Arquivo da categoria: vida de biciclista

Ao paraíso, de bicicleta

Ótima música para começar o ano de 2015: Paradise, da banda Coldplay.

A letra fala de desilusões, sonhos e esperanças que se renovam.

E o video aproveita a imagem da bicicleta como opção de fuga de uma realidade opressiva e viagem em busca de um sonho.

Bom 2015!
Pedale rumo a seus sonhos e esperanças!
Se não dá para usar bicicleta, vá de monociclo, mas vá de alguma forma!

[.]

Lista de presentes para ciclistas de todas as idades

Pode ser difícil comprar um presente para quem anda de bicicleta. Às vezes o presente não parece tão útil, ou tão bonito, ou então é muito caro.

Nesta época do ano, é possível encontrar listas pela internet. Uma das listas mais interessantes foi mostrada pela Sustrans. Desde presentinhos, a luzes que piscam (no espírito da época!) até alforjes e cestas estilizados.

Um jogo de cartas, estilo trunfo, que compara as bicicletas mais caras, as mais rápidas, mais fortes.

Ou campainhas de bicicletas pintadas à mão pela designer Annie Legroulx

campainhas

 

Um fazedor de bolha de sabão, que une duas grandes diversões da criançada: fazer bolhas enquanto anda de bicicleta!

Que tal o Spherovelo, uma bicicletinha estilizada para crianças de 10 a 24 meses?

Para ciclistas maiores e mais experientes, um kit de ferramentas Nutter. Combinadas em um conjunto enganosamente simples, a própria capa em couro reciclado quando dobrada torna-se a bolsa que carrega o conjunto.

E os presentes podem ser embrulhados em papeis exclusivos, bicicleta como tema até na etiqueta “de para”.

 

Na loja da Sustrans tem muito mais. Fica no Reino Unido, os preços estão em libras, e o frete fica em torno de 30% do valor da compra.
Recomendo!!

O Natal já passou……?

A lista vale para o ano inteiro, aniversário, dia dos pais, namorados, uma ocasião especial – ou um dia simples e qualquer, como todo dia de pedalada, para deixar um ciclista feliz!

[.]

 

“Peças” – graphic novel sobre bicicleta

Quem anda de bicicleta sabe como é entrar numa curvar e derrapar, perdendo o equilíbrio. Sem cair, o mundo meio gira e meio, fica a sensação de onde estou?, até se recuperar.
Quem lê um bom livro sabe como é ir pela narrativa, até que um capítulo, um parágrafo muda tudo, muda o rumo.

Entrei numa destas curvas e cheguei num destes capítulos.
Mas o caminho de bicicleta e o livro continuam.
E para prosseguir, nada melhor do que falar de um livro que vai ser muito bom.
Como assim vai ser?

graphic_novel_Peças

O livro é um projeto de financiamento coletivo no Catarse.
Se você contribuir com R$ 10,00, recebe o livro no formato digital (PDF).
Se contribuir com R$ 29,00, recebe o livro impresso.
Há vários outros valores maiores para contribuição, com diferentes brindes além do livro.

Saiba mais direto na página do projeto:

“Peças” é uma graphic novel da dupla Aline Paes e Thiago Cascabulho, e primeira publicação do selo “StoryFunding – histórias com impacto”, em parceria com o Instituto Aromeiazero. Caso o livro seja financiado, 20% do valor arrecadado será destinado aos projetos do Instituto Aromeiazero.

Sinopse: M. é um manequim de loja aficionado por pedalar. Quando sua amada bicicleta é roubada, ele é obrigado a percorrer a surreal cidade em busca das peças perdidas de sua companheira, deixando um pouco de si pelo caminho.

CARACTERÍSTICAS DO LIVRO:
80 páginas em preto e branco, 17 × 10cm

Veja o vídeo:

E – mais importante! – participe você também!

Para contribuir no Catarse, você precisa fazer um cadastro. O processo é muito fácil. Depois basta logar com email e senha, ou pelo facebook, e escolher a opção de pagamento (pay pal, cartão ou boleto).
Já participei antes, no projeto do excelente CD Janelas, e agora contribuí com R$ 29,00 pelo livro impresso – porque nenhuma tela de luzinhas substitui o cheiro de livro novo!

Feliz por ser um dos futuros proprietários do livros Peças. 🙂

O caipira e a bicicleta

Minha cumadi, sabedora que sou um caipira da gema por tras desse palavriado todo, mi mandou ni meu faicebuque preu vê esse causo do Sô Geraldinho Nogueira.
Eita trem disgramado de bão! Cumé que eu nem conhecia?
Iscuita só procê vê – e tome cuidado pra num obrá de tanto ri.

Continuei assuntando na internete e deparei cum essa moda de viola “Caipira bicicleteiro”, de Nilsinho e Tanaka, que conta o mesmo causo desse caipira que foi andá de bicicleta sem sabê e se atresbuchô numa queda.

