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“Peças” – graphic novel sobre bicicleta

Quem anda de bicicleta sabe como é entrar numa curvar e derrapar, perdendo o equilíbrio. Sem cair, o mundo meio gira e meio, fica a sensação de onde estou?, até se recuperar.
Quem lê um bom livro sabe como é ir pela narrativa, até que um capítulo, um parágrafo muda tudo, muda o rumo.

Entrei numa destas curvas e cheguei num destes capítulos.
Mas o caminho de bicicleta e o livro continuam.
E para prosseguir, nada melhor do que falar de um livro que vai ser muito bom.
Como assim vai ser?

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O livro é um projeto de financiamento coletivo no Catarse.
Se você contribuir com R$ 10,00, recebe o livro no formato digital (PDF).
Se contribuir com R$ 29,00, recebe o livro impresso.
Há vários outros valores maiores para contribuição, com diferentes brindes além do livro.

Saiba mais direto na página do projeto:

“Peças” é uma graphic novel da dupla Aline Paes e Thiago Cascabulho, e primeira publicação do selo “StoryFunding – histórias com impacto”, em parceria com o Instituto Aromeiazero. Caso o livro seja financiado, 20% do valor arrecadado será destinado aos projetos do Instituto Aromeiazero.

Sinopse: M. é um manequim de loja aficionado por pedalar. Quando sua amada bicicleta é roubada, ele é obrigado a percorrer a surreal cidade em busca das peças perdidas de sua companheira, deixando um pouco de si pelo caminho.

CARACTERÍSTICAS DO LIVRO:
80 páginas em preto e branco, 17 × 10cm

Veja o vídeo:

E – mais importante! – participe você também!

Para contribuir no Catarse, você precisa fazer um cadastro. O processo é muito fácil. Depois basta logar com email e senha, ou pelo facebook, e escolher a opção de pagamento (pay pal, cartão ou boleto).
Já participei antes, no projeto do excelente CD Janelas, e agora contribuí com R$ 29,00 pelo livro impresso – porque nenhuma tela de luzinhas substitui o cheiro de livro novo!

Feliz por ser um dos futuros proprietários do livros Peças. 🙂

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Bicicleta: entre a economia e as asas

O poeta Alberto Martins disse que “a literatura é uma zona de respiro da sociedade, como os caminhos que as minhocas abrem na terra para arejá-la. O papel da literatura é canalizar e dar voz a essas coisas que não são aparentes”.

Se vale para a literatura, vale para a arte e todas as suas manifestações. Então vale para as charges.

 

O que a charge do Rafael para o jornal O Povo tem a nos revelar, o que está oculto? Os cinco líderes pedalando em conjunto a BRICicleta dá óbvia ideia da união de forças. A charge remete à criação do banco dos BRICs, assunto que esteve na pauta da economia no começo da semana. Mas há algo mais, raízes que só as minhocas ouvem. Siga-me nesta trilha, talvez eu consiga mostrar.

Os seres humanos gostamos de achar que somos seres racionais e inteligentes. Que uma das nossas melhores sabedorias é tomar decisões racionais visando um futuro melhor. Errado! Na maioria das vezes, não somos tão lógicos como queríamos e um misto de emoções e crenças engana a nós mesmos.

Como seres humanos cheios de emoção, temos uma imensa aversão à perda, que muitas vezes nos leva direto à falácia dos custos irrecuperáveis.

Mas, o que são custos irrecuperáveis?? São todos os pagamentos ou investimentos que fazemos e que nunca poderão ser recuperados. É um dos temas favoritos dos economistas, quando estudam as escolhas intertemporais no âmbito da economia comportamental.

Um andróide com circuitos lógicos em pleno funcionamento nunca tomaria uma decisão com base nos custos irrecuperáveis, mas você e eu sim. Nossos sentimentos e instintos são mais fortes e nosso cérebro disfarça para que pareçam decisões racionais. Mas não são.

