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Você pode mudar sua cidade para melhor

http://money.cnn.com/video/technology/2014/10/07/how-to-build-an-innovative-city.cnnmoney/index.html

Este vídeo merece ser visto e revisto. Feito pela CNN para a série Most Innovative Cities, poderia facilmente transformar-se na síntese do programa de um governo que realmente queira mudar as coisas, prefeito, governador ou presidente da república. A bicicleta conduz a narrativa, mas o vídeo dá uma visão geral do que seria uma cidade sustentável.

O original está em inglês, sem legenda. Para dar a maior divulgação possível do conteúdo, que é muito bom, fiz a transcrição e a tradução.


Cities are old, and sometimes tough to change. But what if you could start over? And create an innovative city everyone would love. Not in a move to Mars, biodome kind of way, but here, on Earth. Let’s start close to nature, add energy efficient buildings made of renewable materials, like wood and natural rubber. Don’t forget the solar panels. And while we’re at it, let’s reduce congestion. Add in recycling and composting programs. A dense population is an important part of innovation. All of those different people meeting and sparking ideas off of one another. So let’s get all kinds of people together, create neighbourhoods with a variety of affordable housing options. Make sure these people can make a living wage and give their kids access to education. Make transportation affordable, i.e, bike lanes and bike share programs, because keeping people healthy is a priority. So let’s provide free apps and tools to keep people active and work with local farmers to provide fresh food for everybody. When infrastructure ages, let’s repurpose it. That library becomes a community centre. In order to keep a city sustainable, it’s important to elect officials who can see green. No, not that kind. This kind. But what is most important to keeping a city innovative, in short, it’s you.

As cidades são antigas, e às vezes difíceis de mudar. Mas, e se você pudesse começar de novo? E criar uma cidade inovadora que todos gostassem?? Não viajando para Marte, criar algum tipo de biodome, mas aqui, na Terra.
Para começar, vamos ficar perto da natureza, adicione edifícios energeticamente eficientes feitos de materiais renováveis​​, como madeira e borracha natural. Não se esqueça dos painéis solares.
E já que falamos disto, vamos reduzir o congestionamento no trânsito.
Adicionar um programa de reciclagem e compostagem.
Uma densa população é parte importante da inovação. Todas essas pessoas diferentes se encontrando e trocando ideias brilhantes entre si. Então vamos colocar todos os tipos de pessoas juntas, criar bairros com uma variedade de opções de alojamento a preços acessíveis.
Certifique-se que essas pessoas possam ganhar um salário digno e dar acesso à educação aos seus filhos.
Faça com que o transporte seja acessível, ou seja, com vias para bicicletas e programas de compartilhamento de bicicletas, porque manter as pessoas saudáveis ​​é uma prioridade. Então, vamos fornecer aplicativos e ferramentas gratuitas para manter as pessoas ativas e trabalhar com os agricultores locais para fornecer alimentos frescos para todos.
Quando a infraestrutura envelhecer, vamos dar outra utilidade para elas. Essa biblioteca torna-se um centro comunitário.
Para manter uma cidade sustentável, é importante eleger pessoas que olhem para o verde. Não, não é desse tipo ($$). Este tipo (natureza).
Contudo, o mais importante para mudar e manter uma cidade inovadora, em suma, é você.


Você pode ver o vídeo em tamanho maior na página da CNN.

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Bicicletas de bambu, madeira, papelão e sucata

Para sua série Futurando!, a DeutscheWelle fez um especial esta semana sobre bicicletas construídas com materiais inusitados.

Clique na imagem abaixo, que mostra bicicletas feitas de madeira de carvalho, para acessar a página. Depois, clique no vídeo  embutido e assista, 5 minutos.

bought_bike

Fiquei admirado ao saber que, dependendo da espessura das paredes do bambu, a bicicleta fica mais ou menos macia. Incrível!!

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tudo se vende

Sugestão de leitura, que recebi de Fabrício Meira de Figueiredo e fiquei com os olhos coçando para ler:

“Está certo furar fila? E pagar para furar fila? Mas se você estivesse comprando uma passagem aérea, pagaria um adicional para passar à frente dos demais na fila e assim economizar tempo? É provável, se tivesse recursos disponíveis. Mas, e se não tivesse, se você fosse a pessoa da fila que fica para trás a cada um que paga aquele adicional, concordaria com isso? Ainda acharia isso certo? Esse é um dos exemplos que Michael J. Sandel usa para discutir, entre outras coisas, ética em uma sociedade de mercado, onde tudo ou quase tudo está à venda. Há exemplos mais intrigantes: direito de abater um rinoceronte ameaçado de extinção (US$150 mil), barriga de aluguel indiana (US$6.250), fazer fila no Congresso americano para um lobista que pretende comparecer no dia seguinte (US$15 a US$20 por hora). O que todos esses exemplos têm em comum? O desconforto que eles geram em nós quando pensamos nisso, porque não é um assunto fácil. Pensar sobre isso é pensar sobre ética. Mas o autor consegue deixar o tema divertido e instigante em ‘O que o dinheiro não compra, os limites morais do mercado’”.