Percurando mais um tiquim, fiquei sabendo que saturdia teve o lançamento do filme “O caipira e a bicicleta”. O personage é Amâncio, o nosso Jeca Tatu distabocado de famoso, que pra ajudá a muié que si intojô arresolve ir pra cidade de bicicleta, sem sabê pedalá.

Caipira_Bicicleta_Filme

Só incontrei informações no Faicebuque, clique e dá uma espiadinha lá ó. E o filme só passô pros paulistas de Pindamonhagaba e Taubaté.

“O curta metragem foi realizado pelo Ponto de Cultura Fábrica de Documentários/TV Cidade Taubaté/Coletivo de Cinema da Cidade e a produtora independente Alex Produções; o trabalho foi todo cotizado entre os envolvidos. Os atores atuaram gratuitamente e até tiveram despesas com transporte, alimentação, vestimenta, etc.”

Aiê, sôdade da roça, da miringa de barro ionde eu bibia água friinha, da paçoquinha de pilão de pau, dos galin cantando quando o sol rachava mamona naquelas tarde infurnada…

[.]

Bicicletas na Primeira Guerra

Um mês atrás, ao ver fotos inéditas sobre o uso da bicicleta na 1ª Guerra Mundial, compartilhei-as aqui no blog.

Nesta semana, por meio da DeutscheWelle, fiquei conhecendo o projeto Europeana 1914-1918, um gigantesco museu virtual sobre a Primeira Guerra.

Lá vou eu fazer pesquisa para ver o que encontro sobre bicicletas e…. tcharam!

É possível ver não apenas fotos incríveis, mas também correspondências, cartões-postais, diários.

Naquela guerra, o ciclista passou a ser uma patente militar. Pesquisando pelo termo “ciclista”, encontra-se uma carta de um ciclista carabineiro, um livreto com a história do grupo de ciclistas da 10ª divisão de cavalaria (belga?), o Handbook for Military Bicycles (Guia de bicicleta militares)

2888

basicamente um manual de manutenção mecânica, que acompanhava cada bicicleta  – veja que, na capa, há um espaço para anotação do número da bicicleta e logo abaixo o aviso: “This book will always be carried in the Toolbag of the Bicycle to which it belongs – este livro deve ser sempre levado na bolsa de ferramentas da bicicleta à qual pertence.
O livreto está disponível na íntegra, aqui.

e até uma propaganda de guerra direcionada para ciclistas:

fond

Você se acha bom ciclista? Então, por que não pedalar para o Rei? Precisa-se de recrutas / na atuarem na Companhia S. Midland. Idade mínima 19 anos. As bicicletas serão fornecidas. Roupas e uniformes serão entregues no alistamento.

As fotos arquivadas no projeto Europeana dão uma ideia de como eram os dias naqueles tempos de guerra total.

Soldado alemão usa uma bicicleta tandem adaptada para gerar energia nas trincheiras

Soldado alemão descansa numa “cama” de cápsulas de canhão vazias

Soldados ciclistas britânicos

Mulher francesa mata a sede de um soldado belga

Ao passar pela vila de Vraignes, em março de 1917, soldados alemãs carregam crianças nas bicicletas, como forma de despertar um sentimento de amizade na população

O projeto Europeana mostra coisas ainda mais inusitadas, como este belíssimo cartão postal bordado com a insígnia da companhia de bicicletas da divisão britânica de tropa montada

4190

e a partitura de uma marcha composta por Robert DeLeye, soldado da 1ª Cia. Ciclística da 5ª Divisão Belga

cyclist_en_avant

Clique na imagem acima para ver a partitura completa.

Alguém se dispõe a gravar um vídeo tocando esta marcha??

Especialistas perguntam se as bicicletas poderiam voltar a serem usadas em guerras. Alguns respondem que sim: por serem veículos que não produzem calor, bicicletas poderiam ser um veículo alternativo para escapar da artilharia guiada por sensores térmicos.