A Ilusão: você toma decisões racionais baseadas no valor futuro dos objetos, investimentos e experiências.

A Verdade: suas decisões são influenciadas pelos investimentos emocionais que você acumula, e quanto mais você investir em algo mais difícil se torna abandoná-lo.

Vejamos como acontece e o que isto tem a ver com bicicleta e trânsito.

No livro Thinking Fast and Slow

publicado no Brasil pela Editora Objetiva, o psicólogo Daniel Kahneman escreve sobre como ele e seu colega Amos Tversky, por meio de trabalho na década de 1970 e 80, descobriram o desequilíbrio que há entre perdas e ganhos em nossa mente. Kahneman, ganhador do prêmio Nobel de… economia!, explica que, uma vez que todas as decisões envolvem incerteza sobre o futuro, o cérebro humano que você usa para tomar decisões evoluiu um sistema automático e inconsciente para julgar como proceder quando surge um potencial de perda. Assim, ao longo do tempo, a perspectiva de perdas tornou-se um motivador mais poderoso no comportamento humano do que a promessa de ganhos. Sempre que possível, tentamos evitar perdas de qualquer tipo, e quando se comparam perdas e ganhos, você não vai tratá-los da mesma forma.

O economista comportamental Dan Ariely acrescenta um toque fascinante nesta questão da aversão à perda, em seu livro Predictably Irrational


(publicado no Brasil pela Campus Editora). A “dor de pagar”, como ele diz, surge sempre que você precisa desistir de qualquer coisa que você possui. O valor não importa. Você vai sentir a dor não importa o preço que você vai pagar, e isto influencia suas decisões e comportamentos.

Em um de seus experimentos, Ariely montou um estande em uma área bem movimentada. Os transeuntes podiam comprar chocolates comuns por R$1,00 ou excelentes trufas belgas por R$15,00 cada. A maioria das pessoas escolheu as trufas. Foi um bom negócio, considerando as diferenças de qualidade e os preços normais de ambos os itens. Ariely, então, criou outro estande com as mesmas duas opções, mas reduziu o preço em um real cada: os chocolates eram de graça e as trufas custavam R$14,00 cada. Pare e pense: desta vez, qual você escolheria??

A grande maioria das pessoas selecionou os chocolates comuns em vez das trufas (foi seu caso, admita!!). Se as pessoas agissem na lógica matemática pura e racional, explicou Ariely, não deveria ter havido mudança no comportamento dos indivíduos. A diferença de preço era a mesma. Mas não achamos que é dessa maneira. Nosso cérebro nos prega uma peça (por falácia, uma inverdade lógica): o sistema de aversão à perda está sempre vigilante, de prontidão para nos manter longe da ideia de desistir de algo, de desapegar. É por isso que você acumula badulaques que você realmente não quer ou precisa; é por isso que achamos tão tentador aceitar negócios que incluem brindes “gratuitos” ou descontos obscuros; é por isto que as pessoas continuam usando carros, mesmo sabendo do mal que faz à saúde (obesidade e sedentarismo), à cidade (trânsito caótico e mal uso da terra) e ao planeta (aumento do efeito estufa).

Alguma vez você já foi ao cinema só para perceber, em 15 minutos, que está assistindo a um dos piores filmes já feitos, mas você fica e assiste ao filme de qualquer maneira, até o fim? Você não quer desperdiçar o dinheiro, então você desliza para trás na cadeira e sofre – como sofre atrás do volante.

Essa é a falácia!! É o sistema emocional em alerta. Porque o dinheiro será perdido de qualquer maneira. Não importa o que você faça, você não pode tê-lo de volta. A falácia impede que você perceba que a melhor opção é fazer o que promete ser a melhor experiência no futuro, em vez de preferir “diminuir” o sentimento de perda no passado.

Kahneman e Tversky também conduziram um experimento para demonstrar a falácia dos custos irrecuperáveis. Veja como você se sai nessa.

