; danos causados às calçadas de pedestres existentes, causando prejuízo aos cofres públicos; o compartilhamento de calçadas de pedestres e ciclovias sem a observância da faixa mínima projetada de 3m; a ausência de previsão de rede de iluminação das ciclovias; e a omissão do Comitê Gestor da Política de Mobilidade Urbana por Bicicletas do DF em cumprir com as competências a ele atribuídas pelo Decreto n° 32.245/10.

Também foram apontadas falhas como alteração no Plano Piloto sem autorização federal; violação ao patrimônio histórico e artístico nacional e ao tombamento da cidade, por conta da instalação das ciclovias sobre as molduras verdes das Superquadras; não aprovação dos projetos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan; ausência de realização de audiência pública com a população interessada, em desrespeito ao Estatuto das Cidades e à Lei Orgânica do Distrito Federal; falta de aprovação prévia dos projetos das ciclovias pelo Detran/DF e ausência de licenciamento ambiental.

A SO/DF também deverá elencar os eventuais casos em que tenha sido verificada a necessidade de destruição e reconstrução de trechos da ciclovia devido a erro ou inadequação de traçado ou de projeto, detalhando as ocorrências e as medidas adotadas. A Casa Civil da Governadoria do Distrito Federal também tem prazo de 15 dias para encaminhar ao Tribunal as alegações que entender pertinentes.

Processo nº: 17317/12

A capital do país

Qual é a cidade que tem avenidas largas, onde motoristas andam a 80km/h em carrões?

Haverá um estádio modernissimamente mirabolante para a Copa.

Esta mesma cidade construiu várias ciclovias para raríssimos ciclistas.

Ainda não sabe?

É Doha, capital do Catar, país que está sediando a Conferência do Clima, mas é o maior poluidor per capita do mundo.

A DeutscheWelle fez uma galeria de fotos mostrando esta gritante disparidade entre intenção e gesto, de onde tirei três fotos e suas legendas:

(Tirando a avenida beira-mar) qualquer semelhança não é coincidência!

😀

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Adequações para a ciclovia

Qual é o governo que pede “sugestões de adequações” quando uma obra já está em fase de término?
É o mesmo governo que, enquanto usa as ciclovias para falar de trânsito sustentável, derruba mais de uma dúzia de árvores para fazer ligação entre o eixão e as tesourinhas, a fim de “dar conforto e comodidade aos motoristas”.

árvores cortadas no eixão sul

Trânsito sustentável não é só construir ciclocalçadas, é colocar fortes restrições aos automóveis!

sapucaia cortada pelo GDF no eixão norte

Esta segunda foto mostra o que sobrou de um raro espécime de sapucaia, árvore que está em processo de extinção no seu habitar natural (e, a depender dos automóveis e do GDF, seu lacaio, corre o risco de extinção também  na cidade…).

Veja como o asfalto passou longe da árvore. Precisava derrubá-la? A mentalidade rodoviarista não é verde. Mesmo que diga que é, mesmo que o jornal diga que é. Sustentabilidade e respeito à natureza se prova com atos.

Qual é o governo? É o mesmo que gasta milhões de reais para pintar faixa exclusiva para ônibus na avenida e, em seguida, poucos dias depois, arranca todo o asfalto para fazer novo recapeamento. [Inventaram a faixa exclusiva descartável!]

Qual é o governo? É o mesmo que tem como lema “apresentar-se como modelo de gestão em mobilidade urbana por bicicleta, tornando o DF referência nacional neste segmento.”

O GDF, sua Secretaria de Transporte, sua Novacap, por suas soluções criativas para as bicicletas, como acostamentos cicláveis e ciclocalçadas, todos serão referência nacional, com indicação para receber um prêmio.

Quer consertar a ciclovia? Pergunte-me como.

