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Istambul, cidade dos livros

A BBC Brasil está apresentando a série “My City”, onde reporteres falam sobre e mostram algumas cidades do mundo. Suas próprias cidades – que revela o tamanho da rede BBC.
O terceiro vídeo da série mostra Istambul, “cidade de antigos poetas e livros empoeirados”.
Selin Girit, a reporter, vai a um antigo mercado de livros, com bazares e livrarias que atraem leitores desde o século XV, quando ainda era Império Otomano e chamava Constantinopla. Uau!
Fronteira entre Ocidente e Oriente, a cidade é sempre procurada por caçadores de raridades, que podem encontrar livros turcos escritos em armênio ou raríssimos guias de viagem.
O vídeo mostra belas imagens de livrarias, sebos e velhos livros.

mercado de livros em Istambul

sebo de livros em Istambul

sebo de livros em Istambul

livros velhos e raros, em Istambul

Certa vez, Malcolm Burgess fez uma lista dos 10 melhores livros que têm Istambul como cenário. Poderia dizer, como protagonista, personagem principal. Confira aqui, em inglês*, no saite do jornal The Guardian.                      (*publico a lista em português depois)
Um dos livros da lista é, obviamente, Istambul, de Orhan Pamuk, escritor prêmio Nobel, repleto de hüzün, palavra turca para uma forma particular de melancolia, sobre sua cidade natal.

Assistindo ao vídeo, cresceu uma vaga e intensa hüzün, ao relembrar a contigência de nascer onde nasci, e não onde escolhi.

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Vivendo revoluções, livros e bicicletas

Nestes dias estou mesmo totalmente imerso na revolução digital. Dias de novo mundo.
Recebi um email do Prof. John Pucher, anunciando seu novo livro: City Cycling.

uma resenha aqui, em inglês. E foi feito um blog específico para o livro! Clique e acesse.
Isto eu desconhecia, e é uma ideia bem legal… é como se imaginássemos o livro sendo o autor do seu blog, falando de si.

Antes da internet e do email, como eu poderia entrar em contato com um prof. que é uma das maiores autoridades em bicicleta urbana no mundo? E como poderia receber dele uma mensagem, que me remete de imediato à capa do seu livro, e conteúdo, e críticas e notícias em jornais por todo o mundo? Por carta? Pombo-correio? Só a internet permite isto.

Da mesma forma que me permite folhear uma gramática centenária, editada em 1822, e colocada online na íntegra.

As páginas do livro foram fotografadas uma a uma e colocadas neste endereço virtual.

Quando, na minha vida, poderia eu ter acesso a uma seção na Biblioteca Nacional de Portugal e ali consultar uma obra rara, passar as folhas uma a uma? Agora a Biblioteca está em minha casa…

Não tenho mais dúvida: vivo num admirável mundo novo! Que venha 2013.

 

Bicicleta: paquera, sexo, evolução

Evito fazer isto que vou fazer agora: reproduzir na íntegra uma matéria de jornal. Evito até mesmo fazer um post “clonando” o que sai em jornais e revistas. Mas esta matéria da BBC Brasil é incrível. Eu já sabia da importância da bicicleta para a liberação feminina. Mas dizer que a bicicleta permitiu que os jovens namorassem e fizessem sexo para além das próprias aldeias, sendo mais revolucionária do que a pílula, é algo inusitado!

A reportagem também diz algo que a grande imprensa geralmente evita dizer ou reconhecer: foi a bicicleta que revolucionou as cidades, não o automóvel. As ruas foram pavimentadas primeiramente para bicicletas. O carro só pegou carona. Melhor do que tudo isto é reconhecer que a bicicleta foi o invento mais importante nos últimos 100 mil anos para evolução da espécie humana!  Ou como tá escrito no muro: É nois na rua!

Leia na íntegra:

Saiba como a bicicleta revolucionou o sexo e a genética

Que invenção pode ter sido mais revolucionária para o sexo do que a pílula anticoncepcional, a camisinha ou o Viagra? Para um dos geneticistas mais renomados da Grã-Bretanha, a resposta é clara: a bicicleta.

Bicicleta | Foto: BBC

Bicicleta alterou padrões de comportamento do século 19, afirmam especialistas britânicos

Stephen Jones, professor do University College de Londres (UCL), uma das mais respeitadas instituições de ensino e pesquisa do país, destaca que a invenção da bicicleta foi o evento mais importante dos últimos 100 mil anos da história da evolução humana.

Para Jones, em entrevista ao programa da BBC Science Club, a bicicleta “fez com que os homens não se limitassem mais a encontrar sua companheira sexual na porta ao lado, mas, sim, transportar-se a aldeias vizinhas e manter relações sexuais com uma mulher do povoado ao lado”.