O Que o Dinheiro Não Compra. Os Limites Morais do Mercado
Michael J. Sandel. Civilização Brasileira, 2012. 240 páginas
ISBN: 978-85-2001-148-5

Está esgotado, mas pode ser encontrado em livrarias alternativas e sebos.

Leia um artigo sobre o livro: Por US$ 150 mil, você pode matar um rinoceronte-negro

A propósito do assunto, vi na BBC, semana passada, que moças no Japão estão alugando as coxas para anúncios de propaganda.

??????????

Quando li pela primeira esta placa, de uma loja de usados em Montes Claros, achei um absurdo esta detuparção da máxima de Lavoisier!

Claro que foi um jogo de palavras – inteligente até – com a lei de conservação da matéria. Para uma loja de usados, seria a “lei de conservação dos objetos”, e lembrei agora de Hannah Arendt, que fala sobre isto no seu excepcional livro A condição humana, dos objetos como fruto do trabalho humano, da atividade de transformar coisas naturais em coisas artificiais. Neste sentido, a loja faz sua parte no mantra recicle, reduza, reuse, não é?

Mas… quando a gente lê “tudo se vende” choca um pouco!
é tudo, tudo mesmo?

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Árvores em bicicletas

Em geral somos surpeendentemente conservadores quando pensamos no material de que as coisas são feitas. Um armário feito de peças de bicicleta? Seria estranho…

E uma bicicleta feita de um armário? Mais estranho ainda?

Pois é isto que faz a dupla Bill Holloway e Mauro Hernandez, de San Jose, Califórnia (EUA). Donos da empresa Masterworks Wood and Design, eles já esculpiram 10 bicicletas de madeira, todas cruisers ou praieiras.

O verbo é este mesmo: esculpiram. As bicicletas são verdadeiras obras de arte

como bem diz o slogan que eles adotaram para o negócio: Art you can ride (Arte que você pedala).

Eles passam horas em busca dos mais belos móveis usados para reaproveitar a madeira. Uma belíssima aplicação do segundo princípio dos “3Rs”, reduza, reuse, recicle. Também aproveitam árvores urbanas condenadas, uma forma de salvá-las, de lhes dar nova vida e reescrever sua história.

As bicicletas custam entre US$ 5.500 e 7.500 (R$9.900 e 13.500). Mesmo assim, como gastam muitas horas entalhando as peças, o lucro é quase nenhum por enquanto.

Holloway já trabalhava com arte em madeira, abriu uma marcenaria para atender casas de alto luxo. Sabendo pouco de escultura, Hernandez, que tem excelente habilidade como desenhista, coloca no papel as ideias do parceiro de negócio.

A ideia de construir bicicletas de madeira foi de um amigo, que conhecia a paisão de Holloway por bicicletas e arte em madeira. Primeiro eles fazem um protótipo de madeira compensada, depois entalham a bicicleta. Em cada um destes trabalhos gastam cerca de 85 horas.

Veja, neste vídeo, parte do processo de produção:

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O quadro é feito de mogno, que garante força e flexibilidade. O acabamento é feito com óleo de pau-rosa brasileiro – o mesmo óleo que é a base do perfume Chanel nº 5 e outros.

Atenção: estima-se que, no Brasil, mais de 2 milhões de árvores pau-rosa tenham sido derrubados, sem o correspondente replantio, o que levou a árvore a ser incluída na lista de espécies ameaçadas 😦

Visite woodbicycle.com, ou clique em qualquer das iamgens acima, e veja a coleção de bicicletas, em dezenas de fotos em alta resolução. Para ver, admirar, babar, e ficar com vontade de pedalar uma obra de arte destas!

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– com informações do jornal Santa Cruz Sentinel, por indicação da Flavia Nepomuceno, e do TreeHugger –

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Reciclando bicicletas

Read this in English

A bicicleta tem mais de 100 anos de existência e continua sendo algo inovador e desafiador.

Inova a partir do momento que tem sido relembrada como solução para problemas atuais e futuros, como o aquecimento global e o colapso do trânsito motorizado.

Mas ao mesmo tempo desafia, pois requer uma nova visão de mundo, de consumo e de hábitos individuais. Um novo Zeitgeist.

Nos quase 100 anos que ficou ofuscada pelos carros, a razão é simples: os carros se adaptam mais àquela visão hoje ultrapassada de um progresso infinito, um crescimento sem fim num planeta limitado.

Mas a bicicleta, como objeto fabricado, carrega consigo as mesmas questões de outros materiais da era industrial: o que fazer quando ela fica velha? o que fazer com pneus velhos, as câmaras de ar usadas e peças desgastadas?