Imagine que você vá comprar um livro que custa R$50. Quando você abre sua carteira ou bolsa, percebe que perdeu a nota de $50. Será que você ainda compra o livro? Provavelmente sim. Apenas 12 por cento dos indivíduos no teste disseram que não. Agora, imagine que você compra o livro, paga R$50, mas antes de chegar ao bicicletário percebe que esqueceu – perdeu! – o livro em algum lugar. Você voltaria e compraria outro exemplar do mesmo livro?? Talvez, mas a dor no bolso seria muito maior, não é? Neste experimento, 54 por cento das pessoas disseram que não compraria outro livro. A situação é exatamente a mesma!!

Você perde R$50 e, para poder ler o livro, precisa pagar R$50 de novo, mas o segundo caso nos parece diferente, sentimos diferente. É como se o dinheiro fosse usado para um propósito específico e depois perdido, houve uma carga emocional investida no futuro e perder é uma m*!

Os custos irrecuperáveis levam a guerras, elevam os preços em leilões e mantem vivas políticas fracassadas, como a política de incentivo ao automóvel. A falácia faz você continuar comendo o que está no prato, mesmo quando seu estômago já está cheio. Ela enche sua casa com coisas que você não quer nem usa mais. E vai fazer as cidades entrarem em colapso, pois os carros foram comprados, os viadutos foram feitos, as pistas foram duplicadas, as montadoras foram subsidiadas, o IPI foi reduzido, é muito dinheiro para poder voltar atrás agora…

foto do blog IN TRANSITU
EPTG após obras para “resolver o caos do trânsito”; foto do blog IN TRANSITU

Motoristas estão atolados em um poço de custos irrecuperáveis. Governos que buscam soluções para o trânsito de automóveis estão presos na lógica engarrafada dos custos irrecuperáveis. Eles nunca podem voltar o tempo ou o dinheiro que gastaram, mas pretendem continuar usando seus carros para evitar sentir a dor da perda e a horrível sensação de desperdício.

A falácia dos custos irrecuperáveis às vezes é chamada de falácia Concorde, descrevendo-a como uma escalada de compromisso. É uma referência à construção do primeiro avião comercial supersônico. O projeto estava previsto para ser um fracasso desde o início; mas todos os envolvidos continuaram em frente. Os investimentos que fizeram juntos deu origem a uma pesada carga psicológica que superou todos os melhores e sensatos argumentos. Depois de perder uma quantidade incrível de dinheiro, esforços e tempo, eles não queriam simplesmente desistir.

Foram em frente, como vão em frente os governos que duplicam vias, constroem viadutos, ampliam estacionamentos, reduzem IPI.

Motoristas, gerentes de trânsito, engenheiros, arquitetos, urbanistas e a imprensa continuam em frente, buscando solução para o trânsito de automóveis, mesmo sabendo que o fracasso é óbvio.

A capacidade humana de raciocínio tem defeitos provocados por forças invisíveis – emoções, relatividade, expectativas, apego, normas sociais – que nos induzem a fazer escolhas ‘previsivelmente irracionais’.

É uma tendência nobre e exclusivamente humana a vontade de perseverar, a vontade de manter o rumo, o apego ao que passou e a crença infundada no controle do futuro – estudos mostram que animais e crianças pequenas não cometem esta falácia. Vespas e vermes, ratos e guaxinins, bebês e crianças, eles não se importam o quanto investiram ou quanto vai para o lixo. Eles só conseguem ver perdas e ganhos imediatos.

Por outro lado, como seres humanos adultos, temos o dom da reflexão e do arrependimento.

Ponha-se num lugar futuro, onde você admita que seus esforços foram e estão sendo em vão, que suas perdas são permanentes, e que aceitar a verdade dói, dói muito.