Transporte barato e eficiente

Embora a bicicleta tenha sido inventada no início do século 19, não foi até pouco mais de um século atrás que se converteu em um fenômeno de massa.

Os primeiros modelos tinham rodas pesadas e pouco confiáveis, mas dois elementos transformaram a bicicleta em um dos milagres da tecnologia moderna: a corrente e as rodas com raios.

A roda com raios feitos de cabos de metal finos e esticados permitiu acelerar o funcionamento da bicicleta.

Bicicletas | Foto: BBC
Invenção é a mais importante dos últimos 100 mil anos para a diversidade genética, diz cientista

Antes da criação da corrente dentada, as rodas eram acionadas por meio de pedais acoplados, o que obrigava contar com uma roda frontal de enorme tamanho, que acabava sendo incômoda e instável.

A corrente, além das marchas, permitiu que, com apenas uma volta do pedal, a roda se movesse várias vezes e assim foi como nasceram, há um século, as bicicletas “seguras para damas”.

Dessa forma, essa maravilha da engenharia se converteu em um sistema de transporte barato, eficiente, e acessível a homens e mulheres de todas as classes sociais.

Mais ‘paqueras’ e menos piano

A imprensa da época na Grã-Bretanha reportou que a invenção mudou a forma de cortejo entre os jovens do final do século 19.

Nos jornais britânicos daqueles dias, é possível encontrar notícias de que a bicicleta reduziu a frequência do comparecimento de pessoas à igreja, criou novas tendências de cortejo entre os jovens e até mesmo provocou uma diminuição no uso do piano.

Mas, além das transformações sociais, a ciência destaca que a contribuição mais importante da bicicleta se refletiu nos nossos genes.

Stephen Stearns, professor de ecologia e biologia evolutiva da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, defende que a bicicleta ampliou em 48 quilômetros a distância de ‘paquera’ dos homens ingleses no final do século 19.

Ele diz que a invenção estimulou ainda a pavimentação das ruas, o que facilitou, mais tarde, a incorporação do automóvel ao mundo do transporte.

Bicicleta | Foto: BBC
Bicicletas sem corrente eram mais pesadas; mecanismo facilitou a vida sobre duas rodas

Para os especialistas, deu-se assim o início a um processo de migração que dura até hoje.

Diversidade genética

Jones, do University College de Londres, ressalta que a distância entre o lugar de nascimento dos futuros cônjuges não parou de aumentar desde então.

O cientista pede aos leitores que se façam uma pergunta simples: Quão distante é a origem de seu marido/mulher em comparação com a dos seus pais?

“Se caminharmos por uma cidade como Londres hoje em dia, vemos uma variedade genética que não teríamos visto em outra época”.

A bicicleta, segundo Jones, deu início assim a um caminho rumo à diversidade genética sem precedentes, algo que tem um papel primordial no desenvolvimento do nosso sistema imunológico – o que teve repercussões futuras cruciais para a humanidade.

“A diversidade genética é a base da evolução, se não a tivéssemos, ainda seríamos muito parecidos com os primatas”, concluiu.

— fim do artigo transcrito —

Um ciclista contra as drogas

Outubro é o mês da criança.
Se falamos de imaginário infantil brasileiro, temos que lembrar Monteiro Lobato e Maurício de Sousa – que mostram ao longo dos anos serem verdadeiramente ótimos, pois permanecem apesar de toda pressão disneylândia.

Difícil, impossível dizer qual a melhor história da Turma da Mônica. Quero lembrar aqui um projeto especial, que Maurício de Sousa fez em parceria com o Conselho Nacional Antidrogas e a Secretaria Nacional Antidrogas.

[além da genialidade artística, aprecio também o fato do Estúdio Mauríco de Sousa colocar a Turma da Mônica a serviço de boas ideias e iniciativas de cunho social!]

A aventura “Uma história que precisa ter fim” está disponível online na página da Turma da Mônica.

Chama a atenção a forma direta e sem rodeios com que o problema das drogas é tratado. Longe de posturas moralistas, coloca bem os papéis da família, da escola, construindo uma trama didática como deve ser.

Na primeira vez que li, fui passando os quadrinhos, envolvido no enredo, o drama do menino viciado, a turminha se envolvendo, o susto dos pais, o coelhinho da Mônica em ação, até que, no último quadrinho, vejo isto:

Clique na imagem para ver a página do gibi inteira

O Zé Luis, que surgiu como herói para salvar a turminha, sai pedalando de bicicleta! Um ciclista contra as drogas!