A resposta mais óbvia é: mandar para a reciclagem. Tudo na bicicleta pode ser reciclado, o metal das peças e do quadro, as borrachas.

Mas há soluções ainda melhores. Em vez de reciclar, reusar!

Algumas pessoas (muito!) criativas estão empregando peças usadas de bicicletas para construir outros objetos. Peças de metal já são reutilizadas há certo tempo para fazer relógios, mesas, lustres, etc.

O reuso dos pneus, porém, é coisa ainda escassa.

Normalmente, os pneus não são recolhidos pela coleta de lixo comum. Se existe algum tipo de coleta seletiva com destino à reciclagem, está faltando a divulgação por parte do município. Algumas pessoas ficaram envergonhadas em me dizer o que faziam com os pneus. São deixados em calçadas a espera de algum interessado que os recolha. Caso isso não ocorra, são recortados, colocados em sacos de lixo e recolhidos pela coleta comum com destino ao aterro sanitário. Ou, depois de acumulados nos depósitos das oficinas por muito tempo, os pneus são QUEIMADOS! A falta de informação é tanta, que tem muita gente que nunca ouviu falar que dá pra reciclar e fazer asfalto!
Valesca Bender

Mas alguns idéias inovadoras já estão surgindo. A designer Valesca Bender criou uma cadeira a partir de pneus usados.

Ao apresentar seu conceito, Valesca disse:

A cadeira EcoHelp é com certeza um exemplo de sustentabilidade
(…)
O conceito foi baseado no título do concurso em analogia com a vida útil de um material e as partes com as quais ele se relaciona, ou seja, prolongar “a dança dos materiais” reaproveitando-os.
Um  produto desenvolvido com materiais reciclados integra uma cadeia de ajuda mútua que contribui para a preservação  do planeta e desenvolvimento social. O “troca-troca” que prolonga a vida útil dos materiais, envolve reaproveitamento, transformação e geração de menos lixo. Uma corrente do bem que educa e inspira as pessoas à mudança.

Por ser uma idéia inovadora e desafiadora – como a própria bicicleta – a cadeira ficou merecidamente em 1° lugar no Concurso da Escola de Design de Interiores e Artes Decorativas Criart

Valesca contou no seu myebook como teve o insight:  “Faltando três semanas para entrega das cadeiras para o concurso, o pneu da minha bicicleta furou! Chegando na oficina ciclista, me deparei com muitos pneus amontoados…. Meu pneu furado, foi um sinal. Um sinal de que podemos construir uma sociedade mais justa e sustentável. Mudar atitudes e fazer coisas belíssimas, reciclando os materiais e as idéias das pessoas. Eu tinha me desafiado a utilizar algo que realmente necessitasse ser reciclado e que pudesse ajudar a resolver um problema aqui da minha cidade. A cadeira foi desenhada no mesmo dia que o pneu furou.”

Num post futuro mostrarei outra excelente idéia para reuso dos pneus das bicicletas.

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A chair made out of recycled bicycle tires

The bicycle has more than 100 years of existence and continues to be something pioneering and challenging.
It’s innovative since has been elected as a solution to our current and future problems, global warming and motorized traffic collapsed.

It’s challenging because requires a new vision of world and individual habits. A new Zeitgeist.

But the bicycle, as manufactured object, put the same questions of other human artifacts: what to do with it when it gets older? what to do with old tires and worn parts?

The most obvious answer: recycle it.
But there are even better solutions. Rather than recycle, reuse!

Some creative people are employing used bicycle parts to build other objects. Metal parts are already being reused to make clocks, tables, lamps, etc.

Recycling tires, however, is still sparse.

Usually, tires are not collected by garbage collection service. Some people were embarrassed to tell me what they did with the tires. They are left on the sidewalk waiting for people that collect them. If not, the tires are cut, bagged and collected by the garbage service which bound them to the landfill. Or, after being piled up into deposits for a long time, the tires are BURNED! Many people still lack basic information on it and have never heard that tyres can be recycled into asphalt!
Valesca Bender

But some innovative ideas are already rising. Valesca Bender, a Brazilian designer, created a chair from used tires. She had an insight when she got a flat bicycle tire.

Talking about his concept, Valesca said:

The chair EcoHelp is certainly an example of sustainability
(…)
The concept was based on the title of the contest in analogy with the life of a material and the parts to which it relates, making “dance of material” last longer by reusing them.
A product developed from recycled materials is part of a chain of mutual aid that contributes to preserving the planet and social development. The “bartering” that extends the life of materials involves recycling, processing and generating less waste. A “pay it forward” mood that inspires people to change.

Being as innovative and challenging as bicycle itself, the chair was deservedly rewarded with the 1st place in the competition’s School of Interior Design and Decorative Arts Criart.

See Valesca Bender’s blog (in Portuguese)

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