Para contribuir com isto, apresento uma sugestão de adequação para as ciclovias do Plano Piloto: os Dispositivos Inclinados de Aceleração Vertical Para Proteção da Vida e Solução de Conflitos MV-RA-2014, também conhecidas como rampas de mobilidade vertical por bicicleta!

Em detalhe:

E já vem com diagrama técnico de instalação:

Qual é o maior problema das ciclovias do Plano Piloto? Elas são calçadas que terminam no meio fio do lado e cá e continuam no meio fio do lado de lá. As rampas são a solução ideal, pois permitem que os e as ciclistas continuem seu trajeto sem interrupção. Mais do que isto: como vão acelerar várias vezes para pegar impulso várias vezes de forma a transpor, pelo ar, vários cruzamentos, o tempo gasto no trajeto será reduzido sensivelmente!

Não, não é ideia minha. Pela internet, descobri que solução semelhante foi aventada certa vez na cidade chinesa de Di-pshit: traduzindo pro inglês, as Stunt Jump with Fun Flybox-End Over Junk Ramp. O primeiro trecho foi construído sem consulta aos “bikers” e sem adequações:

!!!!!!!

O maior erro, contudo, foi não usarem concreto:

Desviaram a verba para festinhas particulares da primeira-dama com acompanhantes. Quando saiu foto no Feiceburguer, foi um escândalo e todo projeto desceu rampa abaixo!

Mas aqui é diferente! Temos representantes da sociedade civil sendo diariamente consultados e niguém quer ganhar dinheiro com as ciclovias.

O que importa mesmo é a qualidade técnica da proposta. As rampas DIAVPPVSC-MV-RA-2014 acabam com todas as dores de cabeça do Detran! O órgão ainda não encontrou uma forma de conciliar sua carrofilia com o art. 29, § 2º do Código de Trânsito, que determina prioridade para as bicicletas. Adotando os dispositivos inclinados de aceleração vertical, todos os problemas terão acabado. Os ciclistas estarão livres de conflitos com automóveis! “A vida em primeiro lugar.” Os motoristas poderão seguir seu fluxo com conforto e comodidade, sem serem importunados pelos ciclistas que querem cruzar a via. “Quer morrer, imbecil? sai da rua, imbecil! e vai pra ciclovia (imbecil)”.

Além disto, para inveja mortal do cicloativismo das outras cidades brasileiras, o GDF vai enfim colocar as bicicletas acima dos carros.

Sucesso garantido! As ciclovias adequacionadas não só vão “proteger a vida”, como trarão cores, luzes, alegria e adrenalina para a vida de todos os ciclistas do Plano Piloto. O DF  será referência nacional.

Esta é a sugestão inicial. O ideal mesmo é convidar o Oscar Niemeyer a desenhar um projeto ultramoderno, moldando o concreto em formas curvas e suaves

de modo a projetar ainda mais para cima o transporte cicloviário candango.

Com emoção ou sem emoção?

Pois uma ciclovia que garanta toda prioridade para os ciclistas, mas mantendo-os ao chão, na pista, como esta:

…isto é coisa de cidades antiquadas. Ciclovias sem interrupção e emoção, frias e monótonas e racionais e lógicas como os países nórdicos. O projeto futurista de Brasília, o jeitinho e a alegria de viver dos brasileiros exigem muito mais do que isto!

Rampas DIAVPPVSC-MV-RA-2014 já!

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Veja também neste blog:

Mapa das ciclovias do DF
Mapa das ciclovias do Plano Piloto
Ciclovias da Asa Sul e Norte: coda

O perigo das ciclovias

Um casal pedalava na “ciclovia” da Asa Norte, quando…

As ciclovias que estão sendo construídas agora em Brasília são projeto do governo Roriz. Elas foram traçadas pelo extinto PEDALA-DF. Depois, mesmo entre trancos e barrancos, o projeto seguiu no governo Arruda. Até que, mudando apenas de nome, foi assumido pelo governo Agnelo.