Há muitas aventuras do Maurício de Sousa com biciclistas. Eles brincam, passeiam, caem. Bicicletas já foram destaque em capas de edições das revistinhas. É algo que está ali, que faz parte daquele maravilhoso universo infantil. Mas esta história de combate às drogas ficou particularmente marcada para mim como uma metáfora. Até como um oráculo.

Ciclista contra as drogas. Contra ciclovias ruins, mal projetadas, mal feitas, desnecessárias. Contra a overdose de automóveis. Contra políticos e politiquices, que estão usando a bicicleta para construir demagogia urbana. Contra altas taxas de estresse e mal humor (e  colesterol e glicose).

Um bicicletista que mostra às crianças o melhor caminho, as melhores escolhas.

O Zé Luis é o personagem mais velho da turminha e, além de bicicletas, adora livros:

Quero ser igual a ele quando crescer!

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Hobsbawm e a Bicicleta na Via

Se a mobilidade física é condição essencial da liberdade, a bicicleta talvez tenha sido o instrumento singular mais importante, desde Gutenberg, para atingir o que Marx chamou de plena realização das possibilidades de ser humano, e o único sem desvantagens óbvias.

 

Os ciclistas se deslocam à velocidade das reações humanas e não estão isolados da luz, do ar, dos sons e aromas naturais por trás de pára-brisas de vidro

Estas frases são de Eric Hobsbawm, que morreu esta semana.
As citações estão inseridas num parágrafo às págs. 107-108 do livro Tempos interessantes: uma vida no século XX, publicado pela Cia. das Letras.

Hobsbawm, que decifrou como ninguém o tempo que vivemos, mostra sua brilhante lucidez nestas poucas palavras.

É um texto curto e denso, mas pouco lembrado.

Aliás, por falar em pouco lembrado, o texto foi citado primeiramente na web brasileira pelo Sergio Tourino, do Bicicleta na Via, lá em 2004 (veja o post). Depois disto alguns blogues e pessoas copiaram e reproduziram a citação, sem indicar a fonte inicial (que coisa feia…).

Na mesma semana que perdemos o maior historiador do século XX, acabo de receber notícia de que o Bicicleta Na Via está de casa nova aqui no WordPress. Gostei da novidade, particularmente acho WordPress muito melhor do que Multiply!!
Todo o arquivo de noticias, inclusive o parágrafo do Hobsbawm, foi importado, o que é muito bom, pois o BNV foi movimento pioneiro aqui em Brasília, embora esteja longe das mídias e dos holofotes. Mas não é assim que a história é escrita muitas vezes?

Salve Hobsbawm e salve a Bicicleta na Via!

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Capas de livros

Encontrei o blog She walks softly pelo painel de destaques do WordPress.
O blog se define como um palco de esquisitices artísticas.

Muito bom! Gosto do clima gótico, sombrio e soturno, um pouco mórbido às vezes. Mas não é só isto: coloque pitadas de surrealismo e Dana, a autora, tem ótimo senso de humor. E um especial bom gosto para arte.

Mais de uma vez ela fez seleção de capas de livros que me deu inspiração para fazer igual, com livros publicados por aqui. Teria que selecionar nas minhas estantes, e ainda vasculhar bibliotecas. Nos sebos, teria que pedir permissão para fotografar as capas 😐

Enquanto não encontro tempo para fazer, mostro a seleção de capas “assombradas” que ela colocou neste post. Aprecie (mas não abra à meia noite!)

imagine o trabalho que deu para fazer as gravações nesta capa, numa época que não tinha computador nem editores de imagens!

e esta, então?? um trabalho de ourives!

primeira edição das Flores do Mal, 1858; me parece ser uma placa de metal trabalhada, colada ao couro da capa

nenhum e-book é capaz de substituir isto… fico imaginando a textura da capa, uma sensação de bordado, cada linha e letra sensível ao tato.. e a sobriedade do dourado destacando-se dos demais tons de preto e cinza? pura arte!

Outro trabalho genial. O título do livro me deu vontade de lê-lo: A terra encantada da ciência (tradução minha). Fadas soprando ventos, fazendo nascer flores e jogando água nas letras do título, formando estalactites. Para fazerem o preto e o dourado sobre a capa azul, no mínimo duas ou três sessões de gravação na tipografia. Maravilha!

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Lucy procura um tesouro, de bicicleta

Passei duas semanas de férias. Comprei um livro raro em Montes Claros – depois mostro; me decepcionei com a cidade – depois digo; e tirei fotos legais de bicicleta pelo interior do Norte de Minas.