A 1ª guerra forjou o mundo em que vivemos hoje. Politicamente representou o fim dos grandes impérios (otomano, austro-húngaro, francês). Os EUA, que já eram uma força econômica, tornou-se um poderio político. E a Rússia entrou neste cenário com a Revolução de 1917. Desde aquela época, o mundo viu a ascensão dos dois poderes antagônicos, o capitalismo industrial e o comunismo, que ainda hoje dividem opiniões, corações e mentes.
Os esforços de guerra também fizeram uma revolução na economia. Todos esperavam que o conflito fosse breve e nenhum dos países se preparou economicamente para uma longa guerra. Todos os recursos nacionais foram direcionados para o sustento da guerra, com efeitos diretos e duradouros sobre a agricultura, a indústria e o mercado financeiro. Imensas mudanças sociais decorreram da guerra. Para atender a demanda por mão-de-obra, por exemplo, as mulheres pela primeira vez ocuparam postos de trabalhos antes exclusivamente masculinos.
Mais do que tudo, por causa dos conflitos que ficaram mal resolvidos, nos campos econômico, político e social, a 1ª Guerra foi o pano de fundo para eclosão da 2ª Guerra, que radicalizou e aprofundou as mudanças que nos trouxe aonde estamos agora. Como resultado direto da 1ª e 2ª Guerras tivemos o boom da indústria automotiva.
As fábricas de automóveis foram transformadas em fábricas de veículos e armamentos militares. Com o fim da guerra, a indústria do automóvel mostrou a conta deste “empréstimo” e o que se viu foi a resposta dos governos: uma intensa e maciça campanha de incentivo e apoio ao automóvel.
Hitler expulsou os ciclistas das ruas, criando ciclovias, para garantir o fluxo crescente de automóveis. E a indústria de automóveis fez o boom da economia no pós-guerra. As bicicletas nunca mais foram usadas em combate e praticamente sumiram das cidades.

Desde os anos 60, época de agito social, e com a crise do petróleo da década de 70, as bicicletas começaram a voltar, e sinceramente espero que elas invadam todas as ruas de todas a cidades.

Mas não voltem para as guerras…

Um passeio de bicicleta até a Abadia de Corvey

Abadia_Corvey

Clique na imagem para acessar a reportagem da DeustcheWelle.

No Brasil, nenhuma cidade história é amiga da bicicleta. Os patrimônios culturais da humanidade, por aqui, estão com as ruas abarrotadas de carros, ao ponto de ser impossível tirar uma boa foto dos monumentos e de andar pelas ruas apreciando a arquitetura e a atmosfera que deveriam proporcionar.

[.]

Operação Dragão Amarelo

[ou: Como incentivar o hábito de leitura do seu filho]

O título deste artigo é o mesmo de um livro muito divertido que estou lendo.

201406112030_0001

Destinado ao público infantojuvenil, o livro mistura estórias de detetive com jogos ao estilo “Onde está Wally?”
Nas páginas pares, fica o texto, que sempre termina com um enigma. A solução do enigma está na ilustração da página ímpar:

201406112035_0001201406112031_0001

São pequenos casos vividos por um grupo de adolescentes (a Turma do Alcaçuz), Lars, um investigador da polícia, e Leo, um detetive. Clique nas imagens acima e veja se você consegue desvendar o primeiro enigma!

Por que estou lendo um livro para crianças? Porque eu leio todo e qualquer livro, basta ele ser bom. Segundo, faz parte da estratégia de incentivar o hábito de leitura do meu filho caçula. Fazemos uma “competição” de quem termina primeiro. Ou de compartilhamento: todo livro que ele ler, vou ler também, foi o que combinamos.

Yo! Estou gostando disto!! Li toda a série Diário de um banana. Agora, estou a ler a Operação Dragão Amarelo. Os próximos livros da lista são a série Deltora.

De quebra, descubro que a Turma do Alcaçuz adora bicicleta. No primeiro episódio, assim que as férias começam, foram passar uns dias fora da cidade. E foram de bicicleta. No episódio sete, que conta a estória de um cavalo desaparecido, eles descobrem uma pista importante e um provável suspeito quando voltavam de bicicleta da escola.

201406112032_0001201406112032_0001-1

Achou a pista? Deixe nos comentários.

Muitas vezes, andando de bicicleta pela cidade ou fora dela, sinto-me num mundo de estórias, pistas escondidas e enigmas a serem desvendados: de bicicleta o mundo é um livro aberto.

E eu levo meus filhos comigo.

[.]

Dia “D” das bicicletas

Há exatos 70 anos, em 6 de junho de 1944, as tropas dos aliados desembarcaram na Normandia. O dia marcou o início do fim da 2ª Guerra. Parte das operações Overlord e Netuno, o dia exato do desembarque ficou famosamente conhecido como “Dia D”.

Ao longo de 80 km do litoral da França banhado pelo Canal da Mancha, infantaria e divisões blindadas chegaram às praias. Antes deles, um assalto aéreo despejou paraquedistas em pontos estratégicos e para missões de sabotagem.
Entre aviões, navios, tanques e tropas, estavam bicicletas. Fotos da época mostram barcos cheios de bicicleta, soldados levando bicicletas para a praia e paraquedistas com bicicletas dobráveis.

tropas fazem inspeção de kits dias antes do Dia D
soldados caminham para os navios
tropas canadenses um dia antes do Dia D
canadenses cruzando o Canal da Mancha
desembarcando em Juno Beach
desembarque visto de outro ângulo

já em terra, soldados do 2º Batalhão East Yorkshire
soldados do 50ª Divisão britânica observam uma casamata alemã que abrigava um canhão anti-tanque 50mm

Os soldados usavam a bicicleta BSA Airbone, também conhecida como parabike.
Consulte esta página (em inglês) para saber tudo sobre as bicicletas BSA.