Desapegue de velhos hábitos. Não espere que o governo construa nem aguarde que a polícia multe ou prenda. Assim como os líderes dos BRICs, dê o primeiro passo e a primeira pedalada em direção à mudança. As bicicletas estão aqui, e agora, só depende de você querer ganhar ou perder. Conscientemente.
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este texto foi inspirado pela charge e escrito a partir da estrutura e argumentos traduzidos do artigo The Sunk Cost Fallacy, publicado no blog You are Not So Smart, com adaptações.


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Operação Dragão Amarelo

[ou: Como incentivar o hábito de leitura do seu filho]

O título deste artigo é o mesmo de um livro muito divertido que estou lendo.

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Destinado ao público infantojuvenil, o livro mistura estórias de detetive com jogos ao estilo “Onde está Wally?”
Nas páginas pares, fica o texto, que sempre termina com um enigma. A solução do enigma está na ilustração da página ímpar:

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São pequenos casos vividos por um grupo de adolescentes (a Turma do Alcaçuz), Lars, um investigador da polícia, e Leo, um detetive. Clique nas imagens acima e veja se você consegue desvendar o primeiro enigma!

Por que estou lendo um livro para crianças? Porque eu leio todo e qualquer livro, basta ele ser bom. Segundo, faz parte da estratégia de incentivar o hábito de leitura do meu filho caçula. Fazemos uma “competição” de quem termina primeiro. Ou de compartilhamento: todo livro que ele ler, vou ler também, foi o que combinamos.

Yo! Estou gostando disto!! Li toda a série Diário de um banana. Agora, estou a ler a Operação Dragão Amarelo. Os próximos livros da lista são a série Deltora.

De quebra, descubro que a Turma do Alcaçuz adora bicicleta. No primeiro episódio, assim que as férias começam, foram passar uns dias fora da cidade. E foram de bicicleta. No episódio sete, que conta a estória de um cavalo desaparecido, eles descobrem uma pista importante e um provável suspeito quando voltavam de bicicleta da escola.

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Achou a pista? Deixe nos comentários.

Muitas vezes, andando de bicicleta pela cidade ou fora dela, sinto-me num mundo de estórias, pistas escondidas e enigmas a serem desvendados: de bicicleta o mundo é um livro aberto.

E eu levo meus filhos comigo.

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Bananas e livros

Tudo começou assim. Um torcedor espanhol jogou um banana no campo para “chamar” um jogador de macaco. A vítima de racismo, um brasileiro, teve incrível presença de espírito e comeu a banana.
Logo depois, outro jogador postou foto sua comendo uma banana e a bananice da campanha “somos todos macacos” virou viral nas redes sociais. Famosos, não famosos, todo mundo passou a comer banana.
Mas a “espontaneidade” da campanha estava com os dias contados. Logo se ficou sabendo que a tal hashtag havia sido criada e arquitetada por uma agência de propaganda e marketing. Como se tivesse infectada por um fungo mortal, a bananeira murchou e a campanha sumiu.
No meio desta bananada, recebi no Facebook:
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Estou na campanha!! Vejam quais livros estou selecionando.

Minha lista começa, obviamente, com o livro A origem das espécies, de Charles Darwin, para não deixar dúvidas que somos mesmo todos primatas. [não somos macacos! foi um erro grosseiro da agência de propaganda e de quem mais aderiu ao viral; entendo como metáfora,  usada como sinônimo de primata, mas não deixa de ser um erro científico].

A lista continua:
O macaco nu, Desmond Morris
A origem da espécie humana, Richard Leakey
A evolução da humanidade, Richard Leakey
O gene egoísta, Richard Dawkins
A grande história da evolução, Richard Dawkins

Na outra bolsa, vou levar o livro básico, que explica a necessidade de aparecer, mostrar-se, mesmo que seja pagando uma agência de propaganda para pensar por mim, ou embarcando numa campanha duvidosa:
A sociedade do espetáculo, Guy Debord

Enrolado em folhas de bananeira, levaria este livro apenas pelo título, que é genial frase de Marx e cai como luva, ops, chuteira no caso:
Primeiro como tragédia, depois como farsa, Slavoj Zizek

Já que o assunto é futebol, acho que estes livros teriam algo a acrescentar:
O homem unidimensional, Herbert Marcuse
Copa para quem e para quê? Um olhar sobre os legados dos Mundiais no Brasil, África do Sul e Alemanha. Organizado por Dawid Bartelt e Marilene de Paula, ambos da Fundação Heinrich Böll (clique aqui e leia um artigo sobre este livro).