O maior erro do atual governo não é estar construindo ciclovias. É construi-las como pensadas pelos governos Roriz/Arruda, sem tirar nem por. Usando e abusando do argumento “é agora ou só daqui a 10 anos”, a turma do Agnelo pegou um projeto sabidamente ruim e, na ânsia de mostrar serviço para a Copa 2014, na ânsia de cumprir uma decisão política-orçamentária, na ânsia de cumprir uma “promessa de campanha”, tratorou ciclovias de cima a baixo. Demagogia.

Ora, um governo que usa o argumento “é agora ou daqui a 10 anos” mostra exatamente que não houve qualquer mudança de paradigma. Foi movido pelas circustâncias e oportunismo. Caso tomasse a bicicleta como elemento decisivo para melhoria do trânsito e da cidade, um bom governo diria: “herdamos este projeto, ele está pronto para ser executado, mas é ruim; vamos começar do zero para fazer uma coisa boa, dentro de uma nova visão. É nossa prioridade e sairá o mais breve possível. Vamos discuti-lo com a comunidade. ” Não foi isto que aconteceu.

E qual é a velha visão, do século XX, sob a qual as ciclovias foram pensadas, desenhadas, projetadas e, agora, construídas? Um modo carrocêntrico e rodoviarista de ver o mundo, típico do “século do automóvel” [e da bomba atômica e do nazismo]. Esta velha, antiga e ultrapassada visão se baseia em duas idéias centrais:

1) andar de bicicleta é perigoso
2) o espaço do automóvel é intocável

Ambos argumentos são usado e defendidos inclusive por ciclistas – não ciclistas que usam a bicicleta como meio de transporte, no dia a dia, mas ciclistas de trilha ou de passeios escoltados. Eles são motoristas durante a semana e ciclistas nos intervalos. Emocionam-se, colocam a mão no peito e no capacete e dizem “é preciso proteger a vida”. Um grito de guerra que parece santificado, mas no fundo mistura “bicicleta é risco de vida” com “ciclovias protegem os ciclistas”…

É verdade isto? ciclovias protegem os ciclistas?

Não.

Está mais do que provado, em estudos no exterior, que no cômputo geral ciclovias não protegem nem reduzem a taxa de atropelamento de ciclistas. Em certos casos, houve até aumento do número de atropelamentos. (clique aqui para ver uma compilação de textos)

O que dá segurança ao ciclista? Uma política séria e consistente de valorização da bicicleta e uma forte e maciça política de restrição aos automóveis. Não são medidas mágicas, imediatistas como tratorar ciclovias, mas vão trazer mais ciclistas para as ruas – mesmo que demore mais tempo. É simples assim: quanto maior for o número de bicicletas, mais seguras serão as ruas.  Ciclovia é apenas uma das formas de se conseguir isto. Mas não a única, nem a melhor.

As ciclovias do Plano Piloto, pensadas e construídas por quem acha que andar de bicicleta é perigoso, por quem não aceita de forma alguma restringir o uso do automóvel e os maus hábitos dos motoristas, tais ciclovias são a concretação desta mentalidade ultrapassada.

[preciso ser honesto e reconhecer que alguns trechos são necessários, vieram suprir inclusive a carência de calçadas – como a ligação entre a subestação da CEB e a Esplanada. Mas 80% da obra é desnecessária, pois apenas constroi outra calçada onde já havia calçadas. Agora temos 3 calçadas paralelas e subutilizadas!]

O que precisava ser feito não foi feito nem será: o correto tratamento nas entrequadras, para o ciclista poder sair da calçada e cruzar a pista. Nestes locais, a bicicleta precisava ter preferência sobre os automóveis. Está na lei. Mais importante do que estar na lei, evita que o bicicletista tenha que parar e recomeçar a pedalar, movimentos que dão muito desgaste físico e são incômodos. Um boa política cicloviária pensa sobretudo no conforto e na comodidade para bicicletas. É preciso entender de física da pedalada, conservação da energia e eficiência!  Leia um artigo sobre isto, em inglês.