Entre quase duas centenas de emails na minha caixa postal, achei uma notícia incrível no boletim da Sustrans-UK.

Agora, pelo Google Maps da Grã-Bretanha (http://maps.google.co.uk), é possível planejar rotas urbanas e até viagens de bicicleta.
É só escolher o ponto de partida e o destino e clicar no ícone da bicicleta! Podem ser ruas numa cidade, ou um roteiro de cicloturismo.
Na imagem copiada da tela, apontei uma seta.

Mas isto não é o melhor. Aliás, este aplicativo já havia sido lançado nos EUA e foi lançado agora  também para toda a Europa.
O melhor é o vídeo que a Sustrans fez para divulgar este trabalho conjunto entre ela, Sustrans, e o Google.

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Genial. Romântico. Criativo. Belo.

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Mundo mágico dos livros

Um livro é um mundo mágico cheio de pequenos símbolos que podem ressuscitar os mortos e dar vida eterna aos vivos. É incrível, fantástico e “mágico” que as vinte e seis letras do alfabeto possam ser combinadas de tantas maneiras, que elas possam encher com livros estantes gigantescas, levando-nos para um mundo que nunca tem fim e nunca cessará de crescer e se expandir, enquanto na Terra existirem humanos.
(…)
De repente senti muita fome. Não de comida, mas de todas as palavras escondidas naquelas estantes. Mas eu sabia que, por mais que eu lesse durante toda a minha vida, nunca conseguiria ler um milésimo de todas as frases que já foram escritas. Sim, pois há tantas frases no mundo quanto há estrelas no céu. E elas se multiplicam e se expandem continuamente, como o espaço infinito.
Mas ao mesmo tempo eu sabia que, a cada vez que eu abrisse um livro, eu veria um pedacinho desse céu. Sempre que lesse uma frase, saberia um pouco mais do que antes. E tudo o que leio faz o mundo ficar maior, ficando maior eu também. Por um momento, eu contemplei o fantástico, o mágico mundo dos livros.

Jostein Gaarder e Klaus Hagerup, A biblioteca mágica de Bibbi Bokken, pág. 148

“The Bookworm” (1850), de Carl Spitzweg

biblioteca de bicicletas

A maioria de nós conhece bibliotecas que emprestam livros. Mas você conhece uma biblioteca que empresta bicicletas? uma bicicleteca**?

Existe, sim, e fica em Londres.

O conceito inovador consiste em uma coleção de bicicletas à disposição para você escolher um modelo e dar uma volta experimental.

Quem precisar de ajuda para escolher, pode pedir  conselhos aos “bibliotecários” especializados em tudo que diz respeito a bicicletas.

Existem sete tipos de bicicletas à escolha:

• dobrável
MiniVelo (bicicleta compacta aro 20 para adultos)
• fixa/single speed
• feminina, com freio contrapedal
• masculina, com freio contrapedal
• cargueira
• elétrica

o que torna mais fácil encontrar um modelo adequado – ou testar aquela bicicleta que você nunca pensou em ter uma!
Uma vez que feita sua escolha, você pode pegar a bicicleta emprestada por alguns dias, pagando uma pequena taxa. Depois disto, se você testou, gostou e decidiu que gostaria de ter a bicicleta  permanentemente, você pode comprá-la diretamente do fabricante, ali mesmo na bicicleteca**.

A biblioteca fica dentro de um daqueles típicos ônibus londrinos de dois andares, que foi convertido e adaptado.

No térreo fica a coleção de bicicletas emprestáveis e uma lojinha com roupas e acessórios. O segundo andar é uma área de estar, com uma coleção de livros (afinal é uma biblioteca!), livros sobre bicicletas, claro.

A ideia “pegue emprestado e se gostar compre” não é nova. Algumas empresas fazem isto, como a Foffa Bikes, por exemplo. Mas é preciso reconhecer o talento criativo de fazer nos moldes de uma biblioteca, e dentro de um ônibus de dois andares!

Vi a notícia no blog London Cyclist.
Com outras informações do Inhabitat.com e do psfk.com 

Mais fotos, como esta:

no blog Help! My chain came off..

.:.
**Uma questão linguística: para usar corretamente os sufixos e prefixos na morfologia das palavras, esta biblioteca de bicicletas deveria se chamar bicicloteca ou bicicleteca = biciclo + teca, bicicle + teca, assim como temos gibiteca, videoteca, mapoteca, etc. Aquelas bicicletas que carregam bibliotecas ambulantes melhor seriam chamadas bibliocicletas. Contudo, bicicloteca já caiu na boca do povo. Desta forma, só fica como opção chamar esta ideia inovadora mostrada aqui de bicicleteca!

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