Para finalizar, não posso esquecer de jogar livros para “quem quer conhecer o Brasil”, país do futebol pátria de chuteiras, blé, blé, blé. Além dos 10 livros indicados pelo Antonio Cândido, acrescento:

Boa ventura, Lucas Figueiredo.

Monarcas perdulários, sonegadores de impostos, aventureiros gananciosos em busca da riqueza fácil. Este era o Brasil que se formou no início, com a corrida do ouro.
Alguma diferença dos dias atuais??

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A limpar livros

Passei o feriado de Carnaval fazendo uma atividade extenuante, mas que me dá muito prazer.
Sambando? ha, ha, ha, óbvio que não!

Comecei a fazer uma faxina geral na minha biblioteca. Comecei, verbo no passado inconclusivo. Passei os 5 dias (sábado a quarta de cinzas) limpando e estou a colocar as coisas de volta no lugar até hoje.

Tirei todos os livros das prateleiras.
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Delas tirei pó, fuligem, teias de aranhas e besouros mortos. Fazia muito tempo que não dava esta faxina geral.

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Os livros foram limpos um por um. Usei uma trincha para limpar os cortes, e uma escova de roupa, e um pano seco ou levemente úmido para limpar as capas. Fiz isto em cada livro e todos, mais de 500 livros que tenho. Ufa!

Desde quando mandei instalar os móveis novos, os livros estavam uma bagunça. Simplesmente coloquei de volta nas estantes, sem qualquer critério.
Além de limpar, agora os estou colocando agrupados por assuntos: poesias, romances, filosofia, sertão catrumano, Barroco Mineiro, língua portuguesa, bicicleta etc, para deixar satisfeito qualquer bibliotecário – principalmente eu!

O maior problema com meus livros é a sujeira que acumula no corte superior, ou cabeça.
Se você não sabe o que é corte ou cabeça de um livro, pare agora e vê esta figura:

A foto abaixo mostra a graduação do problema. Desde o livro novo, cuja cabeça está limpinha, até os mais afetados.

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A idade do livro influencia no acúmulo das manchas, mas não só. A qualidade do papel também.

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Encontrei um video que ensina usar esponja abrasiva para tirar este tipo de sujeira.

Vou testar. O problema é encontrar a tal esponja abrasiva, não está sendo fácil.

Usar pano úmido para limpar livros não é técnica recomendada (leia aqui). Pode realmente estragar os livros, ou facilitar a proliferação de fungos. Mas como moro numa cidade onde metade do ano é estação extremamente seca, não tenho problemas com fungos. Além disto, minha biblioteca é lugar bem ventilado e com boa iluminação natural.

Outros recomendam usar panos umedecidos com produtos de limpeza:

http://www.wikihow.com/Clean-a-Book

No Brasil, existem panos umedecidos para limpeza à venda.
Porém, pessoalmente acho que produtos químicos podem ser mais agressivos, além de deixar cheiro nos livros. Por isto, não tive receio de usar o pano levemente úmido, quase seco.
Um pano seco basta para tirar maior parte da sujeira. No meu caso, estava precisando algo mais efetivo, porque a poeira do tempo grudou nas manchas de gordura que as mãos deixam nas capas.

Minha próxima missão é encontrar uma forma de proteger a parte superior dos livros. Não deixar que a sujeira danifique tanto. Estou pensando em uma capa específica, uma espécie de “chapéu” feito de dobradura. Assim que conseguir a solução ideal, mostrarei aqui.