Para mostrar com imagens tudo isto que estou dizendo, acompanhem a sequência de fotos, tiradas na ciclovia das quadras 400 da Asa Norte.

O casal pedalava.

E pedestres usavam a calçadovia, como sempre.

Chegando perto da entrequadra, que não tem tratamento adequado para ciclistas, pois a calçadovia acaba no meio-fio, o que fazer?

O homem pára, mas a mulher continua…

… e não é atropelada por questões de décimos de segundo e centímetros!!! O carro freiou forte.

Depois do susto, ainda tem que descer da bicicleta

para poder subir na calçada do outro lado.

E se tivesse menos sorte? Se fosse uma criança? Uma senhora idosa, com menos agilidade? Qualquer ciclista que calcule mal o tempo de aproximação dos carros que fazem a curva? E se o(a) motorista do carro tivesse menos reflexo e não freiasse a tempo?

São estas as ciclovias para “proteger a vida”? São estas as ciclovias que tornaram andar de bicicleta “menos perigoso”???

Não são ciclovias. São apenas calçadas com rebaixamento de meio fio.

E isto já existia antes! não precisava gastar milhões para continuar a mesma coisa, a mesma política do GDF, o carro tendo prioridade, sempre. Uma política que mantém a dicotomia de privilégios, mas dá aos ciclistas a falsa ideia de estarem num ambiente projetado para bicicletas, seguro e confortável. É uma política subliminar de maquiar a realidade, para mantê-la sem qualquer alteração.

1) Andar de bicicleta não é perigoso – perigosos são os carros, pois eles matam.

2) As cidades, para sobreviverem no século XXI, precisam impor restrições à cultura do automóvel. A bicicleta é somente o símbolo mais óbvio desta nova mentalidade.

Este é o perigo das ciclovias: uma política demagógica, que escamoteia a verdade e mantém intacta a relação de poder e privilégio no trânsito. Que mantem pedestres e ciclistas confinados em espaços estreitos e mal feitos, para preservar o espaço e o “fluxo” dos automóveis.

Uma mentira que, tantas vezes repetida, torna-se verdade.

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Autobahn para bicicleta?

Para comemorar os 80 anos de inauguração da primeira autobahn, a DeutscheWelle fez uma galeria de fotos destacando os fatos mais significativos da história deste modelo de rodovia típico da Alemanha.

São 12 fotos comentadas, entre as quais selecionei 6.
Um blog de bicicleta falando de autobahns?? Calma.
Vá até o final e veja como tudo depende da weltanschauung – já que estamos falando dos alemães! :-). O modo de agir no mundo depende da nossa visão de mundo.

As autobahns foram criadas como “ruas só para carros”. Como já dito neste blog antes, os nazistas apropriaram-se desta ideia para expulsar as bicicletas das ruas, segregando-as em ciclovias.
A industria automobilística e a propaganda nazista caminharam juntas por um tempo.
E me pergunto o quão pouco isto mudou até hoje:

Wenn man eine grosse Lüge erzählt und sie oft genug wiederholt, dann werden die Leute sie am Ende glauben. 
Quando se conta uma grande mentira, repetida com frequencia, as pessoas acabam acreditando no final.
Joseph Goebbels, Ministro de Propaganda de Adolf Hitler

As propagandas de carro na TV mostram a verdade? Ou encenam um mundo falso, que, virtualizado, torna-se verdade, pelo menos enquanto desejo?? Quando o governo diz que baixa IPI dos carros para aumentar empregos, está dizendo a verdade? Não e também não.

Mas a mentira tem perna curta. Logo veio a crise do petróleo, o excesso de carros, o aquecimento global. A sociedade do automóvel mostrou sua verdadeira face.

E as autobahns, que começaram como ruas SÓ para carros, em 2010 a A40 foi fechada para automóveis. Só pedestres e bicicletas pelas ruas do grande homem!