As fotos das tropas canadenses (de cima para baixo, terceira a sexta) são do Library and Archives Canada, tiradas pelo Tenente Gilbert Milne,  fotógrafo da Royal Canadian Navy e mostram a Highland Light Infantry e a os West Nova Scotia Highlanders. Podem ser vistas na página Toronto Remembers D-Day, June 6, 1944, com mais outras imagens.
A sétima foto foi copiada da página Maple Leaf Up.
As demais estão em BSA Historic.

Nenhuma guerra é justificável. Mas as bicicletas sempre cumprem seu papel de veículo rápido, silencioso e eficiente. Por isto, não poderiam faltar nesta que foi uma das maiores e mais importantes operações militares da história.

Na luta contra inimigos astutos e poderosos, leve uma bicicleta!

Bicicletas públicas em Brasília

Nem tudo que a imprensa diz é verdade, então fui conferir com meus próprios olhos.
Bicicletas públicas e Congresso Nacional

Este foi o primeiro fim de semana após inaugurado o sistema e a cidade estava uma festa.

Bicicletas Itaú e Torre de TV em Brasília

Bicicleta pública passa em frente à Catedral - Brasília - DF

Em todas as estações paravam curiosos e interessados.
Nas estações da Esplanada as bicicletas não foram suficientes. Vi pessoas descendo do carro no meio da pista e correndo até a estação para garantir as últimas bicicletas restantes na estação do Ministério da Defesa. Na estação próxima ao Palácio da Justiça havia fila, pessoas disputavam as bicicletas.
bicicleta pública - Congresso Nacional - Brasília

Perto do Memorial JK, turistas de fora da cidade pararam, comentaram, tiraram fotos.

bicicleta pública Estação Memorial JK - BSB

bicicleta pública Estação Memorial JK - BSB

Na estação Praça do Buriti, finalmente a primeira ousadia no “programa cicloviário” do DF: tomaram 5 vagas de automóveis!!!

bicicleta pública Brasília - Praça do Buriti bicicleta pública Brasília - Praça do Buriti; ao fundo Câmara Legislativa

A estação Rodoviária deve ficar bem concorrida durante a semana.

bicicleta pública Brasília - Rodoviária

Teve até quem usou a “laranjinha” para aprender a andar de bicicleta!

bicicleta pública serve pra muita coisa!

Agora é possível ir pedalando toda a extensão do Eixo Monumental, do Memorial JK ao Congresso Nacional.

bicicletas públicas passam em frente ao Congresso Nacional

Espero que seja um sucesso durante a semana e que a cidade fique cada vez mais cheia de bicicletas de todas as cores e tipos.

???????????????????????????????

Página oficial das bicicletas públicas em Brasília

Veja o mundo de outra forma

we-can-make-our-streets-safer-6

we-believe-every-child-has-the-right-1

As imagens acima foram tirada da página da Sustrans, maior entidade britânica de incentivo ao uso da bicicleta. Eles têm longa tradição de fazer campanhas Safe routes to school, rotas seguras para a escola.

A mais recente, como as outras, pede que as pessoas pressionem os MPs, membros do Parlamento, enviando-lhes mensagens. Além disto, ensina como cada um pode mudar tomando atitudes concretas no seu dia-a-dia (e assim mudar a cidade e o mundo) e pede que a campanha seja divulgada.

A Sustrans fez uma página com material para download. Entre posteres e infográficos, está um molde dos óculos e pezinhos usados pelas crianças nessas fotos.

Baixe o molde aqui.

E, se quiser, faça o que a Sustrans pede aos ingleses: monte os óculos-bicicleta, óculos-pezinhos ou óculos-patinete, tire uma foto sua com eles e coloque nas redes sociais. A campanha é deles, mas precisamos trazer este modo de ver o mundo pra cá.

Entupimos as ruas de automóveis, tornando-as perigosas para todos, mas principalmente para as crianças. Elas foram expulsas das ruas pelo trânsito motorizado. E muita, mas muita gente mesmo tem a carice de pau de reclamar que as crianças de hoje só querem saber de computadores e ipads. Diga sinceramente: que alternativas elas têm?

Acredito que toda criança tem o direito de caminhar, andar de bicicleta, patins, skate e patinetes pelas ruas. Isto pode começar pela forma como elas vão para a escola. Os carros roubaram este direito. Podemos mudar isto. Se fizermos agora, podemos mudar o futuro, com crianças mais ativas e saudáveis.

Sustrans Campaign for Safer Streets Factsheet