Leia livros.

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Livros de bicicleta, de novo

Entre as centenas, em um cantinho da minha biblioteca agrupo os livros que falam sobre bicicleta.

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Vendo a foto, senti falta de um e outro, que devem estar espalhados.
Alguns comprei, outros ganhei de presente, e percebi que ainda não falei de nenhum deles aqui no blog.
Blog que hoje estreia visual novo, e cada vez mais coisas para escrever – em cada vez menos tempo.

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Livros são portas para a realidade

Enquanto estou no meio da leitura da série Diário de um banana, recebi de meu amigo Sérgio Tourino uma excelente dica de leitura sobre a leitura.

Um editorial de Carlos Vogt  (leia aqui) sobre Proust e seu livro Sobre a leitura. Magnífico elogio, tanto o livro quanto o editorial.
O editorial abre o Dossiê nº 94 da revista ComCiência,  em edição voltada exclusivamente para a leitura, e obviamente, para livros. (mas podemos dizer também para blogs, pois é exatamente isto, ler, que estamos fazendo aqui 🙂 )

Vogt diz, do texto de Proust:

fundamental para os que amam a leitura, para os que poderão amá-la e para os que são ou serão profissionais ou amadores desta aventura fantástica de viver, pelo imaginário, a multiplicação de sua vida e de sua finitude no infinito do espaço-tempo da memória, da percepção e da expectativa

E citando o próprio Proust:

Algumas vezes, em casa, no meu leito, muito tempo depois do jantar, as últimas horas da noite, antes de adormecer, abrigavam também minha leitura, mas isso somente nos dias em que eu chegava aos últimos capítulos de um livro, que não faltava muito para chegar ao fim. Então, arriscando ser punido se fosse descoberto e ter insônia que, terminado o livro, se prolongava, às vezes, a noite inteira, eu reacendia a vela, assim que meus pais iam deitar; enquanto isso, na rua vizinha, entre a casa do armeiro e o correio, banhadas de silêncio, o céu sombrio, mas azul, estava cheio de estrelas; à esquerda na viela suspensa, onde começava sua ascensão espiralada, sentia-se a vigília monstruosa e negra da abside da igreja cujas esculturas não dormiam à noite

Por fim, Vogt fecha seu editorial citando um trecho da entrevista do filósofo Nicolas Grimaldi:

A experiência da leitura ou da música permite antecipar o que revelará a lembrança involuntária, a saber que não há realidade que não seja interior. Ora, esta existência interior da realidade, tal como a suscita uma sensação, só a imaginação a transcreve. Mas esta transcrição é, na realidade, uma alquimia da imaginação que transforma a exterioridade em interioridade, a estranheza em intimidade, e a passividade em atividade. É isso que faz a metáfora, puro produto da imaginação, mas que exprime tanto o real quanto o recria, buscando-o no fundo de nós mesmos por um mimetismo interior.

Ou, de outra forma e com outras palavras:

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Diário de um banana, vol. 4, “Dias de cão”

 

 

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Este cara sou eu

Não posso deixar de reproduzir aqui um trecho do volume 4 do “Diário de um banana”.
(são imagens digitalizadas diretamente do livro, por isto as sombras laterais por causa da dobra da encadernação)

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os parágrafos que apontam as vantagens das bicicletas femininas diz a verdade absoluta sobre bicicletas!
Só um banana para dizer isto… eu!

(a ilustração da pág. 155 poderia servir para ilustrar os pedestres de Brasília andando nas “ciclovias”… elas andam na ciclovia e eu pedalo na calçada!)