E hoje, o conceito já é outro: autobahns para bicicletas.
O mais curioso de tudo é que uma reportagem que começou falando das autoestradas alemães, sonho de todos os motoristas fanáticos de todo o mundo, terminou falando em bicicletas!

São estas as fotos que selecionei. Leia as legendas!

clique aqui para ver a galeria completa.

É como diz a letra da música:

Nur Genießer fahren Fahrrad
Und sind immer schneller da.

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Ciclovias da Asa Norte e Sul: coda

Recebi uma carta do meu velho mestre Kant, lembrando das lições sobre imperativos categóricos. Por isto, sinto necessidade de voltar ao assunto “ciclovias no DF”, para me explicar junto aos meus 11 leitores assíduos.

Ciclovia é um assunto que foge da proposta deste blog. Mas que foi abordado aqui, gerou polêmica, e não posso simplesmente parar de falar nele sem dar uma explicação. Ou colocar um ponto final.

Sei que vão perguntar “como assim ciclovia foge da proposta de um blogue sobre bicicleta?” Então já respondo: porque ciclovia não é bicicleta, e bicicleta não se confinam em ciclovias. Ciclovias, uma vez obras de governo, são apenas a materialização de uma política pública. Que não necessariamente é uma política cicloviária, muito menos uma política de mobilidade. E pra falar a verdade, infelizmente, por tradição brasileira, que carece de uma concepção madura de cidadania, e de cidade por derivação, construção de ciclovias é apenas oportunismo político.

Discussão sobre construção de ciclovias está no âmbito das macropolíticas. E a proposta deste blogue é fazer poesia e micropolítica: dar atenção à bicicleta no pequeno, raso, cotidiano. Não bicicleta como bandeira partidária, ou política de governo, ou dogma religioso, mas a bicicleta no que ela sabe fazer de melhor: mudar o mundo mudando pequenos hábitos de cada pessoa que escolhe andar de bicicleta hoje, agora, neste momento. Que pode pedalar por ciclovia ou não. Infraestrutura é importante? Sim, mas secundária. Sem que haja mudanças no modo de ver e estar no mundo, no Weltanschauung, ciclovias de pouco servirão. Obviamente, infraestruturas cicloviárias podem ser catalisadoras de mudança, eu acredito nisto sim. É um processo dialético, ou mais que dialético: é complexo. A melhor imagem que posso trazer para ilustrar este pensamento é a construção de fractais.

O Todo é construído por padrões similares que se repetem, ou auto-similaridade em escala. Não é o Todo que determina as partes, mas é determinado por elas num sistema de funções interativas.  Não é a política do governo que determina as pessoas, mas os hábitos das pessoas que determinam o comportamento dos governos.

Passa longe de uma equação linear de X e Y. Dobrar os kms de ciclovias não significa dobrar o número de ciclistas na cidade. Aumentar os kms de ciclovia não significa, linearmente, reduzir acidentes e mortes com bicicleta. A equação tem muitas variáveis.  Pra resumir este prolegômeno: ciclovia é muito pouco para mudar a percepção de mundo e para mudar hábitos.

Pode-se falar em política pública de incentivo à leitura, que construa biblioteca sem que haja livros e leitores? Existe uma cidade esdrúxula assim, que constrói uma biblioteca sem ter livros dentro, sem ter um programa de acervo a longo prazo? Ops, existe e é esta mesma aqui…
Ciclovias são meramente obras de concreto, como uma biblioteca vazia.

Então, por que eu falei de ciclovias vários posts seguidos? Porque fui tomado de espanto e indignação. Quando vi ciclovias sendo construídas nas áreas verdes da Asa Norte, da noite pro dia, percebi logo que não se tratava de boa coisa. Depois, acompanhando as discussões pelos comentários neste blogue, e nas listas por email, percebi que a coisa era mais sórdida do que eu imaginava.

O GDF está construindo as ciclovias sem estudos e planejamento. Não há transparência nem discussão com a sociedade. Existe um GT de ciclovia, que foi manietado por sombras do Pedala-DF. Passaram meses sem publicar os mapas, dizendo que era muito difícil (eu publiquei em PDF com um trabalho de poucas horas).

E como está a situação hoje?

1) o Iphan-DF disse que as ciclovias não ferem o tombamento – mas isto é irrelevante, uma vez que o Iphan-DF, em termos de tombamento de Brasília, foi publicamente reprochado pela Presidência Nacional do IPHAN;
2) as obras foram embargadas com a condição de o GDF apresentar um estudo de impacto e de soluções e dar ampla publicidade;
3) as obras foram retomadas na Asa Norte e iniciadas na Asa Sul sem que este estudo fosse apresentado – pelo menos, não há notícia pública de que o GDF o tenha apresentando;
4) nos cruzamentos das comerciais, a preferência será dos automóveis. O ciclista vem na ciclovia, para e desce da bicicleta, sinaliza para atravessar e depois continua – é assim que o Detran-DF interpreta a “prioridade para pedestres e ciclistas” prevista no Código de Trânsito;
5) há promessa de que, em tais cruzamentos, haverá semáforos para ciclistas – tão bons e eficientes quanto os atuais semáforos para pedestres, que dão 30 segundos para atravessar e 3 minutos para os carros, e com o mesmo cronograma de manutenção periódica – nunca – das botoeiras;
6) continua a falta de transparência e publicidade do GDF, do seu GT-Ciclovia e dos representantes da sociedade civil que o compõem.

Todas aquelas reuniões havidas, seja no MPDFT ou com parcelas da sociedade, não tiveram como finalidade discutir melhorias ou debater a necessidade das ciclovias ou dar transparência. As reuniões foram feitas e agendadas com o intuito não declarado, mas óbvio, de não permitir o embargo geral das obras.

Fui à reunião no MP e se via, claramente, no rosto das pessoas, aquela ansiedade de não poder falar contra ciclovia. Quem é que pode falar contra ciclovia hoje em dia, sem ser queimado na fogueira? Quem não anda de bicicleta tem este medo. Ninguém ali, próceres do GDF ou do MP, ou das prefeituras, ou da UnB, ninguém ali anda de bicicleta. Via-se a apreensão nos olhos. Como poderiam falar contra ciclovia? Para sair no jornal no dia seguinte?

Mas eu sou contra as ciclovias que o GDF está fazendo nas Asas Norte e Sul. Porque elas são ruins, mal estudadas, mal construídas e sobretudo desnecessárias. Quando estiverem prontas, simplesmente porei em prática a grande recusa de que falou Marcuse (Eros e Civilização, cap. 7)

Mas as obras vão satisfazer o ego de alguns burocratas, de uns técnicos e de muitos ciclistas. Os ciclistas que estão dialogando com o GDF, lhe dando apoio, a quem o GDF escuta. Ciclistas que acreditam em macropolíticas e que se sentem confortáveis no colo do pai-governo.

O GDF está tratorando ciclovias, estuprando a cidade com ciclovias, e há muitos ciclistas tendo ciclo-orgasmos nas redes sociais e nas listas e nos passeios pela ponte. Uns têm gozos histéricos, diários, e, como putas, reagem agressivamente contra quem ousa ao menos questionar seus deleites. Outros gozam em sigilo, fazendo cara de dor e espanto, mas no íntimo se deliciando “finalmente teremos ciclovias na cidade”.

Não foi erro de digitação!! Não troquei o “C” de coda por aquela letra que fica logo acima no teclado…

Coda é uma palavra italiana usada em música para sinalizar o fim da interpretação musical. É a última seção; depois dela, acabou.

Quero mais voltar para minha vida em haicais. Tão insignificante quanto a grama e o verde que foi arrancado para passar uma faixa de concreto.

Na plateia
assistindo este espetáculo grotesco
ciclovaias para as ciclovias do GDF!

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