🙂

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Livros que li e estou lendo

Já preparando a mudança no blog, retirei a lista “livros que estou lendo” que estava no menu lateral à direita.
Para não se perder o registro, copio aqui minhas últimas leituras:

Lendas da Ásia Oriental, Kikuo Furuno, Roswitha Kempf Editores
Fahrenheit 451, Ray Bradbury, Editora Globo
Zen e a Arte da Escrita, Ray Bradbury, Editora Leya
A sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón, Editora Objetiva
A biblioteca mágica de Bibbi Bokken, Jostein Gaarder, Editora Cia. das Letras
O pequeno Zacarias chamado Cinábrio, E.T.A. Hoffman, Editora Hedras

Tirando um ou outro livro que esqueci de registrar, as revistas, e Sagarana, que é leitura não terminada ainda.

No intervalo, estou lendo a série “Diário de um banana”

Diário de um banana

Fiz uma aposta com meu filho Luis Felipe, para ver quem seria o primeiro a terminar de ler todos os livros da série. Claro, fiz isto em parte para incentivá-lo a ler, pois ele gosta muito de joguinhos. Não por acaso, livros e joguinhos estão lado a lado no quarto dele, como mostra a foto acima. Aliás, agora vi que na foto falta o volume 1 da série, que deve estar em outro local da estante.

Por outra parte, quando comecei a ler o primeiro volume, gostei muito e decidi continuar. O livro é muito bom!! Estou no volume 4. Felipe já terminou todos 🙂

Identifiquei-me com o título: Diário de um banana. Poderia ser o título deste blog… você nem imagina como me sinto um banana por gostar de bicicletas e de livros. Eu podia estar roubando, falando de futebol, de carros, de música brega e de artistas de televisão. Bicicletas e livros são sempre promessas de um mundo melhor e eu sempre acreditando – mesmo que tudo mostre que é justamente o contrário…

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Todo apoio a Luiz Ruffato

O autor mineiro quase foi agredido na Feira do Livro de Frankfurt.
O motivo?

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No seu discurso de abertura da Feira, onde o Brasil foi homenageado, ele usou palavras duras para falar da desigualdade social do Brasil. Muitos acharam exagero e não gostaram. Entre eles o Ziraldo, que soltou o verbo milico: “Que se mude do Brasil, então”.
Alguns brasileiros “cordiais” quase partiram para a agressão física.

Então, está de volta o regime militar, tanto na ação da polícia, nas manchetes dos grandes jornais, quanto na reação dos “intelectuais”? Brasil, ame-o ou deixe-o?? Para quem foi fundador do Pasquim, é uma declaração meio… “maluquinha”, não é??

E a polêmica das biografias censuradas via justiça, envolvendo grandes artistas que um dia, no passado, eles próprios se voltaram contra a censura?

Então, ficar velho é tornar-se conservador, reacionário, fiel à pátria, à religião e a interesses mesquinhos?

Um governo que dá bolsa para tudo (menos bolsa-livro), bem que poderia criar uma bolsa-exílio. Todos os nascidos no brasil, descontentes e deprimidos com sua contingência e má sorte, preencheriam um cadastro e receberiam passagem só de ida (primeira-classe, por favor) e uma bolsa mensal, vitalícia, de 5 mil euros.

Quero bolsa-exílio!! Afinal, não tenho culpa de ter nascido aqui (assim como os pobres não tem culpa de sê-los ao nascer) e o Estado, em sua benevolência para minimizar minhas dores da existência (sou um mendigo da ética e da civilidade – e das montanhas nevadas), me daria a oportunidade de ser feliz em outro lugar do mundo.
[sou eu o culpado de ter permanecido aqui na minha condição, mas isto é outra história]

Voltando à Feira do Livro propriamente dita, queria ter tido tempo de escrever aqui antes.

A DeutscheWelle fez um especial para acompanhar. Veja aqui. Está ótimo!! tem vídeo, uma galeria de fotos com os principais nomes da literatura brasileira, bons artigos sobre a literatura contemporânea, tanto brasileiros quanto alemães, mais fotos aqui.

Claro, como foi na Alemanha, tinha bicicletas na Feira do Livro!!!

Pessoa usam bicicletas para gerar energia para ver vídeos na Feira do Livro de Frankfurt

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